quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Crítica: Os Aventureiros do Bairro Perdido | Um Filme de John Carpenter (1986)


"Os Aventureiros do Bairro Proibido" (Big Trouble in the China, 1986) é uma produção oitentista de terror soft que virou cult ao longo dos anos. Depois de dezenas de exibições em “Sessão da Tarde” e “Temperatura Máxima”, essa produção ainda e capaz de se mostrar tão divertida quanto no seu tempo. Obra que tem todas as características do cinema de segunda linha dos anos 80, esse filme acabou se destacando entre centenas de outras produções parecidas. Para qualquer um que tenha nascido na época é quase impossível não ter esbarrado com esse longa-metragem ao longo dos anos 90. Entretenimento escapista, cheio de furos de roteiro e que foi um fiasco de bilheteria da época ao tentar apresentar um material que bebia da mesma fonte de superproduções como "Indiana Jones" e "Goonies", "Os Aventureiros do Bairro Proibido" acabou se tornando o primo pobre que se destacou no presente futuro. Uma agradável alegoria cinematográfica. Suas pretensões e inspirações grandiosas que estão claras na própria trama quando no enredo fazem uma comparação ao clássico “Alice no País das Maravilhas” e ao próprio “Mágico de Oz”, propiciam engenhosos absurdos. Os contornos desse filme são da mais pura fantasia. Com uma trama cheia de marcações fantasiosas, o caminhoneiro Jack Burton (Kurt Russel), vai parar no bairro de Chinatown depois que a noiva de seu amigo é raptada por membros de uma gangue. Jack e seus amigos buscam recuperá-la antes que um mago chinês de 2000 anos consiga através dela sua ressurreição. Com um roteiro cheio de coisas bizarras - artes marciais, bruxaria, monstros de fantasia – vão dando o tom desse longa-metragem realizado nos moldes de outras produções do diretor John Carpenter.

"Os Aventureiros do Bairro Proibido" não é memorável por sua excelência, mas justamente por suas deficiências. Com uma produção feita a facão, cheia de bizarrices que beiram ao trash, onde monstros ridículos, efeitos especiais com direito a raios de luz saindo da boca e dos olhos por entidades malignas chinesas, neon por todos os cantos e muitas outras extravagâncias, acabou levando o filme a virar um clássico na memória de qualquer um que tenha nascido no final da década de 70. Dirigido pelo famoso John Carpenter, diretor de outros filmes iguais a esse que flertam com o terror e a fantasia sem deixar de lado o bom humor,  a história que acompanha Jack Burton entra para sua galeria de criações de personagens canastrões e paspalhos que até hoje divertem como nunca. Talvez a maior sacada do filme, seja mesmo seu protagonista, fazendo lembrar outras produções da época como "Tango e Cash", onde Russel no caso desse faz parceria com Sylvestre Stallone. Esse é outro filme que é pura diversão. Não é a toa que Russel foi parar nas graças de um cineasta como Quentin Tarantino, no filme “À Prova de Morte”, pois vários trabalhos de antigamente feitos por Russel tinham um contorno de Grindhouse por consequência"Os Aventureiros do Bairro Proibido" é tosco e datado, mas ainda assim memorável, tanto por suas limitações como por suas genuínas qualidades.


Nota: 7/10
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