domingo, 8 de junho de 2014

Crítica: A Recompensa | Um Filme de Richard Shepard (2013)


Ouvir o nome “Hemingway” e não pensar no renomado escritor americano Ernest Hemingway (1899–1961) é quase impossível. Homem de personalidade forte e dono de obras emblemáticas da literatura como “O Velho e o Mar” e “Por Quem os Sinos Dobram”, seu trabalho e sua figura o tornaram um sujeito icônico da história dos grandes escritores americanos. Quase impossível, sendo que o diretor/roteirista Richard Shepard traça uma espirituosa parceria com o ator britânico Jude Law para dar um novo sentido ao nome “Hemingway”. Shepard criou em teoria um personagem antipático, violento e demasiadamente egocêntrico chamado Dom Hemingway que foi brilhantemente materializado por um Jude Law em uma interpretação completamente irreconhecível e arrebatadoramente inspirada (uma atuação que o faz dar adeus aos tempos onde era galã de dramas pesados e romances conturbados). Dom Hemingway é um sujeito que promete além de divertir e chocar os espectadores, também ficar gravado na memória do público, ainda que não seja de modo tão marcante quanto nome do saudoso escritor. “A Recompensa” (Dom Hemingway, 2013) é um longa-metragem de humor negro ambientado no submundo do crime londrino cuja narrativa muito se assemelha ao estilismo textual de outro cineasta britânico, Guy Ritchie, que se fez um grande realizador de sucesso ao abordar os desdobramentos do universo dos gângsteres na terra da rainha. Assim Shepard nos apresenta sua história na qual acompanhamos Dom Hemingway (Jude Law), um habilidoso arrombador de cofres que acaba de sair da prisão após cumprir uma pena de 12 anos de encarceramento. Hemingway manteve em sigilo os segredos de seu contratante que lhe custou preciosos anos de liberdade. Em função disso, ele parte junto com seu grande amigo (Richard E Grant) em busca de uma recompensa em dinheiro como presente por sua fidelidade a um delicado código de honra de criminosos. Mas nem tudo, ou quase nada ocorre como planejado e ele se mete em um monte de encrencas que o deixam sem alternativas de conseguir a tão sonhada redenção.


A Recompensa” talvez seja um marco na carreira de Jude Law. Com uma atuação estilosa e repleta de exageros (que vão desde a escabrosa introdução apresentada por uma ode ao pênis do protagonista ao momento em que Dom Hemingway mostra porque é um dos melhores arrombadores de cofres da Inglaterra), o ator casa bem com o papel que lhe foi conferido se reinventando de modo fenomenal. Essa talvez, a mais grata surpresa dessa produção. Apoiado por outras atuações formidáveis do elenco de apoio que vão da estranha presença de Richard E. Grant, ou pela delicada atuação de Emilia Clarke no papel de filha distanciada de Dom Hemingway, essa produção impressiona pelo conjunto afinado da obra ainda que não apresente nada de novo ao gênero das comédias politicamente incorretas, carregadas de grosserias, mesmo como aos violentos filmes de gângsteres. Abusando de palavrões, acasos extremados e humor negro temperado com muita violência, tanto o roteiro como a própria direção do nova-iorquino Richard Shepard lembra demais o estilo de Guy Ritchie, embora mais enxuto e sem os inúmeros personagens que se acumulam em suas Ritchianas tramas. O foco de Shepard se concentra na trajetória do personagem principal, ao som de uma boa trilha sonora e situações curiosas que explora seus conflitos profissionais, de relacionamentos e familiares de modo arrojado tentando equilibrar os excessos narrativos do filme com as particularidades dos personagens. “A Recompensa” é divertido de um modo restrito. Seus diálogos shakespearianos não negam suas origens ainda que nem todos soem tão verborrágicos como imaginados em teoria. Decididamente essa produção não é para todos os gostos, embora se aproprie de um estilo que já foi mais popular, se valendo mais pela atuação de seu protagonista do que propriamente pelo filme em si.

Nota: 7/10
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6 comentários:

  1. Cara, baixei este filme há poucos dias, em razão da crítica da Veja em relação ao DVD. Ainda não vi... Mas tá na fila.

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    1. Um bom filme e divertido como deve ser. Diferente da maioria dos filmes que estamos acostumados a ver ultimamente e parecido demais com outros que já vimos no passado. Como mencionei no texto: vale pela atuação do protagonista.

      abraço

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  2. Tb não assisti, mas gosto do Jude Law. Ok, ele teve uma fase ruim, mas parece que este filme reafirmou o seu talento. Curioso.
    Abrç.

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    1. É engraçado ver Jude Law em um papel bem diferente dos seus trabalhos habituais. Com certeza o aspecto mais envolvente desse longa-metragem. Espero que o ator consiga outros trabalhos que possam reafirma-lo como grande ator.

      abraço

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  3. Eu só vi o Jude Law em cinco filmes: Enemy at the gates; Repo men; Os dois Sherlock e agora nesse :s
    Eu gostei do filme, justamente por causa da atuação dele. Mas no quesito comédia o filme me desapontou, ri poucas vezes...

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    1. Há outros filmes muito bons dele. Mas em contrapartida também tem uns bem ruinzinhos como "AI - Inteligência Artificial".

      abraço

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