segunda-feira, 7 de julho de 2014

Crítica: Dupla Implacável | Um Filme de Pierre Morel (2010)


James Reece (Jonathan Rhys Meyers) é um ambicioso assessor pessoal do embaixador dos Estados Unidos na França, e que desempenha ocasionalmente algumas tarefas para CIA com a pretensão de virar um verdadeiro agente de campo da agência. Entre pequenos trabalhos sem grande relevância, ele mal podia esperar por primeira missão de importância que poderia lhe causar a tão desejada ascensão. Mas quando em sua primeira missão oficial é obrigado a trabalhar ao lado de Charlie Wax (John Travolta), um excêntrico agente da CIA que costuma adotar frequentemente métodos nada ortodoxos para atingir seus objetivos, ele encontra nesse serviço um trabalho quase impossível de ser realizado. Numa jornada pelos subúrbios de Paris, entre tiroteios e um banho de sangue desenfreado, ambos desafiam os mais diferentes criminosos para impedir um inusitado atentado terrorista para esse inexperiente agente. “Dupla Implacável” (From Paris With Love, 2010) é um longa-metragem de ação e espionagem realizado por Pierre Morel, frequente colaborador do produtor Luc Besson. Numa mistura batida de ação e humor, Morel entrega um filme previsível onde o enredo de pouco sentido, a ação frenética muitas vezes confusa e protagonizada por uma dupla definitivamente desequilibrada que ainda mesmo que divirta o espectador que aprecia o gênero, não facilita de modo algum a digestão do conjunto exagerado que compõe essa produção.


Erguer um filme de ação genuíno não é uma tarefa das mais fáceis. Naturalmente também não foi a pretensão de seus realizadores (Morel e Besson) de fazer isso, sendo que, num emaranhado de clichês já usados a exaustão por Besson, “Dupla Implacável” carece de algo mais seja no fraco roteiro escrito por Luc Besson e Adi Hasak ou na condução explosiva de Pierre Morel. Condução está que foi muito mais inspirada em “Busca Implacável” (2008). Tanto John Travolta quanto Jonathan Rhys Meyers cumprem seu papel dentro do projeto do tira bom e o tira mal, e se isentam automaticamente de qualquer responsabilidade quanto as impossibilidades da ação criada para espectadores modernistas. Se Travolta brilha nos diálogos cômicos carregados de excessos delirantes, e Meyers aparece fazendo caras-e-bocas no embate de experiências e personalidades distintas, a ação fica a cargo de recursos digitais comuns e edição excessivamente cortada para suprir as limitações físicas do grande nome do elenco (o uso de dublês para cenas de ação perigosas não é condenável, apenas não pode ficar gritantemente visíveis). “Dupla Implacável” é um filme de ação turística que segue com rigor o roteiro pré-estabelecido do gênero ao qual faz parte, e que consequentemente o espectador sabe o que vai ver antes mesmo de assistir. Com atuações no limite da canastrice, e uma história com material suficiente apenas para se manter até a chegada dos créditos finais, essa produção até diverte bem de modo descompromissado. Mas uma coisa é certa: Travolta já fez coisa muito melhor nesse gênero sem precisar ir a Europa.

Nota:  5,5/10
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2 comentários:

  1. Estas produções francesas que contratam um astro e copiam os filmes de ação americanos tem de ser vistas como diversão sem compromisso, nada mais.

    Este filme eu achei até divertido, deixando de lado os exageros.

    É um estilo que começou com Luc Besson.

    Abraço

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    1. A atuação de Travolta nesse longa me fez lembrar sua atuação em "Face a Face", quando ele assume a aparência do personagem de Nicolas Cage. Exagerada e alucinante. O problema está no desiquilíbrio da dupla: Meyers não chega nem aos pés do carisma de Travolta. Uma pena...

      abraço

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