segunda-feira, 17 de junho de 2013

Crítica: Depois da Terra | Um Filme de M. Night Shyamalan (2013)


Lamentavelmente a carreira do cineasta indiano M. Night Shyamalan tem tido uma guinada de difícil explicação. Após sucessivas produções que se alternavam entre unanimes sucessos, ou apenas filmes inteligentes e interessantes, começa a ser curioso o seu declínio. Sua incursão em produções encomendadas, como em "O Último Mestre do Ar" (2010), até pode ser vista com certa compreensão, porém a forma como suas habilidades tem se descaracterizado no decorrer dos tempos, é no mínimo curiosa. Sendo um cineasta que no passado chegou a ser comparado ao imbatível Steven Spielberg, por sua capacidade de dirigir atores mirins, hoje seus trabalhos se alternam entre ansiedade e frustração. As expectativas que se criam ao redor de seus filmes, caem por terra assim que são lançados. Seu estilo está irreconhecível. E se está difícil de agradar aos seus fãs ou aos cinéfilos religiosamente conectados a crítica especializada, "Depois da Terra" (After Earth, 2013), tem chances de agradar aos espectadores que buscam uma sci-fi de estrutura técnica competente focada em um belo visual. Mas ainda assim corre o presumido risco de fracassar pelo fato, de apesar do nome do carismático astro Will Smith nos créditos, o filme ser mesmo de seu filho, Jaden Smith - onde já fizeram dupla em "À Procura da Felicidade", pela direção de Gabriele Muccino - não ter o mesmo apelo ao público que possivelmente já cativou em suas experiências anteriores. A presença de tela é monopolizada pelo garoto. Em sua trama, acompanhamos uma missão espacial, quando o general Cypher Raige (Will Smith) e o filho Kitai (Jaden Smith) são alvejados no espaço por acidente e caem no planeta Terra, cerca de 1000 anos após um cataclismo que obrigou a humanidade se abrigar no planeta Nova Prime. Agora  a Terra é um planeta inóspito e repleto de perigos, onde caminhar sobre ela é correr um risco de vida eminente. Sendo os únicos sobreviventes da nave, precisam sair deste planeta antes que seja tarde. Mas Cypher está com as pernas quebradas e a única salvação para eles está nas mãos do garoto, já que Kitai precisa encontrar um sinalizador de ajuda perdido nos arredores do planeta. Agora, além dos perigos que esse planeta pode oferecer a Kitai, ele terá que enfrentar seu medo e provar a seu pai sua bravura.


O grande problema dessa produção talvez esteja em seu protagonista: Jaden Smith não tem o mesmo carisma que o pai - e como o roteiro foca a sua trama principalmente no garoto - perde-se por isso muito das possibilidades dessa produção, justamente porque Shyamalan também não têm conseguido as mesmas atuações inspiradas de seus jovens atores como antigamente, lhe conferindo o devido percentual de culpa pelo resultado pouco expressivo das interpretações. Além disso, a exploração pouco interessante dessa relação familiar entre pai e filho, não agrega muito ao conjunto, devido a artificialidade dos personagens e de suas emoções - é impossível ver Will Smith como um pai severo e durão, e cansativo ver Jaden Smith perdido em seu papel numa interpretação mecânica. Mas nem tudo é horror nessa produção, já que os contornos técnicos bem apurados e sempre presentes nos filmes de Shyamalan continuam afinadíssimos - som e imagem se completam brilhantemente. Uma belíssima direção de fotografia e uma produção de arte, que mesmo sem inovações expressivas, apresentam ideias bem funcionais para a proposta apresentada. Filmado em selvas da Costa Rica; Humboldt County, na Califórnia e em Aston, na Pensilvânia, a Terra do futuro foi bem delineada sem exageros e ao mesmo tempo, com um toque de brilhantismo visual de ficção científica bem aplicado na fauna e flora. "Depois da Terra" está longe de ser o grande retorno do velho cineasta que os fãs anseiam ver de novo, e ainda que seja de certo modo bem feito, não tem aquela magia envolvente dos antigos trabalhos, tanto em sua direção, quanto na composição do roteiro que sempre era um espetáculo isolado do resto do conjunto. Que pena. 

Nota: 6/10

2 comentários:

  1. achei os dois canastrões nesse filme. mas gostei do filme, da terra cheia de mata e animais. beijos, pedrita

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