sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crítica: Entre Abelhas | Um Filme de Ian SBF (2015)


Essa produção protagonizada pelo famoso Fábio Porchat chamada “Entre Abelhas” (2015) tem um toque de genialidade incomum para o cinema nacional. Para começar pela escalação de Porchat, talentoso comediante que é para uma enorme gama de espectadores uma figura difícil de ser associada a um drama sério. Filme que após anos ficou sendo idealizado em parceria com diretor Ian SBF, finalmente o roteiro ganha a viabilização de ser realizado. Porchat, famoso por compor o elenco do programa humorístico Porta dos Fundos, sua presença pode surpreender o espectador de modo agradável (esse filme é sua incursão num papel dramático). O ator já estrelou outros filmes para o cinema, mas todos os projetos eram ligados firmemente à comédia. Aqui se trata de um drama, embora esboce contornos de tragicomédia em sua essência. E depois, outro aspecto interessante é a sua curiosa premissa enigmática de realismo fantástico que são os alicerces e fazem da proposta dessa produção um projeto louvável para os filmes sensação que tem tomado às atenções do público que busca conferir filmes nacionais. Embora o conjunto não tenha a força desejada e se destaque como imaginado, esse longa-metragem possui um punhado de boas intenções que conferem algum diferencial ao resultado. Em sua trama acompanhamos Bruno (Fábio Porchat) que após se separar da esposa (Giovanna Lancelotti) começa inexplicavelmente a deixar de ver as pessoas. Aturdido com a situação, Bruno somente passa a contar com a ajuda de sua mãe (Irene Ravache) e de seu amigo (Marcos Veras) para descobrir o que está acontecendo.


Entre Abelhas” está longe de ser uma obra-prima do cinema nacional, mas confere uma boa dose de surpresas ao espectador. Com atuações funcionais por parte de todo o elenco (com destaque para Irene Ravache), uma direção de fotografia bem cuidada e uma condução inesperadamente harmoniosa por parte de Ian SBF, esse longa-metragem possui boas qualidades. A principal delas, talvez seja ser de quem é. Há outros colaboradores do Porta dos Fundos em papéis de importância nessa produção como Letícia Lima e Luis Lobianco com desempenhos no mínimo interessantes. E embora o roteiro se mostre perfeitamente ajustado à proposta, ele também peca por não explorar as múltiplas possibilidades que o contexto possibilita através das indagações que gera. Por que Bruno está parando de enxergar as pessoas? O que ocasionou isso? E tentar explicar isso de forma acessível ao espectador trás como consequência que é a perda de um de seus maiores atrativos: o mistério. Sobretudo, sua lógica tem fundamento e se conecta bem com o enredo e os aspectos emocionais que rondam o protagonista. É certo dizer que “Entre Abelhas” não tenta se promover com o nome do protagonista, ou promove-lo também. Trata-se de um filme alheio as tendências comerciais que tem vigorado em produções nacionais contemporâneas e que demonstra interesse, ainda que mais em pretensão do que em qualidade, de ser algo mais do que um produto meramente de entretenimento fácil e descartável.

Nota: 7/10

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Crítica: A Espiã Que Sabia de Menos | Um Filme de Paul Feig (2015)


Susan Cooper (Melissa McCarthy) é uma agente da CIA que trabalha nos bastidores da ação. Ela é os olhos e ouvidos de um experiente agente de campo, Bradley Fine (Jude Law), por quem Susan também é apaixonada. Diante de uma série de problemas pelos quais a CIA está passando, que vai da perda de um precioso agente ao desconhecido paradeiro de uma bomba nuclear, Susan tem sua função na agência alterada para agente de campo onde sua missão é impedir que uma perigosa vilã (Rose Byrne) venda a bomba para terroristas, ao mesmo tempo em que precisa impedir que um agente renegado, Rick Ford (Jason Statham) estrague toda a operação que visa impedir um desastre mundial. “A Espiã Que Sabia de Menos” (Spy, 2015) é uma produção de ação e comédia que parodia os icônicos filmes de espionagem do cinema. Dirigida por Paul Feig (responsável por “Menores Desacompanhados) o diretor é figura marcada pelos corredores de Hollywood onde já trabalhou como ator, produtor e roteirista e tem seu nome ligado a várias séries televisivas de sucesso. Esse é o terceiro filme com que ele trabalha com Melissa McCarthy (os outros foram “Missão Madrinha de Casamento” em 2011, e o “As Bem Armadas”, em 2013), e que pelo resultado dessa produção, demonstra ser uma parceria de sucesso. 


A Espiã Que Sabia de Menos” deixa qualquer sutileza de lado e não faz cerimônias ao tirar sarro da franquia 007 e caminha no mesmo rumo que o “Agente 86”. O resultado é no mínimo curioso: afundada em clichês, personagens estereotipados e uma trama nada original, o desenvolvimento abusado dessa produção surpreende pela forma fluida do conjunto. Ao canalizar toda uma gama de aspectos de filmes de espionagem do passado (carros potentes, gadgets extravagantes, luxo e ostentação em uma trama pra lá de batida) com um toque pessoal dos envolvidos, “A Espiã Que Sabia de Menos” consegue gerar inúmeras passagens de humor bem equilibradas com uma ação planejada de primeira linha. E muito da qualidade dessa produção se deve ao arrojo dos envolvidos. Com diálogos onde palavras como fudeu, bichona e merda são disparadas pela dupla de astros Melissa McCarthy e Jason Statham na mesma proporção que as balas dos capangas dos vilões, a certeza que os melhores momentos dessa comédia ficam a cargo deles. Na verdade, não há um sequer momento em que os dois não dividam a tela e não desencadeie uma boa risada no espectador. Embora todo elenco cumpra com o seu papel dentro da proposta despretensiosa do filme, esses dois se destacam diante dos demais com uma distância considerável. Se o roteiro chacoteia com a incursão estranha de McCarthy em filmes de ação, ele também brinca de modo inteligente com a fama que Statham obteve após estrelar dezenas de filmes de ação em sua carreira.

Com uma produção de cerca de 65 milhões de dólares, Paul Feig demonstra ter feito um bom gasto desse dinheiro ao saber injetar uma boa dose de ação competente em sequências bem feitas sem perder a mão da comédia necessária (quando a ação cessa a comédia toma a tela até o último minuto). Com um humor que oscila entre o cômico e o escatológico, “A Espiã Que Sabia de Menos” é uma excelente comédia que dificilmente não irá agradar ao espectador ciente de sua proposta. Embora não apresente quase nada de novo, muito menos de original, tem a seu favor o melhor de seus envolvidos que demonstram saber o que estão fazendo. É em resumo, divertido como deve ser.

Nota:  8,5/10

domingo, 7 de junho de 2015

Cartazes Alternativos de Filmes Inspirados em Suas Armas

Muitas vezes as armas que aparecem em certos filmes se tornam tão icônicas quanto as próprias obras. Pensando nisto, o inspirado artista gráfico Caique Gomes criou uma série de cartazes alternativos de filmes famosos com destaque para as armas que estrelam nessas produções. De cores suaves e de traços minimalistas, o artista apresenta um trabalho relativamente simples e fiel as suas inspirações: Confira logo abaixo o resultado: 








Fonte | Aqui

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Crítica: Controle Absoluto | Um Filme de D. J. Caruso (2008)


Se dependesse do curso natural da vida, Jerry Shaw (Shia Labeouf) e Rachel Holloman (Michelle Monaghan) jamais teriam se conhecido. Mas quando o estranho telefonema feito por uma mulher desconhecida ameaça suas vidas e de suas famílias, a desconhecida voz os envolve em perigosas situações que os une enquanto algo estranhamente grave os cerca. Monitorados e controlados constantemente pela mulher que fez contato com eles, ambos se tornam os fugitivos mais procurados do país e precisam ser muito espertos para descobrirem o do porque de tudo isso. “Controle Absoluto” (Eagle Eye, 2008) é uma produção de ação e suspense dirigida por D.J. Caruso. Inspirado numa ideia de Steven Spielberg (onde um dia as pessoas serão monitoradas 24 horas por dia sem saber) o cineasta passou anos conservando essa ideia em banho-maria até que estivesse no ponto certo de realização. Com o roteiro escrito em conjunto por John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz e Dan McDermott, a ideia foi realizada por D.J. Caruso, tendo como protagonista Shia Labeouf (na época costumeiro colaborador das grandes produções de Spielberg na franquia “Transformers) e Michelle Monaghan, atriz competente e de nome familiar em produções hollywoodianas. Caruso entrega um filme interessante, de ritmo ágil e limitado justamente por suas qualidades: a impossibilidade de tornar crível a ideia em si. Embora realizado corretamente, nesse corre-corre de teorias de conspiração que rondam seu desenvolvimento, o conjunto não agrada de modo diferenciado.

Controle Absoluto” é um quebra-cabeça de aparência complexa, antenado com as possibilidades e que busca um desfecho fantástico a altura de seu desenvolvimento. Entretanto, quando ocorre isso depois de inúmeras reviravoltas em volta do casal de protagonistas e sequências de ação que vão do fantástico ao absurdo, também não surpreende ou fascina o espectador. Ainda que as dicas da essência da proposta dessa produção tenham sido dadas com a devida competência, em pequenas doses e com pouca clareza, o real vilão dessa conturbada jornada pela busca da inocência de Jerry Shaw por crime contra a nação e a salvação da família de Rachel Holloman não mexe com o imaginário do espectador. Sem falar do maniqueísmo das situações que levam a ação, que procura desencadear alguma reflexão em volta das parafernálias que nos cercam diariamente (GPS, celulares, câmeras de monitoramento são o calcanhar de Aquiles da dupla em fuga), onde o roteiro tenta convencer que a vigilância total do cidadão é um mal necessário. Mas no final das contas é um bom filme, com boas intenções e recheado de falhas e principalmente de carências (se no principio a ausência de uma face aterradora causa mistério e fascínio no desenvolvimento, a revelação mostrou-se desinteressante). Produzido com a competência de grandes produções hollywoodianas, conduzido de modo arrojado por D.J. Caruso e ambicioso em sua proposta, “Controle Absoluto” não chega a ser uma perda de tempo. Na verdade ele cumpre o que promete, mas sem a força necessária para causar algum espanto. Entretêm o espectador, mas não causa espanto que seja do jeito que é.

Nota:  6/10

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Crítica: Água para Elefantes | Um Filme de Francis Lawrence (2011)


Jacob Jankowski (Hal Holbrook) já passou dos 90 anos e não consegue esquecer um marcante período de sua juventude passado nos anos 30. Nessa época devido a difícil situação econômica do país, em plena Grande Depressão, Jacob Jankowski (Robert Pattinson), um ex-estudante de veterinária afligido pelas dívidas acumuladas da família foi levado a buscar emprego numa companhia circense onde conheceu para seu desgosto a forma brutal como homens e animais são tratados, ao mesmo tempo em que conheceu a mulher por quem se apaixonou.  Essa mulher era a grande estrela do espetáculo do circo, a encantadora de cavalos Marlena (Reese Whiterspoon), e também esposa do proprietário do circo, August (Christoph Waltz), um homem aparentemente carismático, embora extremamente perigoso quando suas maiores paixões, o circo e sua esposa, estão sob a ameaça de serem perdidas. “Água para Elefantes” (Water for Elephants, 2011) é um drama romântico histórico baseado no best-seller de mesmo nome lançado em 2006 por Sara Gruen. Sua transposição cinematográfica segue a risca a linha de sua inspiração literária: a história é narrada através do depoimento de Jacob Jankowski na forma de lembranças, enriquecidas por suas impressões sobre o cenário circense da época e as pessoas que o integravam; isso tudo perfeitamente romanceado pela magia dos anos 30. Sendo assim o cineasta austríaco Francis Lawrence (responsável por sucessos como “Constantine” (2005), “Eu Sou a Lenda” (2007) e “Jogos Vorazes – Em Chamas” (2013)) consegue entregar um longa-metragem carregado de inspiração e repleto de detalhes visuais, mas carente de uma paixão memorável que prepondere força.


Há algo que é imprescindível que seja dito sobre “Água para Elefantes”. O filme é simplesmente lindo aos olhos. Isso do mais simples enquadramento aos planos mais longos. Com uma direção de arte competente, fotografia virtuosa e figurinos deslumbrantes, esse longa-metragem tem em sua aparência suas melhores qualidades. E não se trata de um visual meramente fantasioso marcado de exageros comuns nem nada, mas uma sólida reconstituição de época fina e elegante como poucas. O resultado dessa produção valoriza a magia circense como poucas numa época de pouco encanto. O realismo da Grande Depressão se contrasta de forma natural o universo circense. Trata-se de um trabalho rico em detalhes muito bem combinados que enriquecem o desenvolvimento da ação que acompanha o trio amoroso composto por Robert Pattinson, Reese Whiterspoon, Christoph Waltz e uma elefanta cheia de personalidade chamada Rosie. O roteiro de Richard LaGravenese segue a base da obra literária, e explora com bom nível de profundidade temas universais como o encontro do destino, como a da própria liberdade em meio as diferentes escolhas da vida, o do amor que também é margeado pelo ciúmes. E se o jovem casal (Robert Pattinson e Reese Whiterspoon) entrega atuações funcionais ao conjunto, Christoph Waltz entrega mais uma brilhante interpretação de um personagem de personalidade complexa que oscila entre o carisma envolvente e aversão desencadeada por suas atitudes.

Água para Elefantes” consegue trazer a vida todo um período da história norte-americana através de uma montanha-russa de emoções que desencadeia tanto risos quanto lágrimas. Agradável para fãs do trabalho de Sara Gruen, interessante para ser descoberto por fãs de filmes de época, o trabalho realizado por Francis Lawrence tem as suas qualidades, embora ainda esteja longe de ser realmente memorável. Com vários elementos que remetem a lembrança de um Titanic sobre trilhos, o trem de August, como de sua própria companhia circense percorreu um terreno intensamente acidentado da vida até culminar numa tragédia memorável. Curiosamente, se a trajetória de Jacob Jankowski não desencadeia a mais intensa das emoções no espectador, a passagem onde Hal Holbrook a relata no final com revelações do rumo de sua vida após a tragédia é de um singelo toque quase impossível de não amolecer o coração.

Nota:  7,5/10

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Crítica: Kick-Ass 2 | Um Filme de Jeff Wadlow (2013)


Depois de motivar as pessoas pela busca da justiça, o mascarado justiceiro Kick-Ass, o jovem Dave Lizewski (Aaron Taylor Johnson) sofre de uma forte frustração pelo rumo pitoresco com que sua vida tomou. Decidido a retomar seu papel na luta contra o crime, ele busca uma parceria com a adolescente Mindy (Chloe Grace Moritz), a famosa Hit-Girl, que agora órfã de pai, está sob os cuidados do policial Marcus (Morris Chestnut). Tanto um quanto o outro, não conseguem se adaptar a normalidade de suas vidas. Mas Mindy sofre de uma pressão de ter o destino fatal de seu pai. E por causa disso, enquanto Dave passa a se associar a outros vigilantes que conheceu pela internet, Mindy sofre duras penas para se tornar uma adolescente normal a pedido de seu tutor. Enquanto isso o perturbado Chris D’Amico (Christopher Mintz Plasse), o Red Mist, passa a contratar bandidos para vingar a morte do pai e espalhar o terror pela cidade. Mas não demora muito para o que destino coloque esses heróis e vilões frente a frente num épico confronto, tão estranho quanto perigoso. “Kick-Ass 2” (Kick-Ass 2, 2013) é uma produção de ação baseada nos personagens da HQ de Mark Millar e John Romita e publicada pela Marvel Comics. Dirigido por Jeff Wadlow e produzido pelo cineasta londrino Matthew Vaughn (responsável pelo primeiro filme: “Kick-Ass – Quebrando Tudo”, de 2010), Wadlow entrega um filme de continuidade orgânica, se não igualmente surpreendente como o primeiro (o filme misturava ação de primeira, violência ao estilo “Pulp Fiction” e uma dose acertada de humor negro), mas a altura como um bom entretenimento juvenil.


Se beneficiando do sucesso da empreitada independente de Matthew Vaughn, “Kick-Ass 2” alcança um nível agradável de sucesso também. Menos audacioso do que Kick-Ass – Quebrando Tudo, mais cômico do que o esperado e ainda realizado com competência, o retorno do elenco original e a própria direção de Jeff Wadlow se mostra mais do que satisfatória a essa sequência. Repleto de personagens estranhos, que oscilam entre o cômico e o caricato, o roteiro simples de Jeff Waldow explora bem as possibilidades em volta do enredo e gera bons momentos de humor, como de ação violenta e esteticamente ajustada aos moldes dessa produção de heróis com mais motivação do que com poderes. E esse aspecto chama muito a atenção, onde a busca da identidade dos personagens se rivaliza com os obstáculos naturais impostos. As cenas de luta continuam deslumbrantes, e embora o roteiro não busque um aprofundamento mais inovador sobre as figuras de Kick-Ass e Hit-Girl e suas relações com os demais vigilantes, há uma preservação de ideias intocada que garante o divertimento do espectador. Essa produção surge com uma reafirmação do potencial da história em quadrinhos lançada em 2008, como também do próprio formato cinematográfico adotado por Matthew Vaughn. Obviamente “Kick-Ass 2” não supera seu antecessor nem de longe, e se o primeiro filme passou a morar no coração de muitos espectadores sem aviso (o filme foi uma grata surpresa para o gênero), esse segundo obteve seu sucesso em apenas prender a atenção dos fãs se causar decepção.

Nota:  7,5/10

terça-feira, 2 de junho de 2015

Pawn Sacrifice | De gênio e louco, todo mundo tem um pouco!