sábado, 8 de julho de 2017

Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Um Filme de Jon Watts (2017)


Após seu contato com os Vingadores em “Capitão América: Guerra Civil”, Peter Parker (Tom Holland) volta relutante para sua antiga rotina diária no Queens, em Nova York. Mas agora sob o olhar atento de Tony Stark (Robert Downey Jr.), e de sua tia (Marisa Tomei), Peter tenta equilibrar sua vida normal de estudante dedicado com o pretenso ingresso nos Vingadores. Decidido a provar para si mesmo, como também para seu mentor, Tony Stark, de seu potencial como Homem-Aranha, Peter passa a seguir o encalço de um ganancioso vilão, o Abutre (Michael Keaton) que tem agido nas sombras, quando passou a combinar tecnologia alienígena sucateada para criar armas perigosas. Essa é a chance que Peter esperava para se tornar um Vingador. Mas as coisas não ocorrem da maneira que ele imaginava, e sua ansiedade passa a causar mais problemas do que é capaz de gerar soluções. “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (Spider-Man: Homecoming, 2017) é uma produção estadunidense de aventura e ação baseada no personagem em quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko. Produzida pela Columbia Pictures e Marvel Studios, essa produção é uma parceria entre a Sony e a Marvel, e tem a direção de Jon Watts. Em sua segunda reinicialização da franquia Spider-Man, e 16º filme do Universo Cinematográfico Marvel (MCU), o diretor Jon Watts não decepciona em tecer o mais novo produto da Marvel.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar” representa o que Marvel sabe fazer de melhor: filmes de super-heróis visualmente atraentes, comprometidos com seu propósito e divertidos. A capacidade da Marvel de mesclar com habilidade a matéria prima que for ao seu extenso universo cinematográfico, gerando no fim um produto bem adaptado em sua forma e essência, tem se mostrado fascinante a cada lançamento (um exemplo significativo é a figura do Homem-Formiga que nos quadrinhos nunca foi tão fascinante quanto no cinema). Escrito por várias mãos, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” se mostra uma experiência curiosa por ter mais cara de um cometido conto do que de uma cruzada de proporções épicas como em seus filmes anteriores. O roteiro compacta um pouco as dimensões dessa aventura que normalmente no gênero são mais gigantescas e ambiciona um foco no necessário jogo de cintura que Peter Parker necessita ter para crescer como super-herói aos olhos do mundo e de si próprio. Embora o filme tenha suas passagens grandiosas, a maior parte do desenvolvimento do material é marcado por trivialidades e situações cômicas. Jon Watts, um diretor de pouca experiência e muito talento, mostra que sabe bem articular as ações e emoções contidas em volta do personagem. Ansiedade, inexperiência e pretensão são alguns dos aspectos e questionamentos bastante explorados pelo argumento. Além do mais, as cenas de ação possuem o seu brilho e não devem nada a nenhum outro realizador da franquia. Watts se adaptou bem aos moldes que são estabelecidos pelo estúdio.

Deixando de lado comparações com os filmes de Sam Raimi e ao mesmo tempo sem querer desmerecer a atuação de Andrew Garfield nos filmes mais recentes, o jovem ator Tom Holand atende as necessidades atuais do personagem: jovem, eufórico e até certo ponto, submisso a vontade da tia May como um legítimo adolescente que é. Com uma dosagem alta de humor dada a rotina do ensino médio de Peter e as reações aos exclusivos gadgets inseridos no traje do Homem-Aranha, tudo gera ótimas passagens e servem como um artificio de acessibilidade ao público. Considerando que um dos grandes objetivos da Marvel sempre é tornar os seus filmes acessíveis, talvez Jon Watts tenha entregado um dos filmes mais acessíveis do MCU. Se Holand já dava indícios de sua tamanha funcionalidade na rápida aparição em “Capitão América: Guerra Civil”, agora em seu filme solo, o fato só veio a ser reforçado. Sobretudo, além da esperada presença de Robert Downey Jr. num punhado cenas legais, o espectador é presenteado com mais uma ótima atuação de Michael Keaton que entrega um vilão de estética sofisticada e bem adaptado ao arco de histórias da Marvel, que além de ter seus segredos, se conecta ao personagem de Peter Parker numa reviravolta pontual.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é extremamente divertido. Obviamente direcionado para um público mais juvenil, contanto é capaz de proporcionar uma boa dose de entretenimento a uma plateia mais madura que busca um programa de entretenimento descompromissado. A reunião de bons momentos (tem uma cena nostálgica que homenageia o filme “Curtindo A Vida Adoidado) é uma boa sacada da produção. Seu desfecho é ajustado e a sabotagem do plano criminoso do Abutre que culmina no fracasso e o destina a prisão demonstra sutilmente um plano sendo elaborado para seu renascimento das cinzas em projetos futuros. Assim sendo, ainda falta muito para que o garoto Peter Parker possa verdadeiramente se chamar de “homem”, todavia está no caminho.

Nota:  8/10
________________________________________________________________________

4 comentários:

  1. Adoro Spider Man. Adoro vê-lo voando por cima de NY.
    Não sei se Tom Holland vai ser tão convincente, para mim quanto Tobey Maguire.
    Gosto de Marisa Tomei e acho Michael Keaton formidável e versátil como ator.
    Quando vou assistir? Não sei.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Embora muita gente critique os filmes Tobey Maguire, eu gostei muito dos dois primeiros filmes. Na minha opinião esse não supera nem de longe os trabalhos de Sam Raimi, mas funciona brilhantemente ao que se propõe. Espero que continue assim.

      Bjus

      Excluir
  2. O público fã de quadrinhos sempre aguarda ansioso pelos lançamentos do gênero.

    Eu sendo um cinéfilo comum, estou um pouco cansado do gênero. Os últimos filmes eu sequer assisti.

    Também gostei dos dois primeiros "Homem-Aranha" dirigidos por Sam Raimi.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho que algumas franquias estão desgastadas, tanto quanto os espectadores. Algumas estão simplesmente esperando um fracasso de bilheteria torrencial para serem freadas pelo estúdio, e mais nada. Os "X-Men" tem claras evidências disso. Os dois primeiros filmes ainda são para mim os melhores filmes dessa franquia. Enquanto os dois últimos, na minha opinião são mais fracos do que é comum serem citados.

      A DC tem tido uma crescente melhora em vários aspectos (veja as críticas positivas de "Mulher Maravilha") e os "Vingadores" ainda possuem uma imbatível qualidade do conjunto de seus filmes. Mas que a partir da próxima vai se complicar por trabalhar um enredo que não pára de crescer para todos os lados.

      Eu havia lido o livro que inspirou "Guerra Civil", e devo dizer que o filme está imensamente superior a sua fonte. Mérito do estúdio que tem sabido adaptar com criatividade o universo dos quadrinhos ao formato cinematográfico. As histórias estão sempre bem conectadas e com liberdades poéticas inteligentes.

      Eu particularmente sou um desses que aguarda ansioso pelos lançamentos do gênero. Já tive várias decepções e algumas surpresas agradáveis. Mas uma fatia significativa do público goste ou não, o gênero ainda tem muito material a ser mostrado por muitos anos.

      Algo que preocupa é a tentativa de ressuscitar alguns fracassos do passado ou alguns bons filmes de seu tempo. "Spawn" está na primeira categoria, enquanto "Blade" possui especulações sobre um remake desnecessário.

      Enfim, a indústria do cinema não pára. Só nos resta acompanhar e ver no que dá.

      abraço

      Excluir