quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crítica: 300 | Um Filme de Zack Snyder (2006)


Uma mistura inteligente de "Gladiador" com "Sin Cty". Através de cenários digitais e muito exibicionismo de masculinidade, o diretor Zack Snyder transpõe para tela a graphic novel intitulada “Os 300 de Esparta, de autoria de Frank Miller, onde há uma mistura de épico fantasioso, com violência performática, apresentados com efeitos visuais modernos. Disponibiliza ricos valores históricos da cultura grega espartana, através de soluções visuais apenas vistas antes em “Sin City – Cidade do Pecado”. Em "300(300, 2006), a história transposta para tela acompanha os percalços do Exército espartano liderado pelo imponente rei Leônidas (Gerard Butler), que composto por apenas trezentos soldados, se incumbem da tarefa suicida de impedir o avanço devastador das forças conquistadoras persas lideradas pelo imperador Xerxes (Rodrigo Santoro), sobre o território grego. Com inteligência, Leônidas conduziu seus soldados para o Desfiladeiro de Termópilas, consciente que os estreitos penhascos que serviam de trajeto, invalidariam a superioridade numérica de oponentes persas durante a batalha. Durante dois dias de batalha, os soldados espartanos dizimaram o efetivo persa. Porém traídos por Ephialtes (Andrew Tierman), que guiou por uma trilha escondida soldados persas, até a retaguarda dos espartanos forçou o rei Leônidas a uma medida desesperada - não para ganhar essa batalha, mas para vencer uma eminente guerra.

O diretor Zack Snyder levou aos cinemas uma das maiores histórias de heroísmo da humanidade, que Hollywood nunca havia notado. Através de uma estética, liberta das limitações factuais, criou um épico expressivo visualmente, com todos os elementos necessários para fazer sucesso nas telonas, atingindo um público que os estúdios não conseguiam alcançar com competência. Suas ramificações que mesclam história grega com efeitos visuais apurados deixam “300” colado com épicos dos games como “God of War”, famoso jogo e objeto de cult de jovens, enquanto filmes como “Tróia” e “Alexandre” estão para mais para o clássico filme “Ben-Hur”.

O elenco de 300 estava submergido profundamente nas interpretações, onde inclusive a direção de Snyder consegue arrancar de Gerard Butler – no papel de rei soberano – uma de suas melhores atuações no papel de guerreiro honrado e brutal, que segue a risca as leis, mas que não mede esforços quando a segurança de seu povo é colocada em risco. Enquanto Santoro, até então um de seus melhores desempenhos em Hollywood, apresenta a composição de um imperador com devaneios de Divindade, assustador e visualmente presente. As alterações digitais de sua voz, que lhe davam uma posição andrógena, ressaltavam a imponência de seu papel como Divindade. Mas nenhuma atuação do elenco se equipara a narração em off detalhada e eloquente  de Dilios (David Wenham), que dava a ênfase dos acontecimentos e a magnitude das consequências que se desencadeavam. 

Se há decisões certas para conceber um sucesso, no caso desse longa, uma delas foi a aplicação dos efeitos visuais e a estética diferenciada adotada na produção. O abandono da narrativa convencional, aplicada ao gênero “sandálias e espada” foi vital para cativar um público que não se impressiona com tanta facilidade. Junte esse detalhe, com um roteiro enxuto, cheio de passagens espertas e frases de efeito, o resultado é brilhante. Além disso, a guarda de elite persa (Os Imortais) seguem as origens dos quadrinhos de Miller, porém quando as máscaras caem, vem à adição de faces horrendas como um incremento da fonte, dando mais estilo ao longa e deixando os personagens mais sinistros do que já eram anunciados pelos oponentes. Soluções visuais assim foram perpetradas em vários personagens do Exército persa, dando a Snyder à oportunidade de um retorno ao gênero ao qual o consagrou quando lançou um remake de “Madrugada dos Mortos”. 

Somente um diretor antenado e com estilo para dar vida ao trabalho de Frank Miller. Como Robert Rodriguez fez em Sin City – transpondo a graphic novel de Miller com fidelidade –, Zack Snyder deu perfeitamente segmento através de 300, reafirmando que até velhos tabus podem, e devem ser quebrados para se contar uma trama, mesmo tão antiga quanto à história grega. Deve-se ter coragem para arriscar mesmo quando tudo parece perdido. Porque mesmo em si tratando dos gregos, nem tudo é tragédia.

Nota: 8,5/10

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2 comentários:

  1. não me arrependi quando vi esse filme, muito bom
    está sabendo que ano que vem terá uma sequencia?
    poderá conferir sobre isso, visitando meu blog, abraços

    Blog sobre cinema, deem uma conferida:
    Coca-Cola com Pipoca

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  2. Adoro esse filme, pois ele redesenha a imagem dos tradicionais épicos.

    Abraço

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