sábado, 29 de julho de 2017

Crítica: Animais Noturnos | Um Filme de Tom Ford (2016)


Susan (Amy Adams) é uma bem sucedida negociante de arte que se sente cada vez mais solitária, mesmo na companhia de seu parceiro (Armie Hammer), um bem sucedido executivo. Certo dia ela recebe um manuscrito de um livro escrito por Edward (Jake Gylenhaal), seu ex-marido a quem não tinha noticias há muito tempo e que curiosamente confere a ela a responsabilidade de dar a sua opinião. Por sua vez, ela passa a ler o misterioso livro e acompanha a trajetória do personagem Tony Hasting (interpretado por Jake Gylenhaal), um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para uma viagem, mas o passeio toma contornos violentos quando essa família cruza o caminho de uma gangue no deserto. Durante a tensa leitura do material escrito, Susan busca entender as razões pela qual recebeu o manuscrito que a leva a descobrir algumas verdades dolorosas de si mesma e a faz relembrar certos traumas de seu relacionamento fracassado. “Animais Noturnos” (Nocturnal Animals, 2016) é um drama de terror psicológico estadunidense escrito, co-produzido e dirigido por Tom Ford. Baseado no romance escrito por Austin Wright, chamado “Tony e Susan”, o filme estreou na 73º Edição do Festival de Veneza e ganhou o Grand Jury Prize, como também Michael Shannon recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Perturbador, tenso e visualmente opressivo, Tom Ford cria um pesadelo elegante e amedrontador.

A inesperada introdução de “Animais Noturnos” já denota a atmosfera que o estilista Tom Ford intenciona imprimir em seu trabalho. Desconfortável aos olhos, as primeiras cenas já são um preparo de terreno consciente de que demostra toda a sua preocupação com a estética visual dessa obra, seu segundo filme como cineasta. Distante dos moldes comerciais de Hollywood, o cineasta se arrisca em fazer um estudo autoral sobre temas como arrependimento e desespero que obtêm resultados bastante satisfatórios por imprimir uma atmosfera claustrofóbica e repleta de simbolismos bem inseridos. “Animais Noturnos” é um filme repleto de detalhes, genialmente expressos em sua aparência, nas formas, nos enquadramentos meticulosos e que ainda se contextualizam com o enredo. Já fazia tempo que eu não comtemplava uma obra tão desconfortável quanto essa. Sendo que os rumos para qual a trama por si só nos leva, já era o suficiente para prender a atenção do espectador com facilidade, o filme ainda rende muito mais, quando o roteiro e a direção segura de seu objetivo nos entrega uma obra incomum somada por atuações impressionantes como a de Michael Shannon, um policial da pequena cidade onde se passa os momentos mais angustiantes da história e se torna um aliado de Edward na busca por justiça, ou mesmo da própria Amy Adams e Jake Gylenhaal.

Sobretudo, “Animais Noturnos” eleva o poder do uso das imagens a algo mais do que uma qualidade estética comum que tenta abrilhantar um produto. Seu uso é um facilitador para melhor compreender a rica reserva de ideias presentes na história que Tom Ford conduz paralelamente. Se de um lado temos o anti-herói do livro, Edward, vagando pelo deserto do Texas tentando salvar sua família ou fazer justiça diante de uma irreparável tragédia, e do outro, Susan, presa em seu mundo estéril repleto de assombrações do passado, na frente com certeza haverá um espectador abismado com a tensão cruel com que trabalha para se mostrar relevante e duradouro na memória.

Nota:  8/10
_________________________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário