domingo, 2 de julho de 2017

Crítica: 007 Contra Spectre | Um Filme de Sam Mendes (2015)


James Bond (Daniel Craig) é afastado de suas responsabilidades por M (Ralph Fiennes), recém-nomeado a função, depois de agir por conta própria em missão secreta na Cidade do México.  Como de costume, Bond desobedece previsivelmente as ordens dadas pelo comando de M para descobrir mais sobre os eventos ocorridos no México, enquanto ao mesmo tempo M enfrenta forças políticas numa disputa de bastidores para manter o serviço secreto ativo. Bond descobre que o assassino do México, Marco Sciarra (Alessandro Cremona) abatido na operação era apenas um empregado de uma organização criminosa maior. Ao fazer contato com Lucia Sciarra (Monica Bellucci), a bela e sedutora viúva do assassino, Bond se infiltra numa reunião secreta da organização criminosa conhecida como Spectre. Numa busca incessante pelo chefe da organização Spectre, o enigmático Franz Oberhauser (Christoph Waltz), Bond descobre que seu passado está diretamente ligado ao coração dessa misteriosa organização. “007 Contra Spectre” (Spectre, 2015) é uma produção de ação e espionagem britânica que é o 24º longa-metragem da franquia cinematográfica de James Bond, e o 4º filme protagonizado por Daniel Craig. Escrito por John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Jez Butterworth, o filme é dirigido por Sam Mendes e também têm no elenco principal nomes como Christoph Watz, Léa Seydoux, Monica Bellucci, Ralph Fiennes, Dave Bautista, Naomie Harris, Ben Whishaw, Rory Kinnear e Andrew Scott.

Sem o charmoso toque de inovação de “Cassino Royale” (2006), a explosão ininterrupta de ação de “Quantum of Solace” (2008) e a impecável elevação de excelência de “Operação Skyfall” (2012); “007 Contra Spectre” busca ser todo o equilíbrio do que já foi feito nessa nova fase da série até o presente. Além do mais, também é uma homenagem e um entusiástico retorno do sindicato do crime dos primeiros filmes da série, ainda quando era protagonizada por Sean Connery. Embora a organização sempre estivesse presente no enredo dessa nova fase, finalmente Spectre sai em definitivo das sombras e ganha o devido destaque na película. A trama diretamente conectada aos acontecimentos e personagens dos três filmes anteriores da nova fase, se desenrola pelo México, Londres, Roma, Tânger, Áustria e pelo Marrocos. Enquanto Daniel Craig continua a prosperar no papel de agente 007, a inserção de novos personagens se mostra mais pobre do que podia se permitir. O que consequentemente resultou na perda de sua capacidade de sedução pelo mesmo motivo que “Quantum of Solace” nunca veio a habitar na lista de nenhum fã da série como um dos melhores filmes da nova fase da franquia: o vilão. Christoph Waltz não convence mais com um sua performance, ainda que funcional, repetitiva de grande vilão. Ainda que as reviravoltas da trama sejam bem elaboradas pelo roteiro, conduzidas com o mesmo rigor que Sam Mendes adotou em “Operação Skyfall”, há um déficit criativo no antagonista de Bond e uma necessidade de melhorar a exploração dos personagens secundários.

Mesmo assim, as cenas de ação continuam a brilhar na tela (destaque para a inesperada e explosiva cena de abertura). As sequências de luta corpo-a-corpo são intensas e brutais, e o carro do agente especial 007 (Aston Martin DB10 feito sob medida para o filme) continua a roubar a cena e a salvar sua vida. Assim sendo, desde o prefácio explosivo na Cidade do México que passou por um calvário pelo mundo até a sua conclusão nas ruas de Londres, “007 Contra Spectre” se mostra uma continuação válida da franquia e um bom programa de entretenimento. Obviamente, nem de longe superior a seu antecessor.

Nota: 7/10
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8 comentários:

  1. eu gostei http://mataharie007.blogspot.com.br/2016/06/spectre.html eu amo esse bond. beijos, pedrita

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    1. Eu particularmente também gosto da presença de Daniel Craig como Bond. Acho que não ficou devendo em nada para o personagem.

      Bjus

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  2. Nunca vi um filme de Bond.
    Não consigo gostar de filmes que tenha histórias impossíveis.
    Mas eu gostaria de continuar tentando.
    Gosto muito do Daniel Craig.

    Vc precisa vê os 2 filmes franceses que comentei na postagem.
    E vê sua análise de quem entende de cinema, como o Hugo.

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    1. Obrigado Liliane. Fico lisonjeado pelo reconhecimento ao qual você me dá, mas não acho que eu seja um grande entendido do assunto. Sou apenas alguém como qualquer um que tem opinião e que está disposto a escreve-la para outros interessados no assunto. Gosto muito de assistir a filmes de todo tipo sempre quando possível e isso acabou se formando uma necessidade de descreve-los nesse espaço virtual. Sempre espero que o material que produzo eventualmente seja útil a alguém.

      Quanto ao seu filmes, infelizmente tenho uma lista de pelo menos uns 40 filmes baixados a espera de serem conferidos. Espero que eu possa resenhar pelo menos a metade até meados de agosto, coisa que não vai ser fácil! Mas se eu puder atender ao seu pedido, tentarei dar o meu máximo.

      bjus

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  3. Errata: Aqui deveria estar o comentário de um visitante ao qual deletei equivocadamente durante uma manutenção dos comentários. Peço desculpas ao visitante Ubiracy Junior. Infelizmente erros acontecem.

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  4. Eu não assisti aos filmes antigos, só assisti aos filmes com o Daniel Craig como protagonista. Por isso tanto o vilão quanto a organização não tiveram tanto impacto pra mim, mas mesmo assim eu gostei do filme.

    Sobre a criatividade do antagonista, tu acha que eles ficaram com medo de mudar ele ?

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    1. Obrigado pela compreensão Ubiracy.

      Respondendo a sua pergunta: Acompanho a carreira de Waltz desde 2009, em "Bastardos Inglórios". De lá para cá, Waltz deu várias provas de seu talento e versatilidade. Veja filmes como "Deus da Carnificina", ou o estranho "Teorema Zero". Filmes muito interessantes. Mas o problema de "Spectre" não está necessariamente em sua atuação, mas na escolha dele como o vilão. É tão óbvia quanto cômoda para ele, que já desempenhou outras vezes esse papel com as mesmas características. Pegue outros dois vilões dessa nova fase da franquia 007, e temos Mads Mikkelsen em "Cassino Royale" com seus olhares sombrios e favorecido por um roteiro espetacular (coisa que "Spectre já não tem). Depois temos Javier Bardem em "Syfall", com seu desempenho ligeiramente assexuado que em nada remete a lembrança de outro papel de vilão que tenha feito no passado. Bardem aliou humor e perigo no mesmo papel sem o risco de cair no ridículo. E olha que em "Onde os Fracos Não Têm Vez" o cara também estava formidável no papel de vilão e totalmente diferente do que em "Syfall".

      Acho que Waltz só fez o que mandaram, seguindo as regras pré-defenidas de seu papel. Acho que a produção da franquia errou em fazer uma escolha óbvia demais. No passado o falecido Robin Willians estava caindo na armadilha de fazer papéis felizes e arrumadinhos que transitavam pela comédia por que o público já havia se habituado a ver ele dessa forma (o que já estava causando nojo na crítica e cansaço no público) e quando aceitou interpretar um vilão em "Insônia", viu sua carreira ganhar novos e promissores horizontes. Infelizmente depois ele passou a querer a interpretar somente papéis de vilão seguidamente, como em "Retratos de Obsessão". Viu sua carreira voltar ao ostracismo novamente.

      Não me arrisco a citar nomes melhores para o papel, mas com certeza Waltz não seria minha primeira opção.

      Vamos esperar para ver o que a franquia tem a oferecer para o futuro, até porque esse episódio parece ser o final dessa "nova" fase protagonizada por Daniel Craig. Particularmente acho necessário um toque de reinvenção para a série novamente, que embora se mostrou brilhante, a aparência de inovação se mostra desatualizada.

      abraço

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