domingo, 11 de junho de 2017

Crítica: Rock em Cabul | Um Filme de Barry Levinson (2015)


Richie Lanz (Bill Murray) já foi um grande produtor musical, mas hoje passa por momentos de decadência e se mantem ainda ativo no ramo apenas tirando proveito de pessoas que sonham e serem astros da música. Abandonado a própria sorte no Afeganistão depois de uma turnê fracassada, sem dinheiro e sem condições de voltar aos Estados Unidos, Richie descobre uma jovem moça nos arredores do deserto que tem uma voz e um talento fantástico que pode ser a sua salvação. Então ele resolve leva-la para uma popular competição musical de televisão que busca encontrar novos talentos, chamada Afghan Star (uma espécie de “American Idol” do Afeganistão) e mostrar todo o talento da jovem cantora, mas descobre que por estar no Oriente Médio, ganhar a competição é o menor dos seus obstáculos. “Rock em Cabul” (Rock the Kasbah, 2015) é uma produção de comédia estadunidense escrita por Mitch Glazer e dirigida por Barry Levinson (diretor responsável por filmes como “Bom Dia, Vietnã”, de 1987, “Rain Man”, de 1988 e “Vida Bandida”, 2001, entre muitos outros mais). Fracasso de bilheteria e destruído pela crítica especializada, os números, os aspectos que rodeiam o personagem principal e a repercussão negativa do filme fala muito sobre as pessoas envolvidas em sua realização. Há uma clara evidência de retorno de Bill Murray e do diretor Barry Levinson aos tempos de glória e que não por falta de merecimento, não aconteceu.

Rock em Cabul” é um projeto desafiador que não surpreende pelo fracasso. Por não se tratar de uma comédia típica do cinema estadunidense, onde o enredo difícil e o roteiro ligeiramente inspirado na história real de Setara Hussainzada (a primeira mulher a competir no programa Afghan Star em 2009) não funciona na maior parte do tempo. A história que trabalha alguns aspectos culturais, políticos e algum idealismo que estão acima da compreensão ocidental soa forçada na tela e acaba criando alguns obstáculos insuperáveis para essa produção. Além do mais, a intenção de imprimir uma mensagem dramática forte provida de uma carga de otimismo não funcionou da forma como se gostaria. Como sempre, Bill Murray se entrega de corpo alma ao personagem e faz o que sabe fazer de melhor: desencadear risadas. Suas caras e bocas sempre são pontuais no que se refere a gerar diversão. Embora atuações como a de Kate Hudson como prostituta seja também agradáveis por seu desempenho comprometido, há uma gama substancial de situações e personagens distantes envolvidos no enredo (o mercenário americano cheio de idealismo interpretado por Bruce Willis) que são uma sobrecarga ao enredo desnecessária. Mas sem dúvida que Bill Murray é o que segura atenção do espectador na tela e eleva as poucas e boas ideias desse longa-metragem.

Mas “Rock em Cabul” é um bom filme? Se você é fã de Bill Murray, certamente que vai simpatizar com seu desempenho nessa produção. Seu comprometimento com que faz é sempre explícito e marcado de dedicação. O problema que nem sempre isso se reverte em qualidade ao conjunto. O ator obviamente confere suas qualidades pessoais ao que faz, e não se deixa abalar pela pouca repercussão que alguns de seus trabalhos pode ocasionar, mas ainda assim se entrega inabalável ao que está fazendo. E para o público, o importante é ele estar trabalhando e produzindo boas risadas com seu estilo legítimo e quase sempre funcional. Embora ao mesmo tempo vá sentir saudades dos tempos de filmes como “Caça-Fantasmas” e “Feitiço do Tempo”, além de muitos outros mais que ele atuou brilhantemente ao longo de três décadas, mas que não se tornaram tão icônicos quanto os dois mencionados. Do contrário evite. Simples assim.

Nota:  5,5/10
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