quinta-feira, 28 de maio de 2015

Crítica: Sem Dor, Sem Ganho | Um Filme de Michael Bay (2013)


O ano é 1995. Daniel Lugo (Mark Wahlberg) é um patriótico personal trainer que acredita cegamente no “sonho americano”. Tanto acredita como também sabe o quanto é difícil realiza-lo. Falido e alienado por palestras de autoajuda, Daniel não consegue ver chances para alcança-lo a não ser através da ilegalidade. E chegando a essa equivocada constatação, ele traça um ambicioso plano criminoso com a ajuda de alguns colegas, o deslocado Adrian Doorbal (Anthony Mackie), um fisiculturista que sofre de impotência sexual devido ao uso excessivo de anabolizantes e o ex-presidiário Paul Doyle (Dwayne Johnson), um brutamontes convertido ao cristianismo e viciado em drogas, que vão sequestrar e extorquir cada centavo da fortuna de um bem-sucedido empresário da Flórida, o insuportável Victor Kershaw (Tony Shalhoub). No entanto, com pouco talento para o crime e nenhum cérebro criminoso presente na quadrilha, eles irão descobrir que essa jornada para o sonho americano através do crime não será tão fácil de conquistar, ou pelo menos duradoura. “Sem Dor, Sem Ganho” (Pain & Gain, 2013) é uma produção estadunidense de humor negro baseada em fatos reais.  Escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely, o filme também é dirigido por Michael Bay (o responsável por inúmeros sucessos comerciais e consequentes fracassos de crítica). Curiosamente essa produção tem em seu enredo um aspecto que casa bem com o perfil de seu realizador, que invariavelmente ostenta em seus filmes uma forçada supremacia norte-americana sobre outras culturas. Sendo assim o mais patriótico dos cineastas americanos consegue extrair da absurda trajetória de vida de Daniel Lugo e sua trupe o material necessário para projetar ao espectador todos os seus anseios fervorosos de patriotismo de modo escrachado.
 
Sem Dor, Sem Ganho” tem sua base em eventos reais, embora ganhe contornos absurdos pela câmera de Bay. Praticamente o diretor faz uma espécie de paródia sobre o patriotismo com base na história real, e que como de costume em seus trabalhos, o desenvolvimento da trama é marcado por sua afeição desmedida pelos excessos visuais. E mesmo que menos preponderantes, ainda estão presentes nas cores, nos cortes rápidos e nos enquadramentos. Mas ocorre algo inesperado no resultado dessa sua incursão por uma trama sem atrativos artificiais (leia-se Transformers). Se no passado o estado de caos que se instalava na película elaborada de Bay desfalcava o conjunto e causava certa irritação aos sentidos, aqui o efeito é contrário. Quanto mais caótico, melhor vai ficando o desenvolvimento da trama, o que rende boas passagens de humor para a sua versão da história. Liberdades foram tomadas, isso é óbvio. A soma disso é que a transposição cinematográfica de Bay é recheada de situações sem coerência protagonizadas pelo trio composto por Mark Wahlberg, Dwayne Johnson e Anthony Mackie, que de tão absurdas, são difíceis de serem levadas a sério. O tom de descompromisso com a realidade é o grande atrativo desse longa-metragem. E essa dificuldade de associar os acontecimentos do filme a fatos, faz dessa produção uma surpresa agradável. Com ótimas atuações, com destaque para Ed Harris (o homem responsável pela captura e julgamento dos despreparados criminosos) e um condicionamento técnico exuberante, “Sem Dor, Sem Ganho” está longe de ser um grande filme inspirado em fatos reais. Na verdade, ele é tão estranho quanto à ficção, como também pode ser considerado um dos melhores filmes de seu realizador em anos.

Nota:  7/10    
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2 comentários:

  1. quando esse filme estreou nos cinemas eu vi uma critica sobre ele e fiquei com muita vontade de assistir! agora que fui"lembrado" dele nesse blog vou assistir "Sem Dor Sem Ganho" hoje mesmo!! Marcos Punch

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    1. Assista sim! Trata-se de um filme no mínimo curioso.

      abraço

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