quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Crítica: Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Um Filme de Christopher Nolan (2012)


Antes de qualquer coisa é imprescindível que seja dito que todo brilhantismo conferido a esse longa é resultante da harmonia do conjunto da obra iniciada em 2005 através de “Batman Begins”. Quando o cineasta Christopher Nolan transpôs um dos mais fascinantes personagens dos quadrinhos para telona de forma autoral e com toques de realismo inédito ao personagem criado por Bob Kane, o cineasta conseguiu não somente criar um produto comercial eficiente (artístico e lucrativo), mas redefinir o rumo de um gênero cinematográfico que caia meteoricamente em descrédito após inúmeras produções que beiravam a completa inutilidade. Daí contrariando outras regras do cinema que se davam como certas, ele realizou uma sequência insuperável materializada em “Batman O Cavaleiro das Trevas”. Por isso “Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (The Dark Knight Rises, 2012) é de longe sensacional. Esse longa não pode ser avaliado de forma isolada (entenda os três filmes como sendo uma única história), e deve-se sumariamente ser vislumbrado como sendo o fim de uma trilogia que se completa fantasticamente.

Assim em seu episódio de desfecho acompanhamos a Gotham City oito anos após as tragédias ocorridas em “Batman O Cavaleiro das Trevas”: Harvey Dent e Rachel Dawes estão mortos pela articulação do Coringa e a Máfia erradicada da cidade. Porém a culpa pelos acontecimentos trágicos foi depositada sobre Batman, agora um fora-da-lei caçado pelas autoridades. Desde então Bruce Wayne (Christian Bale) permanece distante da sociedade, mantendo-se recluso em sua mansão recém-construída e penando por assumir a responsabilidade por tudo que aconteceu antes. Após a morte de Dent (primeiro o Cavaleiro Branco de Gotham até se tornar o Duas Caras) a cidade repousa em paz sem a necessidade dos serviços da justiça de Batman. Mas apesar do clima de ordem restituído na cidade, nos bastidores desse aparente clima de normalidade instituído em Gotham, um grupo de terroristas ligado a Liga das Sombras, e liderado por Bane (Tom Hardy) traça um plano de levar à cidade de Gotham as ruínas como exemplo para mundo do mesmo modo que foi iniciado por Ra’s Al Ghul (Liam Neeson) em “Batman Begins”. E ressurgindo das trevas, Batman volta de seu auto-exílio para combater o mal novamente. Entretanto, além da habitual ajuda do comissário Jim Gordom (Gary Oldman), do jovem policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e Fox (Morgan Freeman) e Alfred (Michael Caine), acaba por desenvolver uma estranha ligação com Selina Kyke (Anne Hathaway), uma ladra que joga nos dois lados e que será colocada à prova enquanto Batman, debilitado por sua cruzada contra o crime, terá nesse misterioso inimigo conhecido como Bane (um acessório para o Armagedom) seu adversário mais perigoso. 


Após o grande sucesso do segundo episódio dessa franquia, muita expectativa se criou em cima dessa produção (especulações sobre o rumo que essa franquia tomaria e os personagens que passariam a fazer parte dela). E a maior de todas a especulações talvez fosse: Quem seria o grande vilão que protagonizaria o confronto final com o Homem-Morcego? Havia grande expectativa pela aparição do "Charada" que não se confirmou, embora Bane se revelou instigante. Um vilão de presença física e cujos diálogos são proferidos em tom paroquial de liderança, sua busca por instalar o caos em Gotham é impressionante. Entre outras opções e a escolha de Bane, interpretado por Tom Hardy, (que mesmo longe de superar o Coringa de Heath Ledger) a decisão de inseri-lo na grande trama mostrou-se um acerto gratificante para a franquia e condizente com a proposta de Nolan. O roteiro de Christopher Nolan, Jonathan Nolan e David Goyer acerta mais uma vez e presenteia o espectador com várias surpresas (para fãs ou não do personagem) na forma da materialização de momentos cruciais do personagem em sua trajetória pelos quadrinhos. E se Bane se mostra uma surpresa, diga-se então sobre a presença da insinuante Mulher Gato interpretada pela belíssima Anne Hathaway (de uma composição que fará qualquer um esquecer as muitas outras anteriores). Inclusive a presença de Joseph Gordon-Levitt e da atriz Marion Cotillard aos poucos se mostra tão importantes quanto parecem em premissa.


E o Batman? Talvez nesse longa-metragem ele perca pontos para si mesmo, já que Bruce Wayne conquista em contrapartida uma presença de tela maior e de melhores momentos. Mas Christian Bale, a vontade em seu papel depois de duas produções, demonstra equilíbrio e acerta na presença de tela quando veste o traje de Cavaleiro das Trevas, ao mesmo tempo em que confere uma dramaticidade incrível ao milionário Bruce Wayne. Contudo, se o elenco funciona de forma magistral, onde há um evidente incremento com a presença de Selina Kyke, essa produção perde alguns pontos por suas subtramas que se mostram em certos momentos desnecessárias, como em outros momentos exageradas e encaixadas de modo forçado (o confinamento dos policiais é de difícil aceitação) já que a aplicação incorreta de certas soluções rouba a propriedade dos conceitos realísticos da obra. Contudo, suas eventuais deficiências são eficientemente ofuscadas pelas grandes qualidades do conjunto, que vão desde o conjunto técnico sempre impecável, ao ritmo acentuado e o tom acertado da obra (sombria e bem ambientada), além das pontuais reviravoltas da trama principal perfeitamente conduzidas pelo experiente cineasta Christopher Nolan. 

Um aspecto muito positivo desse longa são as cenas de ação: de grande apuro visual quando conveniente, e realismo quando necessário. O surgimento do Batmóvel é um espetáculo que gera uma boa cena de humor e o da Batmotocicleta sempre funcional. De resto fica uma surpresa que deixa o espectador nas alturas. Sobretudo, os créditos de heroísmo não ficam diretamente conectados ao grande herói dessa produção, mas também a todos que como ele, buscam salvar Gotham de seus malfeitores. 

Se mesmo que Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge” não seja superior ao filme anterior, mantem um nível de qualidade coerente e acima de tudo envolvente. Inegavelmente essa produção sofreu da falta de tempo para uma composição mais aprofundada, já que seu desfecho sutilmente insinua pressa por terminar, embora que o material exibido em sua maior parte demonstre ter sido muito bem aproveitado. Nolan consegue através dessa franquia (mas não necessariamente devido a esse filme) criar uma obra diferenciada do que se conhecia nesse subgênero e presentear fãs e apreciadores dessa franquia com um desfecho contundente e de grande impacto. Imperdível! 

Nota:  9/10
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3 comentários:

  1. Muitos dizem que esse filme foi uma tragédia... eles não sabem do que estão falando. Excelente resenha, meus parabéns!

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    1. Desconsidere essas opiniões. O filme é bom, e mesmo que não supere seu antecessor, não fica devendo em nada ao espectador. Um fechamento de trilogia extremamente competente que não deixa pontas soltas e não agride suas origens.

      abraço

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    2. Eu assisti nesse Sábado a versão sem cortes (3:30 hrs) de Watchmen. Lendo seu texto, me questiono se existe uma versão longa assim desse Batman. Vou procurar imediatamente, é algo que de fato eu preciso para me sentir melhor.

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