domingo, 2 de junho de 2013

Crítica: John Carter – Entre Dois Mundos | Um Filme de Andrew Stanton (2012)


Se mesmo que à primeira vista, os primeiros minutos da fita "John Carter: Entre Dois Mundos" (John Carter, 2012), venha a reviver na memória as lembranças de “Star Wars II: O Ataque dos Clones” por sua dinâmica sumária, ainda que não tenha nada a ver com o mesmo, seu progresso ao resultado final se diferencia distantemente. A Disney (detentora dos direitos do personagem) já realizou produções muito mais curiosas, como a franquia arrebatadora de “Piratas do Caribe”, imbatível, ou a aventura familiar “Em Busca do Tesouro Perdido” entre várias produções animadas. Apesar de “John Carter” se encontrar na lanterna de diversas produções bem realizadas pela Disney, a responsabilidade da falta de originalidade que assombra essa produção possivelmente seja atribuída ao fato de sua criação (o filme é baseado na história do livro “Uma Princesa de Marte”, de Edgar Rice Burroughs, publicado em 1917) cujas ideias centenárias, enfim foram usadas e recicladas inúmeras vezes ao decorrer dos anos em outras produções, não causando mais espanto, ou despertando carisma do espectador. Em sua história acompanhamos John Carter (Taylor Kitsch), veterano da Guerra Civil Americana, se esconde em uma caverna de índios apaches e misteriosamente vai parar em Marte. Marte já foi um planeta próspero como a Terra, porém tornou-se ao decorrer do tempo de difícil sobrevivência habitado por diferentes povos, divididos entre batalhas. Em um desses conflitos, John Carter salva a princesa de Marte, Dejah Thoris (Lynn Collins), uma raça humanoide de supremacia nesse planeta, que luta para não deixar Marte cair nas mãos de um povo que arquiteta a destruição do planeta. A princesa convence Carter a protagonizar uma luta para evitar uma guerra definitiva que pode levar o planeta a completa extinção.


Enquanto Taylor Kitsch cumpre seu papel na medida do possível, até com carisma, apesar de pouco conhecido pelo grande público, e do outro lado desse jogo de intriga está Mark Strong no cargo de misterioso vilão. A trama é deveras absurda, que flerta com história americana e ficção científica, tornando-se de difícil absorção. Carter transpõe melhor o caubói do que o guerreiro marciano, estando mais à vontade e convincente na terra. Enquanto Mark Strong, um experiente interprete de vilões, leva elegância ao enredo pouco expressivo. Soluções fáceis de roteiro são usadas para justificar os poderes Carter, nunca antes vistos em Marte. Enquanto as origens de Strong ficam muito nebulosas, somadas a outras pontas soltas da trama. A direção de Andrew Stanton (Procurando Nemo e WALL-E) foi conduzida de modo burocrático e necessitava de mais atenção para lhe conferir alguma originalidade. Ao contrário de outro experiente animador, Brad Bird (Ratatouille), que filmou o quarto episódio da franquia “Missão: Impossivel – Protocolo Fantasma” com maestria, Stanton não teve a mesma competência em sua incursão ao live action. Sua proposta de criar – filmando – uma aventura familiar cheia de ação, com efeitos visuais de funcionalidade questionável, nos moldes das aventuras da Disney citadas no primeiro parágrafo, não funcionou como se esperava. Nos bastidores cabeças rolaram e demissões improváveis aconteceram após os números das bilheterias serem divulgados. Embora que o “John Carter: Entre Dois Mundos” tenha obtido mais críticas do que lucro, esse longa está longe de não ser legal - nos trailers dava a impressão de ser bem melhor. Por sua narrativa convencional, e seu enredo sem novidades estar já desgastado, e muito pelo próprio estúdio da Disney, não foi nenhuma surpresa a fria recepção que teve. O resultado fatídico quanto essa produção é que dessa vez não convenceu como se esperava em teoria. E apesar da decepção do estúdio – e de uma enorme gama de espectadores - quanto ao seu resultado no cinema, essa fita ficará ótima daqui a alguns anos estrelando numa desinteressante Sessão da Tarde como o melhor filme que poderia passar. Isso pelo menos, para quem o perdeu na estreia da Tela Quente.

Nota: 6,5/10 

4 comentários:

  1. O trailer não me empolgou.......talvez, em dvd.

    abs

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    1. O bom é assistir com o conhecimento de que não vai mudar a sua vida. Aí sim...

      abraço

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  2. Marcelo, acredito justamente que esse filme vai cair como uma luva numa Sessão da Tarde. Muitos escreveram horrores sobre esse filme, mas li também comentários elogiosos.

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    1. Depende: eu esperava mais. Talvez minha frustração venha disso, já que adorei a animações dirigidas pelo Andrew Stanton. Ao contrario de "Ratatouille" já não me agradou, o que me surpreendeu quando o diretor Brad Bird apareceu com o quarto episodio da franquia "Missão: Impossível - Protocolo Fantasma" repleto de boas ideias bem realizadas.

      abraço

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