sábado, 29 de dezembro de 2018

Cinefilia: Parte 4


Algumas rápidas impressões pessoais que não disponibilizavam de tempo ou necessidade de serem otimizadas:

1 – Aniquilação (Annihilation, 2018) de Alex Garland: Agradou a muita gente, a mim não. O diretor/roteirista Alex Garland se superou na entrega de “Ex-Machina – Instinto Artificial, 2015”, no entanto aqui ele só entrega um filme interessante que até rendeu mais do que o possível, mesmo com a presença da fabulosa Natalie Portman e da participação Oscar Isaac (um dos grandes talentos que tem se destacado nos cinemas nos últimos anos).

2 – Love (Love, 2015) de Gaspar Noé: Todos os aspectos polêmicos que marcaram essa obra (e normalmente acompanham seu realizador) se esvaem pelo ralo devido uma história limitada, sem exploração adequada e que não diz para o que veio. Isso por que: o roteiro não se mostra de modo algum envolvente, capaz de prender a atenção do espectador e muito menos há um estudo de personagens perceptível. É um daqueles filmes que incitam a apertar a tecla de avançar no controle remoto.

3 – Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight, 2015) de Tom McCarthy: Contundente, polemico e brilhantemente realizado, esse filme é a soma de um elenco fantástico (destaque para Mark Ruffalo), uma história bem escrita que descarta as inconvenientes censuras e que foi realizado de forma enxuta. Por isso, ele é merecedor de cada indicação e prêmio que ganhou em 2016. Indispensável. Embora durante muito tempo eu fiquei adiando assistir a esse filme, dando prioridade a outros filmes tomaram sua frente, mas sugiro que quem não tenha conferido o resultado não cometa o mesmo erro que eu. Assista logo.

4 – Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018) de Juan Antonio Bayona: Uma só palavra: Legal!

5 – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valérian et la Cité des mille planètes, 2017) de Luc Besson: Parece uma versão de “O Quinto Elemento” melhorado, mas não é. Tudo é lindo e bem feito, grandioso e polido, mas não tem o charme e nem o humor que transparecia deter.

6 – Snowden: Herói ou Traidor (Snowden, 2016) de Oliver Stone: Depois do fraquíssimo “Selvagens”, de 2012; e sem contar com o documentário “Meu Amigo Hugo”, de 2014, que é um formato diferente do gênero da ficção ao qual Stone fez história no cinema; seu olhar e sua influência sobre o filme biográfico de Edward Snowden é redundante. É Oliver Stone em sua melhor forma.
 
7 – Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim: Uprising, 2018) de Steven S. DeKnight: Legal como deve ser, mas se acha demais para um produto que não impressiona tanto assim quanto seu antecessor.

8 – Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars History, 2018) de Ron Howard: É o filme mais fraco da franquia, mas mesmo assim, eu ainda gostei. Fracasso de bilheteria e crítica, provavelmente os fãs verão em consequência disso mudanças radicais nos próximos episódios. Particularmente ainda acho esse episódio um bom gasto de tempo, mesmo com suas deficiências.

9 – Mãe (Mother, 2015) de Darren Aronofsky: É Darren Aronofsky sendo ele mesmo: um cineasta que não é para todos os gostos.

10 – Entrando Numa Roubada (Idem, 2015) de André Moraes: O título já dispensa comentários.

Até 2019!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Crítica: Venom | Um Filme de Ruben Fleischer (2018)


Quando o problemático jornalista Eddie Brock (Tom Hardy) busca desesperadamente reconstruir sua vida profissional revelando o que acontece nos bastidores de uma poderosa corporação comandada pelo empresário Carlton Drake (Rice Ahmed) chamada Fundação Vida, um inesperado contato com uma forma de vida alienígena o faz desenvolver poderes sobre-humanos. Caçado pela Fundação Vida após uma desastrosa invasão em seus laboratórios, Eddie se funde a forma alienígena gerando um alter-ego chamado Venom, que é um anti-herói de grandes e perigosas habilidades que serão cruciais na sobrevivência de Eddie e no destino do mundo diante de uma perigosa ameaça alienígena que se arquiteta nas sombras das grandes descobertas cientificas. “Venom” (Venom, 2018) é uma produção estadunidense de ação e fantasia baseada no anti-herói da Marvel Comics. Escrito por Scott Rosenberg, Jeff Pinnker e Kelly Marcel, o filme é dirigido por Ruben Fleischer (diretor de filmes como “Zumbilândia” e “Caça aos Gangsters”). Com corpo e alma de um produto explicitamente voltado para o entretenimento, “Venom” conquista seu espaço paralelamente ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU) e gera uma das dez maiores bilheterias de 2018, um filme bacana e uma certeira sequência para o futuro.

Mas ainda assim, “Venom” não é tudo aquilo. Pelo contrário, já que o filme é carregado de limitações impostas pelo estúdio e intensificadas pelo pouco esmero do produto. Como o próprio portal AdoroCinema foi capaz de resumir: “Ao Assistir “Venom”, tenha algo claro em mente: este é um produto comercial escancarado, mais interessado em explorar a popularidade do personagem-título do que em desenvolver uma história.” Portanto, o roteiro do filme peca muito, seja nos diálogos didaticamente simplistas e típico de blockbusters ou no desenvolvimento da trama que é atropelada pela necessária imposição do gênero por um ritmo acelerado que não concede profundidade aos personagens. Sendo assim, o brilho de “Venom” está no carisma de Tom Hardy, nos efeitos visuais que materializam a figura do personagem principal e no tom descompromissado com que o filme se desenvolve na tela, onde uma parcela significativa de piadas funcionam de modo redondo. Porém Hardy teria muito mais a oferecer como ator com um roteiro mais trabalhado em tese (vejam o que ele fez ao personagem de Bane em “Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge); o personagem de Venom é muito mais do que um delírio visual consequente dos avanços tecnológicos do cinema e a presença de Rice Ahmed soa apagada e sem tempero em momentos cruciais da trama, um deslize que é uma perturbadora moléstia ao vilão.

Sobretudo, “Venom” é bem recheado com cenas de ação de uma funcionalidade bastante válida ao conjunto e uma dose de humor sempre necessária em filmes do gênero. Tudo que o espectador espera conferir em um filme da Marvel. Em resumo: “Venom” é uma boa oportunidade de entretenimento descompromissado que provavelmente terá um futuro próspero nas telonas como seu antagonista aracnídeo.

Nota:  7/10


sábado, 22 de dezembro de 2018

Film Trailer Mashup [2018]

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Cartaz Alternativo: Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001) de David Lynch

Cartaz de Arte 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Crítica: O Senhor das Armas | Um Filme de Andrew Niccol (2005)


Yuri Orlov (Nicolas Cage) nasceu na Ucrânia, porém antes da divisão da extinta União Soviética toda a sua família migrou para os Estados Unidos da América para recomeçar a vida. Nesse recomeço, abriram um restaurante, mudaram de religião e cederam ao declínio de um país com poucas oportunidades. Depois de presenciar com os próprios olhos um tiroteio entre gangues do leste europeu, que igual à família de Yuri também vieram para a América atraídos pelas oportunidades, Yuri percebeu que o negócio de comercializar armas e munição pode ser a sua salvação. Assim Yuri torna-se gradativamente um traficante de armas e convence o seu irmão, Vitaly (Jared Leto) a se juntar a esse perigoso e lucrativo esquema de fornecer armas e munição a quem precisasse. Prosperando meteoricamente, seus negócios de fachada passam a chamar a atenção do agente do DEA, Jack Valentine (Ethan Hawke), que faz do desmascaramento e prisão de Yuri uma meta pessoal prioritária. “O Senhor das Armas” (Lord of War, 2005) é uma produção estadunidense de comédia e drama produzida, escrita e dirigida por Andrew Niccol (cineasta responsável por filmes como: “Gattaca”, de 1997; “S1m0ne”, de 2002; “O Preço do Amanhã”, de 2011; entre outros mais). Sua ácida e dramática obra lança um olhar satírico sobre o peculiar universo do tráfico de armas que teve sua ascensão após o fim da guerra fria. Embora a história seja ficcional, a composição do personagem principal e algumas situações as quais ele é submetido, além de outros personagens tiveram sua inspiração em pessoas reais.


O Senhor das Armas” é uma viagem tão fascinante quanto divertida. Contada pelo ponto de vista de Yuri Orlov, essa produção narra a trajetória de ascensão de um mercador da morte que enriqueceu em função da instabilidade política mundial que gerava clientes em potencial para as suas atividades devido aos constantes conflitos armados ao redor do mundo. Yuri descreve suas experiências, em tom cômico e reflexivo que o levaram do anonimato ao sucesso. Interpretado por Nicolas Cage em um de seus melhores desempenhos da carreira, contrasta na tela toda a sua glória nos negócios com o fracasso pessoal que levou a estrutura de sua família a ser desintegrada. Uma ótima atuação de Cage, que divide a tela com Jared Leto, Ethan Hawke, Eamonn Walker (inspirado em Charles Taylor, presidente da Libéria até 2003) e Ava Walker, todos em atuações igualmente fascinantes. O roteiro e a direção de Andrew Niccol alterna passagens dramáticas competentes com momentos de humor elegante. Alguns diálogos de Cage são antológicos, como certas passagens em volta de Jared Leto são viscerais. O filme tem em resumo uma pegada comercial latente, proporcionada pela leveza que é dada aos eventos retratados e ou pela forma que são apresentados. Com uma trilha sonora composta por pérolas como “For What It’s Worth”, do Buffalo Springfield, que abre essa produção em sua introdução, Niccol lança uma apresentação didática das etapas que uma bala passa da fábrica até o tórax de um alvo.

O Senhor das Armas” é uma engenhosa retratação do sonho americano às avessas. É o desejo de vencer acima da lei e da ordem, se aproveitando das circunstâncias negativas do mundo e das limitações dos órgãos de fiscalização que trabalham para impedir que figuras como Orlov sobrevivam e se proliferem pelo mundo. Esse filme é uma habilidosa reunião de boas sacadas comerciais, diálogos memoráveis que são às vezes resultantes de divagações ou de simples e chocantes estatísticas. Sobretudo, também serve de alerta para certas políticas internacionais que são manipuladas através de sussurrados telefonemas.

Nota:  8/10

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Crítica: Matrix Reloaded | Um Filme dos Irmãos Wachowski (2003)


Algum tempo depois dos eventos ocorridos em “Matrix”, Neo (Keanu Reeves) demonstra que pode realmente ser o tão esperado Escolhido que pode salvar a raça humana de uma eminente extinção. Enquanto isso, a cidade Zion serve de reduto da resistência humana que espera receosa por um inevitável confronto com 250 mil sentinelas e se prepara para guerra.  Neo, Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie Anie-Moss) buscam respostas no Oráculo que os aconselham a encontrar o Chaveiro (Randal Duk Kim), refém de um antigo programa chamado Merovíngio (Lambert Wilson) pode ser a salvação esperada. Porem, os constantes sonhos de Neo que retratam a morte de Trinity passam a deixa-lo preocupado e, como se não bastasse, o Agente Smith (Hugo Weaving) retorna da eliminação tão perigoso quanto antes. “Matrix: Reloaded” (The Matrix Reloaded, 2003) é uma produção de sci-fi e ação escrita e dirigida por Lilly e Lana Wachowski. Sequência do fenômeno de crítica e bilheteria intitulado “Matrix”, de 1999, essa produção é o segundo episódio de uma trilogia encerrada com “Matrix: Revolutions”, também de 2003 (o segundo e terceiro episódio foram filmados simultaneamente e lançados com um breve espaço de tempo). Erguido sobre a expectativa de trazer respostas aos fãs, “Matrix: Reloaded” é recheado de mais questionamentos de solução adiada, cenas de ação utópicas e uma descida mais íngreme ao universo de “Matrix”.


Matrix: Reloaded” é entre muitas coisas, a intensificação de muito do que foi visto em “Matrix”. Recheado de inúmeras referências religiosas de diferentes naturezas, cenas de ação frenéticas e muitos efeitos visuais impressionantes, essa produção ganha contornos de exagero em seu enredo para responder perguntas deixadas por seu primeiro episódio e se manter em alta entre os fãs. Porém Lilly e Lana Wachowski apresentam uma proposta mais voltada em desmistificar narrativamente algumas crenças dadas como certas pelo público, ao mesmo tempo em que leva os espectadores a se aprofundar na mitologia criada pelos próprios cineastas. Transitando entre a realidade pós-apocalíptica deixada pelo domínio das máquinas e a mundo virtual da Matrix, o espectador é surpreendido com revelações dadas pelo Oráculo (Gloria Foster); contemplado com o renascimento do Agente Smith (Hugo Weaving) e o surgimento consequente de um arqui-inimigo pelo mesmo; a apresentação de novos personagens de diferentes lados como Merovíngio (Lambert Wilson), o guardião do Oráculo, Seraph (Colin Chou), a capitã Niobe (Jada Pinkett Smith), entre outros mais que desempenham papéis imprescindíveis dentro do enredo. É uma pena que “Matrix: Reloaded” é muito lembrado como uma sequência ruim devido ao fato da superioridade de seu antecessor. Entretanto, seus méritos estão presentes na possível proporção que o tempo permite, sem soluções fáceis ou respostas desconectadas de sua proposta.

Matrix: Reloaded” é uma gratificante viagem na qual o espectador acompanha e divide a cruzada de autoconhecimento e fé proposta ao personagem de Keanu Reeves, ao mesmo tempo em que vê as expectativas em volta de Morpheus (Lawrence Fishburne) sendo rescrita em outras palavras. Na época de seu lançamento, aturdido pelo seu grandioso espetáculo marcial e pirotécnico, além dos efeitos visuais que possibilitaram sua realização, eu acabei tendo a impressão errada do seu resultado. Mas quando o reprisei novamente a pouco tempo atrás com as expectativas mais acertadas, pude perceber melhor o potencial de sua proposta.

Nota:  8/10

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Cartaz Alternativo: Thelma & Louise (Thelma & Louise, 1991) de Ridley Scott

Cartaz de Arte

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Uma imagem fala mais do que mil palavras


domingo, 16 de setembro de 2018

Millennium: A Garota Na Teia de Aranha (2018)

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Arte: O Quinto Elemento, 1997

Quadro inspirado no sucesso da SCI-FI "O Quinto Elemento", de 1997. Um filme de Luc Besson; com Bruce Willis, Gary Oldman, Ian Holm e Milla Jovovich.

sábado, 1 de setembro de 2018

Crítica: Os Meninos que Enganavam Nazistas | Um Filme de Christian Duguay (2017)


Durante o período em que a ocupação nazista avançava sobre o território da França na Segunda Guerra Mundial, os dois jovens irmãos judeus Maurice Joffo (Batyste Fleurial) e Joseph Joffo (Dorian Le Clech) são impulsionados a fugir de casa no meio da noite embarcando em uma aventura sem fronteiras para escapar dos nazistas. Em meio a crescente invasão, que fazia com que os judeus fossem constantemente caçados, eles se mostravam corajosos e inteligentes em sua fuga. Sobretudo ansiosos por se reunir a família novamente. “Os Meninos que Enganavam Nazistas” (Un sac de Billes, 2017) é uma produção dramática resultante de um trabalho colaborativo entre a França, Canada e Republica Tcheca que é adaptada para o cinema do livro que tem o mesmo nome e foi escrito por Joseph Joffo, sua história é inspirada em fatos reais vividos pelo protagonista. O filme é dirigido pelo diretor canadense Christian Duguay (responsável por filmes como “Belle e Sebastian: A Aventura Continua”, de 2015; “Anna Karenina”, de 2013; entre muitos mais) e é estrelado por Dorian Le Clech, Batyste Fleurial e Patrick Bruel. Entre centenas de contos sobre a grande guerra, Os Meninos que Enganavam Nazistas se junta a uma parcela competente de realizações, mas não primorosa de filmes como “A Lista de Schindler” e “A Vida é Bela”.

Mais na linha de longa-metragens como “O Menino do Pijama Listrado”, “A Menina que Roubava Livros” e “O Diário de Anne Frank”, Os Meninos que Enganavam Nazistasé marcado por uma sensação de déjà vu. Embora a história da jornada dos dois irmãos para sobreviver a ofensiva nazista seja bem contada, as tragédias apresentadas em seu desenvolvimento são inegavelmente parecidas com as de outros relatos já vistos antes. Porém o desempenho comprometido dos jovens protagonistas, a reconstituição de época formidável empregada pela produção, os atributos técnicos adotados que são competentes (destaque para a direção de fotografia) e a atmosfera que é bem construída para essa produção agrade os sentidos, isso proporciona uma espécie de compensação ao espectador. No entanto, a direção de Christian Duguay não é uma das melhores, pois em sua maior parte demonstra uma condução fria que não condiz com as emoções necessárias para atingir o coração do público. Embora o filme funcione, há uma ausência de um toque autoral que intensifique a delicadeza e a força de certos momentos. Infelizmente Duguay não tem esse toque e o filme se desenvolve apenas de forma mecânica que aborda certas passagens de modo superficial. Mesmo assim, Os Meninos que Enganavam Nazistasé um bom drama de guerra como muitos outros filmes, mas longe de ser uma obra-prima.

Nota:  6/10 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Crítica: O Assassino: O Primeiro Alvo | Um Filme de Michael Cuesta (2017)


Devastado pela morte de sua noiva diante de seus olhos durante uma temporada de férias por um violento atentado terrorista, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) dedica-se incansavelmente a vingança, o que chama a atenção da CIA quando o salva das mãos de uma célula terrorista. Recrutado pela CIA, o rapaz é enviado para o rígido treinamento de Stan Hurley (Michael Keaton), um veterano da agência que prepara assassinos para operações secretas. Porém Hurley tem várias dúvidas quanto a figura de Mitch, que embora demonstre grande competência em suas tarefas, os traumas de seu passado podem atrapalhar uma importante operação que visa desarmar um perigoso grupo terrorista. “O Assassino: O Primeiro Alvo” (American Assassin, 2017) é uma produção estadunidense de ação e espionag
em escrita por Stephen Schiff, Michael Finch, Edward Zwick e Marshal Herskovitz. Dirigida pelo americano Michael Cuesta, o filme é estrelado por Dylan O’Brien, Michael Keaton, Sanaa Lathan, Shiva Negar, Taylor Kitsch, David Suchet e Charlott Vega. Inspirado no romance de 2010 escrito por Vince Flynn, o filme tem as suas deficiências, pois força o lançamento por conveniência de uma nova franquia de filmes de espionagem no melhor estilo “Jason Bourne”, mas também é capaz de sobreviver de forma razoável na memória do espectador.

Se há uma razão pela qual “O Assassino: O Primeiro Alvo” é capaz de sobreviver na memória do espectador após ser conferido, ou pelo menos o tempo necessário para se escrever uma ligeira resenha como esta, talvez seja pela excelência técnica de sua execução. O filme é dinâmico, arrojado e destemido, pois tem um fôlego para se manter constantemente frenético para prender a atenção do espectador é admirável. As cenas de ação são de um primor técnico impressionante. Porém, afundado numa infinidade de clichês batidos, toda a energia que é empregada por Dylan O’Brien e o desempenho crível que Michael Keaton consegue imprimir até certa altura da história é desperdiçado. Toda a eficiente estrutura técnica para se criar um bom thriller de suspense é perdida em função de um roteiro que força uma trama difícil de engolir pela infinidade de filmes parecidos já realizados. O desfecho hollywoodiano talvez seja a passagem mais degradante da história. Por isso, “O Assassino: O Primeiro Alvo” não é um filme ruim. Ele só não é bom o suficiente. Toda a sua energia que gera uma história que inclusive começa bem, vai perdendo a força no decorrer do tempo até desaparecer por completo no final. Essa empreitada de criação de um novo assassino profissional provavelmente não terá uma segunda oportunidade para dizer para que veio.

Nota:  6/10

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Crítica: Sicário: Dia do Soldado | Um Filme de Stefano Sollima (2018)


Quando o oficial da CIA, Matt Graver (Josh Brolin) recebe uma nova missão que busca estourar uma guerra entre os cartéis de drogas, ele volta a buscar ajuda de seu sicário de maior confiança, Alejandro Gillick (Benicio Del Toro), em um momento onde os perigosos cartéis de drogas começam a ser vistos como células terroristas pelo governo americano depois da descoberta de que eles estão contrabandeando terroristas para os Estados Unidos. A solução para as mudanças que estão ocorrendo é promover o caos entre os próprios grupos rivais. Por isso o objetivo da missão dada pelo alto escalão do governo é sequestrar secretamente a filha caçula de um grande chefão das drogas, e esperar para ver todo o sistema que mantem o narcotráfico em funcionamento ruir. Porém nem tudo sai como planejado e decisões difíceis são necessárias e mudanças de atitude são vitais. “Sicário: Dia do Soldado” (Sicario: Day of Soldado, 2018) é uma produção estadunidense de suspense escrita por Taylor Sheridan e dirigida pelo cineasta italiano Stefano Sollima. Sequência do filme de 2015 que foi dirigido por Dennis Villeneuve e um grande sucesso de crítica, essa produção é estrelada por Josh Brolin, Benicio Del Toro, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Manuel García-Rulfo e Catherine Keener.

Menos impactante e sombrio que seu antecessor, embora igualmente bem realizado, “Sicário: Dia do Soldado” ainda consegue apresentar uma experiência de realismo bastante satisfatória ao espectador com um enredo explicitamente projetado para se mover de modo redondo para público. A história que se desenvolve de forma menos impressionante ganha pontos por se aprofundar nos personagens principais, onde tanto Brolin quanto Del Toro impressionam muito mais do que em “Sicário: Terra de Ninguém. Os diálogos, a forma como se lançam em seus personagens e rumo pelo qual suas histórias enveredam são impressionantes. Entretanto, a jovem sequestrada que Isabela Moner desempenha ou o jovem que busca uma ascensão no meio criminal desempenhado por Manuel García-Rulfo, várias vezes parecem forçados. Há algo artificial em suas figuras, seja pelo inevitável fato que os caminhos desses personagens vão se cruzar ou pela atuação dos próprios. Com boas cenas de ação militar que são brilhantemente filmadas pela câmera de Stefano Sollima, uma trilha sonora de valor para o conjunto e um desfecho bastante tenso dado à história (destaque para cena final dotada de uma grande dose de humor negro que de alguma forma remete a lembrança do estilo do filme anterior).

Por fim, “Sicário: Dia do Soldado” é uma sequência inegavelmente honrada de um filme impecável em todos os sentidos. Dificilmente irá atender as expectativas dos fãs de seu antecessor, porém também não tem do que se envergonhar. O filme funciona, prende a atenção do espectador do começo ao fim com um ótimo nível de excelência, mas não convence em sua totalidade pelas pinceladas de verniz hollywoodiano presentes em seu enredo.

Nota: 7,5/10

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Um Grande Momento: Matrix Reloaded, 2003 (Neo vs Exilados)

domingo, 26 de agosto de 2018

Cartaz Alternativo: Kill Bill Volume 1, 2003

Cartaz alternativo do filme de Quentin Tarantino.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Alita - Anjo de Combate (2019)

domingo, 19 de agosto de 2018

Crítica: A Juventude | Um Filme de Paolo Sorrentino (2016)


Fred Ballinger (Michael Caine) e Mick Boyle (Harvey Keitel) são dois velhos amigos com quase 80 anos de idade e estão passando uma temporada em um elegante e luxuoso nos pés dos Alpes Suíços. Enquanto Fred é um maestro que está aposentado que sempre passava as férias com sua esposa nesse lugar, Mick é um diretor de cinema que anseia pela criação de sua obra-prima e não consegue parar com essa vida enquanto não conseguir um desfecho para sua história. Com muito tempo e pouca coisa para fazer, Fred passa o seu tempo recordando do passado ao lado do amigo e observa as coisas que estavam dadas como certa em sua vida mudando pela influência do destino. “A Juventude” (Youth, 2016) é um drama colaborativo entre Inglaterra, França, Suíça e Itália que foi escrito e dirigido pelo cineasta e roteirista italiano Paolo Sorrentino (responsável pelo cerebral “A Grande Beleza”, de 2013). Estrelado por Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano e Jane Fonda, “A Juventude” concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2015. Depois de ter ganhado o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por A Grande Beleza”, Paolo Sorrentino entrega mais uma obra formidável para cinema.

Embora “A Juventude” tenha o cruzamento das histórias dos personagens de Michael Caine e Harvey Keitel como o foco da trama e principalmente sendo o material necessário para se criar uma rápida sinopse para mídia, há uma infinidade de outros personagens tão ou mais fascinantes quanto eles os cercando: como o de Rachel Weisz, filha do compositor e recém-separada que encontra uma reaproximação com o pai por essa suposta tragédia; o ator Paul Dano que ficou famoso pela interpretação de um robô e sua busca pela construção do personagem perfeito para seu próximo filme; e Madalina Ghenea, como a Miss Universo (essa dona de uma cena antológica que estampa o cartaz acima). Há uma intensa construção de personagens se passando no decorrer do filme que é impossível de não ser notada, e mais ainda, admirada pelo público. O roteiro e a direção de Paolo Sorrentino acomoda um condicionamento técnico sublime, onde as locações campestres, a direção de fotografia e a trilha sonora são de uma grande beleza e por vezes irretocáveis. Embora “A Juventude” tenha inúmeras qualidades, tanto técnicas quanto criativas, é imprescindível que algo seja dito sobre a atuação de Michael Caine nesse filme: seu desempenho é fantástico e mostra ainda toda a sua capacidade de compor personagens singulares apesar da idade avançada.

A Juventude” é um filme brilhante sobre os variados aspectos da vida e da morte; sobre a juventude e a velhice e sobre a amizade e solidão. É tudo acomodado em uma plataforma cinematográfica comovente marcada por passagens de intensa sensibilidade, de humor inteligente e de um tom ocasionalmente filosófico. Genial do jeito que é e capaz de provocar o desejo de refletir sobre o tempo que passa diante de nossos olhos.

Nota:  8/10

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Crítica: Em Ritmo de Fuga | Um Filme de Edgar Wrigth (2017)


Baby (Ansel Elgort) é um talentoso motorista de fuga de assaltos que confia sempre nas batida de sua própria trilha sonora para ser o melhor no que faz, já que a música silencia um zumbido que perpetua em sua cabeça desde que sofreu um acidente de transito quando criança onde seus pais morreram. Preso por uma dívida com um perigoso criminoso chamado Doc (Kevin Spacey), quando Baby conhece a mulher de seus sonhos ele encontra nela a motivação e a oportunidade para deixar para trás a vida de crime e recomeçar do zero. Acuado pelos riscos que seus comparsas de crime oferecem, a música acompanha Baby nas difíceis situações ao mesmo tempo em que um golpe fadado ao fracasso ameaça sua vida, seu amor e seu sonho de liberdade. “Em Ritmo de Fuga” (Baby Driver, 2017) é uma produção estadunidense de ação escrita e dirigida por Edgar Wright. Estrelada por Ansel Elgort, Kevin Spacey, Lily James, Elza González, John Hamm, Jon Bernthal e Jamie Foxx. Aclamado pela crítica especializada, que elogiou vários aspectos da produção, o filme foi um sucesso de bilheteria que arrecadou mais de dez vezes o seu orçamento.

Em Ritmo de Fuga” é um imperdível filme de ação que bebe da fonte do cinema dos anos 80. Referências a grandes filmes e aos seus realizadores estão embutidas no desenvolvimento de um roteiro criativo que presenteia o público com uma história legítima recheada de personagens bacanas (destaque para o implicante e perigoso Jamie Foxx), situações bem construídas e diálogos bem escritos. Edgar Wright simplesmente se superou na criação desse produto, além de entregar uma direção segura do produto que idealizou no roteiro. A narrativa que permite o espectador ver e consequentemente ouvir as coisas pela perspectiva de Ansel Elgort é genial. O efeito de imersão é espetacular. A trilha sonora é outro encanto que com a performance de Elgort é um presente de atuação tão cômico quanto arrojado. E se já não bastasse isso, ainda há excelentes sequências de ação e perseguição pelas ruas da cidade bem à moda antiga, que dispensa a adição recursos digitais que são hoje em dia muito comum em filmes de ação contemporâneos.

Diferentemente da maioria das escolhas das produtoras, que na maioria das vezes criam e adotam títulos para filmes internacionais muito infelizes, a produtora acerta em cheio nesse, pois “Em Ritmo de Fuga” exprime do a essência dessa obra. Sobretudo, “Em Ritmo de Fuga” é um ótimo filme de ação que não chega ser exagero afirmar que foi um dos melhores filmes de ação do ano passado e um dos melhores filmes já realizado por Edgar Wright no quesito entretenimento garantido.

Nota:  8,5/10

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Em Breve: Venom (2018)

Cartaz oficial do filme estrelado por Tom Hardy

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Crítica: Dupla Explosiva | Um Filme de Patrick Hughes (2017)


Quando sua reputação é arruinada depois de um serviço malsucedido, onde um distinto executivo japonês é assassinado, o agente especial de segurança Michael Bryce (Ryan Reynolds) viu sua carreira virar um desastre. Reduzido a um mero guarda-costas de aluguel, Bryce recebe uma proposta da Interpol para escoltar um renomado assassino internacional. O que aparentemente era tarefa fácil Bryce acaba se tornando um pesadelo quando ele descobre que se trata de Darius Kincaid (Samuel L. Jackson), um criminoso que Bryce mantem um grande desafeto por motivos que não ficaram no passado. “Dupla Explosiva” (The Hitman’s Bodyguard, 2017) é uma produção estadunidense de ação e comédia escrita por Tom O’Connor e dirigida por Patrick Hughes. Estrelada por Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Gary Oldman e Salma Hayek, o filme é uma mistura interessante de humor e ação voltada para diversão fácil que se garante com o entrosamento da dupla de astros que estrelam essa produção. Entre várias duplas que já passaram pelo cinema com tramas semelhantes no mesmo gênero, cuja proposta de entretenimento foi praticamente a mesma, curiosamente ao contrário de muitos outros filmes, “Dupla Explosiva” acerta em cheio na escolha do elenco principal.

Dupla Explosiva” é entretenimento fácil em tantos níveis e aspectos que chega a ser engraçado. Por quê? Sabe aqueles filmes que tem a total consciência do seu lugar no mundo? “Dupla Explosiva” tem isso. E o melhor é que ele sabe brincar com esse aspecto de forma divertida ao aproveitar ao máximo o entrosamento e talento de Ryan Reynolds com Samuel L. Jackson, ao mesmo tempo em que sabe brincar com os clichês do gênero no qual se encontra. Além do mais, Salma Hayek (desempenhando o papel de esposa de Darius Kincaid) rouba a cena em todos os momentos que é mostrada na tela. Enquanto Gary Oldman, que faz o papel de vilão que segue a risca a cartilha de seu papel, nem se esforça de conferir algo válido para sua filmografia e ainda fica legal. Isso é o resultado de um roteiro seguro de sua proposta e consciente de suas pretensões: a diversão descomprometida. Some a equação boas cenas de ação, um ritmo agitado que não cessa e rigor técnico admirável para uma produção tão canastrona quanto essa. Assim sendo, “Dupla Explosiva” é o mesmo de sempre (há inúmeros filmes cuja história se assemelha em muito com a dessa produção), mas bem feito em vários aspectos. Divertido como deve ser e esquecível por consequência.

Nota:  7/10

sábado, 11 de agosto de 2018

Crítica: Thor: Ragnarok | Um Filme de Taika Waititi (2017)


Dois anos depois da Batalha de Sokovia, Thor (Chris Hemsworth) tem procurado sem sucesso pelo o universo as Joias do Infinito que ainda estão desaparecidas. Em sua busca, Thor é  aprisionado por Surtur, o demônio do fogo que lhe faz revelações que levam Thor a voltar para o reino de Asgard. Mas Hela (Cate Blanchett), primogênita de Odin que no passado havia sido exilada e presa por suas ambições ressurge mais poderosa do nunca e acaba banindo Thor para o outro lado do universo, onde o Deus do Trovão é aprisionado no planeta Sakaar e obrigado a gladiar com os mais perigosos guerreiros do universo. Por assim, além de lutar por sua vida em uma arena de gladiadores, Thor precisa correr contra o tempo para impedir que sua irmã conclua a profecia de Ragnarok e destrua o reino de Asgard. “Thor: Ragnarok” (Thor: Ragnarok, 2017) é uma produção estadunidense de super-heróis que tem o roteiro de Eric Pearson com base na história criada por Craig Kyle, Christopher Yost e Stephany Folsom. Dirigida por Taika Waititi, o filme é baseado no personagem da Marvel Comics criado por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber. Essa produção é estrelada por Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston, Idris Elba, Tessa Thompson, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo e Anthony Hopkins. Sendo o terceiro filme solo do personagem, essa produção é a décimo sétimo filme do Universo Cinematográfico Marvel (MCU).

Bastante diferente dos filmes anteriores do Deus do Trovão, “Thor: Ragnarok” abraça de uma vez por todas o artifício do humor para garantir o seu sucesso. Para muitos pode até parecer o desgaste da fórmula da Marvel Studios, mas é sem dúvida nenhuma intencional o fato de que não se dá pra levar a sério o material desse longa-metragem. “Thor: Ragnarok” é um produto diretamente voltado para o entretenimento de seu público e mais nada. Ironia, sarcasmo e deboche são elementos de humor infinitamente presentes em todo o filme, pois são inúmeras as tiradas de humor até bem elaboradas que entrecortam cenas movimentas de ação. A atmosfera colorida, um clima de descontração no ar, a ausência de um perigo real que ronde os personagens e as atuações cômicas como a de Jeff Goldblum demonstra isso. Adicionar a presença de Hulk ao arco da trama de Ragnarok, inclusive com falas mais estruturadas foi uma ótima sacada do roteiro. Além de abertura de impacto condimentada pelo som da lendária canção “The Imigrant”, do Led Zeppelin e um desfecho cujo clímax segue os mesmos moldes, talvez façam dessa produção a mais engraçada e divertida de todos os filmes da Marvel (enquanto “Pantera Negra” talvez seja uma boa opção de filme sério da Marvel). Sobretudo, “Thor: Ragnarok” é um ótimo programa de diversão com boas piadas, inchado de efeitos visuais e com o sentimento de descompromisso estampado na cara.

Nota:  8/10

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Crítica: Deadpool 2 | Um Filme de David Leitch (2018)


Quando um soldado cibernético do futuro chamado Cable (Josh Brolin), cuja família foi assassinada por um jovem mutante, ele volta no tempo para matar o mutante antes que se torne um assassino. Mas o mercenário Deadpool (Ryan Reynolds) tentando se tornar um super-herói melhor depois de uma grande tragédia pessoal, acaba gerando obstáculos para Cable, quando com a ajuda de seu velho amigo, o X-Men Colossus e o mais novo grupo de elite chamado X-Force passa a proteger o mutante e tenta concertar o futuro. “Deadpool 2” (Deadpool 2, 2018) é uma estadunidense de super-herói escrita por Rhett Reese, Paul Wernick e Ryan Reynolds. Dirigida por David Leitch, essa produção é baseada no personagem de Deadpool da Marvel Comics. Sendo o décimo primeiro filme da série X-Men, esse filme é estrelado por Ryan Reynolds, Josh Brolin, Zazie Beetz, Julian Dennison, Morena Baccarin, T.J. Miller e Brianna Hildebrand. Sequência do sucesso de 2016, essa nova empreitada segue o mesmo formato ousado que lhe garantiu muitos elogios e acrescenta para dar bastante trabalho para os responsáveis por ditar o grau de censura a ser adotado para a produção (por aqui não é recomendado para menores de 18 anos), mais piadas infames, cenas mais violentas e muito mais humor esdruxulo.

Para a alegria dos fãs do personagem, “Deadpool 2” é a intensificação de tudo que foi mostrado no primeiro filme. Além de seguir ao pé-da-letra a fórmula de sucesso que ele mesmo criou, consegue gerar passagens tão geniais quanto antes. Agora beneficiado por não ter mais que explicar a sempre burocrática origem do personagem que na maioria das vezes é um freio de mão para a criatividade, os roteiristas obtiveram mais opção para escolher a direção do enredo. Distante de sofrer da maldição da “continuação desnecessária”, que assombra inúmeras realizações cinematográficas, “Deadpool 2” demonstra tanta vitalidade e força quanto antes e proporciona ao espectador uma bem sucedida diversão. Com um elenco afinado com a proposta, que eu até tenho dificuldade de apontar um desempenho de destaque diante de tantos formidáveis, o grande diferencial dessa produção é o seu humor que está bastante afiado e consegue tirar sarro de quase tudo que se passa na tela (até o enredo não escapa das impressões pessoais de Deadpool que remete ao “Exterminador do Futuro”). A criação do grupo X-Force é um show tão grande que é de chorar de rir. Mas roteiro não tem só piada e reserva algumas boas sacadas quando explora as tragédias em torno de Deadpool e Cable e os conecta os tornando aliados contra um vilão quase que inesperado para quem não conhece muito de HQs.

A mudança de direção, de Tim Miller para David Leitch não prejudicou em nada a eficiência das cenas de ação, que bem elaboradas mantem um ótimo nível de excelência. O que seria um pecado caso fosse o contrário, já que Leitch tem se mostrado desde a sua co-participação na direção de “De Volta ao Jogo”, de 2014, e depois em “Atômica”, de 2017, um talentoso condutor de filmes de ação expressivos. Por isso, “Deadpool 2” é pura diversão que acaba sendo um filme imperdível para quem gosta ou não de filmes de super-heróis. Atenção para as cenas pós-créditos que proporcionam uma melhor compreensão da história a longo prazo.

Nota:  8,5/10

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Crítica: Liga da Justiça | Um Filme de Zack Snyder (2017)


Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato heroico do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada, Diana Prince (Gal Gadot) para combater um inimigo maior e muito mais perigoso que jamais Batman já havia confrontado. Com isso, Batman e Mulher-Maravilha passam a recrutar novos aliados, meta-humanos que estão escondidos pelo mundo a fim de evitar a extinção do planeta. “Liga da Justiça” (League Justice, 2017) é uma produção estadunidense de super-heróis escrita por Chris Terrio e Joss Whedon. Dirigida por Zack Snyder, o filme é inspirado nos personagens da DC Comics. Estrelado por Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Jeremy Irons, Diane Lane, Connie Nielsen, J. K. Simmons e Ciarán Hinds, “Liga da Justiça” é o quinto filme de seu Universo Estendido da DC e conta a difícil tarefa de Batman e Mulher-Maravilha em montar uma equipe de super-heróis composta por Flash, Aquaman e Ciborgue para impedir que o Lobo da Estepe e seu exército de Parademônios consiga sucesso onde no passado da humanidade ele fracassou.

Quer queira quer não, há algo bastante explícito em “Liga da Justiça” que a DC deixou transparecer sem a intenção: o descontento da própria DC em relação aos seus próprios filmes e a inveja de superar os filmes do Universo Compartilhado da Marvel. Já que “Liga da Justiça” tem a cara dos filmes da Marvel, mas sem a eficiência e a força dos mesmos. E nessa corrida contra o tempo em que anda (pois a Marvel já está em seu vigésimo filme), o estúdio tem empilhado mais erros do que acertos, já que dentre todos os filmes realizados por eles até então apenas “Mulher-Maravilha”, de 2017, é um inquestionável sucesso de crítica e público. Porém com todos os erros que “Liga da Justiça” apresenta, como ”Batman vs Superman: A Origem da Justiça” ele também tem as suas qualidades. Prejudicado pelos problemas de bastidores (o suicídio da filha do diretor na metade das filmagens e problemas de alcoolismo de Ben Affleck durante as gravações), Joss Whedon que assina o roteiro assume as filmagens a certa altura do filme, embora não tenha seu nome no crédito de diretor. A história é mais simplista e menos sombria, como segue uma narrativa mais linear sem nenhuma elaborada reviravolta (a presença do Homem de Aço não era mais surpresa estar no filme muito antes de seu lançamento). O filme se apoia unicamente no material concreto da trama e sua forte inclinação para o humor regido pela presença de Ezra Miller, sobretudo nos desempenhos do elenco principal (com destaque para Gal Gadot).

Há várias passagens positivas nesse filme: depois de uma introdução musical fabulosa dada pela canção “Everybody Knows”, interpretada por Sigrid, começa a reunião do grupo. O problema é que há vários problemas de roteiro, costuras malfeitas e soluções para o desenvolvimento da trama que não são agradáveis. O super-vilão (100% digitalizado) é desinteressante e o clímax se mostra tão apressado quanto bagunçado, pois está recheado de diálogos horrendos que demonstram a falta de uma elaboração mais estudada do roteiro. Todavia, “Liga da Justiça” pode atender a suas necessidades caso o espectador não tenha grandes expectativas sobre ele. É uma pena que as melhores piadas já tenham sido desperdiçadas nos trailers, porque com toda certeza elas eram boas como as melhores cenas de ação também.

Nota:  7/10

domingo, 5 de agosto de 2018

Avengers: Infinity War (Estilo Godzilla: King of the Monsters)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Resenha: Rango | Uma Animação de Gore Verbinski (2011)


Rango (com a voz de Johnny Depp) é um desengonçado camaleão que vive uma vida normal como um animal de estimação.  Sem amigos e com uma séria crise de identidade, o pequeno lagarto passa todo o seu tempo disponível exercitando seus talentos artísticos. Mas quando em uma viagem a sua família humana atravessa um árido deserto, e num incidente o seu aquário cai do carro e se despedaça no asfalto, essa fatalidade passa a ser o primeiro passo para Rango descubra sua verdadeira identidade. Partindo em rumo a cidade de Poeira, um lugarejo habitado por animais em necessidade desesperada por água, de um xerife e de um herói, Rango assume o papel de ambos para solucionar a escassez de água que aflige os cidadãos de Poeira. “Rango” (Rango, 2011) é uma animação estadunidense escrita por Gore Verbinski, John Logan e James Byrkit. Dirigida por Gore Verbiski, essa animação é uma divertida mistura de aventura, comédia e faroeste que ganhou muitos elogios da crítica especializada e vários prêmios de cinema, inclusive um Oscar como Melhor Filme de Animação em 2012. Essa animação foi totalmente criada pela Industrial Light & Magic (ILM), que marca o seu primeiro longa-metragem de animação, embora a empresa tenha uma bem sucedida participação na criação de efeitos visuais em filmes live-action.

Rango” foi um exercício para as competências de Gore Verbinski que se saiu melhor que a encomenda, já que essa animação se mostra no final das contas uma aventura bem embalada, divertida e repleta de referências cinematográficas a filmes de faroeste (principalmente os western spaghettis italianos), entre outros gêneros, que se saiu muito melhor que seu trabalho posterior, o faroeste “O Cavaleiro Solitário”, de 2013. Entre vários atrativos que “Rango” apresenta, o filme se destaca por seus atrativos visuais que imprimem toda a excelência que a ILM pode agregar a seus trabalhos. Visualmente impecável, com várias cenas que beiram a perfeição tamanha o realismo das paisagens que acomodam o enredo, o filme além de ser bonito ainda possui várias soluções criativas que demonstram toda a inspiração de seus criadores. Os personagens são legais, bem feitos e a trama que move as ações do personagem são bem arquitetadas. Porém se trata um filme criado para agradar todos os públicos, onde demonstra uma ligeira escorregada. Se por um lado ele é capaz de agradar a um público mais adulto pelo conteúdo bem verbalizado e pelas referências cinematográficas perceptíveis ao longo de toda a sua duração, um grande número de piadas presentes em seu enredo provavelmente vai passar completamente batido pelo espectador mais baixinho.

Sobretudo, a jornada de auto-descoberta do personagem principal fazem de “Rango” um ótimo programa de diversão que ainda assim garante boas risadas, um espetáculo visual de encher os olhos (o cenário de velho-oeste é impressionante e o design dos personagens não deixam a desejar) ainda há para os espectadores mais exigentes por emoções fortes umas boas sequências de ação e aventura impulsionadas por uma trilha sonora que também se destaca.

Nota:  8/10

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Crítica: Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Um Filme de Zack Snyder (2016)


O confronto entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon) fez com que a população mundial ficasse receosa quanto à existência de extraterrestres na Terra. Enquanto alguns consideram viam o Superman como um deus, muitos o consideravam um perigo para a humanidade que precisava ser controlado. Bruce Wayne (Ben Affleck) é um dos que acredita na hipótese de que o Homem de Aço deve ser exterminado. Assim, sob o manto do Cavaleiro das Trevas obcecado por em eliminar a supremacia do Kriptoniano, eles se duelam numa épica batalha enquanto um perigoso vilão os manipula nas sombras. “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (Batman vs Superman: Dawn Justice, 2016) é uma produção estadunidense de super-herói escrita por Chris Terrio e David S. Goyer e dirigida por Zack Snyder. Baseada nos personagens da DC Comics, esse é o segundo filme do Universo Estendido DC, seguido de “O Homem de Aço”, de 2013. Estrelado por Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons e Gal Gadot. Odiado pela crítica especializada, aceito pelo público em geral, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” divide e gera opiniões oscilantes, mas não faz feio.

Na verdade, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” demonstra algumas evoluções da DC em comparação a seu trabalho anterior ligados ao seu Universo Estendido. O filme é mais trabalhado na sua concepção teórica, já que o enredo de “O Homem de Aço” era deveras simplista. Seu maior atrativo era o valor estético arrojado que detinha e a narrativa supostamente realista com toques sombrios pela qual a produção era vendida. “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” tem esses dois aspectos também, porém na ambição de criar um roteiro muito mais estudado, de trama elaborada e com direito a reviravoltas, a história transparece falhas estruturais, exageros e decisões desagradáveis. Mas também apresenta boas sacadas como a escolha de Ben Affleck para o papel de Batman e de Gal Gadot para o papel de Mulher Maravilha; cenas de ação grandiosas possibilitadas por um orçamento mais generoso do que foi aplicado no filme anterior; um elenco de apoio bastante funcional (destaque para Jeremy Irons e seu Alfred dotado de um grande ceticismo e ironia) e efeitos visuais igualmente satisfatórios. Jesse Eisenberg não é certamente o Lex Luthor que o público esperava, mas seu toque pessoal não é de todo mal diante de uma vastidão de vilões destemperados que o gênero já empilhou ao longo dos anos. O filme tem uma beleza estética bastante apurada e uma trilha sonora que energiza cenas chaves do enredo e justifica a adição do complemento “A Origem da Justiça” com certa elegância proporcionada em uma sala de edição.

Entre alguns diálogos bem escritos e algumas cenas que não passam de material de encher linguiça (cenas que vieram somente para estender sua duração sem o devido funcionamento) a qualidade do material dessa produção acaba oscilando como os julgamentos a respeito do seu resultado. Sobretudo, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” não é topo do crescimento da DC nas telonas, mas apenas um degrau que ambiciona superar sua maior concorrente, a Marvel Studios. “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” acaba sendo gigantesco (não um grande filme, mas um filme grande), sombrio em sua maior parte, polêmico no esperado embate e pretensioso em sua ambição, a mesma que ainda não fez a DC encontrar o tão sonhado sucesso. 

Nota:  8/10

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Crítica: Tomb Raider: A Origem | Um Filme de Roar Uthaug (2018)


Lara Croft (Alicia Vikander) é a filha independente de um milionário empresário excêntrico que desapareceu quando ainda era muito jovem. Agora com 21 anos, sem grandes pretensões percorre as ruas de Londres prestando um serviço de entrega o que mal lhe rende um ganho para sobreviver. Entre muitas dificuldades e algumas confusões que arranja, ela está prestes a assumir as suas responsabilidades como herdeira de um império corporativo deixado por seu pai. Mas mesmo depois de anos, Lara ainda acredita que seu pai pode estar vivo e ao descobrir algumas pistas de seu paradeiro, a jovem inicia uma expedição em direção a uma ilha na costa do Japão com a ajuda do marinheiro Lu Ren (Daniel Wu), filho de um proprietário de um barco que anos atrás havia levado o pai de Lara a misteriosa ilha. Assim se inicia a jornada de aventura que pode levar Lara a se deparar com segredos e descobertas que pode mudar o rumo do futuro da humanidade. “Tomb Raider: A Origem” (Tomb Raider, 2018) é uma produção estadunidense escrita por Genebra Robertson-Dworet e Alastair Siddons. Dirigida por Roar Uthaug, essa produção é inspirada numa franquia de games de mesmo nome criada pela Crystal Dynamics. Protagonizada por Alicia Vikander, Walton Goggins, Daniel Wu e Dominic West, essa retomada da franquia cinematográfica da personagem as telas do cinema depois de dois filmes estrelados por Angelina Jolie é bastante gratificante.

É de conhecimento público que o lançamento de adaptações cinematográficas de famosos e cultuados games sempre foram sondadas pela crítica com desconfiança, aguardadas pelos fãs com expectativa e que posteriormente se revelaram na maioria das vezes inquestionáveis decepções. No caso de “Tomb Raider: A Origem”, as coisas não são bem assim. O filme tem as sua gama de falhas, mas apresenta realmente um produto renovado, que resgata a essência do jogo que busca imprimir um diferencial de aventura ao seu enredo, ao produzir boas sequências de ação no melhor estilo “Indiana Jones” e ainda gera uma boa oportunidade para que Alicia Vikander possa provar que é capaz de alavancar essa franquia novamente com tanta desenvoltura quanto sua antecessora o fez no passado. Um diferencial notável dessa nova produção talvez esteja no roteiro, mais pé no chão e de menos contornos alegóricos que os filmes protagonizados por Angelina Jolie. Outra coisa: a história não envereda para o cinema fantástico, como sugere a cada momento, aproximando o resultado de algo crível e necessário para ganhar a devida aceitação de um público mais centrado. E Alicia Vikander prova que é uma das melhores atrizes dos últimos tempos e ainda pode render alguns aplausos não somente em dramas categóricos, mas em produções pipocas.

Portanto, “Tomb Raider: A Origem” funciona, seja pelo fato de que a produção descamba intencionalmente para uma arquitetura clássica e grandiosa (leia-se clichê) de filme de aventura possibilitada por recursos digitais e uma estrutura de cinema preparada ou pela condução moderna que é dada ao produto. O que não é nenhuma surpresa, ainda há um gancho no final para uma eminente sequência.

Nota:  7,5/10