quarta-feira, 15 de maio de 2013

Crítica: Femme Fatale | Um Filme de Brian De Palma (2002)



Já faz algum tempo que queria escrever sobre algum filme da carreira de Brian De Palma, mas ao mesmo tempo, não queria fazer uma escolha óbvia demais. Primeiramente, pensei em postar sobre “Olhos de Serpente” (1998), mas a descartei prontamente devido ao pouco gosto que tenho sobre essa produção. Enquanto “A Dália Negra” (2006), eu tenho apreço, mas me faltou inspiração. Por fim, o thriller “Femme Fatale” (Femme Fatale, 2002) une o útil ao agradável – uma produção de estética que alia as características de filmagem técnica de seu competente realizador, em uma premissa ligeiramente intrigante provida de um requintado clima e doses expressivas de excitação. Em sua trama acompanhamos Laura Ash (Rebecca Romjin-Stamos) uma linda mulher especialista em manipular os homens que a cercam. Após um assalto de jóias bem sucedido, que deixou seus comparsas abandonados à própria sorte, ela convenientemente abandona a vida do crime e os inimigos. Torna-se esposa de um embaixador norte-americano na França, com o intuito de se esconder e esquecer-se de seu passado que deixou muitas pessoas insatisfeitas. Mas quando anos mais tarde, um enxerido fotógrafo/paparazzi, Nicolas Bardo (Antonio Banderas), um voyeur que fascinado por sua beleza, começa a expor suas fotos aos quatro ventos, não sabe ele, o quanto fatal essa mulher pode ser para conseguir dar continuidade a sua impunidade.


Com uma história repleta de mistérios, jogos de sedução e uma reviravolta vertiginosa, o cineasta norte-americano Brian De Palma transpõe o roteiro de Josh Friedman (baseado no romance de James Elroy) com habilidade, embora mais técnica do que artística. Tecnicamente maravilhosa, com cuidadosos enquadramentos, trilha sonora oportuna, uma direção de fotografia que aproveita bem os contornos das locações, Femme Fatale” é resumidamente belo de se ver – diga-se a cena onde Rebecca Romjin-Stamos dança numa exibição desprovida de coreografia pronta e dotada de espontaneidade. Entretanto, sua maior qualidade também é seu calcanhar de Aquiles, já que o produto perde ao decorrer do desenvolvimento magnitude por apresentar pouca substância, personagens deslocados, e uma visão decepcionante como alternativa ao que sugere como desfecho. Em seu elenco principal, de um lado temos o galã latino Antonio Banderas, num papel que ele pessoalmente não aprecia, e do outro, a ex-Xmen Rebecca Romjin-Stamos mostrando tudo que não era possível ver debaixo da personagem azulada Mística. Ambos são o equilíbrio de beleza e talento sob a condução de um cineasta que é só talento, ainda que nessa produção, seja mais técnico. Está longe de ser umas de suas melhores obras, como as mais antigas (O Pagamento Final, Scarface, entre outras), mas ao mesmo tempo demonstra ter essa consciência, sem a pretensão de superá-las.

Nota: 7/10  
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