domingo, 31 de maio de 2015

Uma Imagem, Duas Muralhas


Se uma muralha é feita pelo homem, a outra é humana.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Crítica: Corações de Ferro | Um Filme de David Ayer (2014)


Abril de 1945. Enquanto os aliados fazem sua incursão final pelo território alemão na última fase da Segunda Guerra Mundial, o sargento Don “Wardaddy” Colier (Brad Pitt), responsável por um pequeno grupo de soldados americanos e um debilitado tanque Sherman batizado pelo nome de Fury avançam sob o fogo inimigo quase sempre em desvantagem estratégica e numérica. Os dias quase sempre oscilam entre uma tensão perturbadora e uma violência desmedida. Obstinado por manter a sobrevivência do grupo sob os maciços ataques das tropas nazistas, ao mesmo tempo em que precisa treinar um despreparado novato, Wardaddy é enviado junto aos seus homens em uma difícil missão atrás das linhas inimigas e que provará toda sua importância dentro dessa interminável guerra sangrenta. “Corações de Ferro” (Fury, 2014) é um drama de guerra escrito e dirigido por David Ayer (responsável por filmes como “Marcados para Morrer”, “Sabotagem” e “Reis das Ruas”). Conhecido roteirista de Hollywood, Ayer tem demonstrado a cada trabalho uma crescente evolução como diretor. A prova disso vem na forma desse intenso drama de guerra de atmosfera angustiante e reconstituição de época competente. Ao imprimir um realismo brutal em sua história, Ayer entrega um longa-metragem de massacres sangrentos, violência bélica extrema e alguma profundidade narrativa relevante. O filme não se impede de modo algum em mostrar o efeito venenoso consequente da guerra que contamina esse pequeno grupo de homens de maneira crua, que como consequência, simplesmente transporta o espectador para as perigosas trincheiras. Na verdade, esse é um aspecto interessante dessa obra, evidentemente entre outros mais, que exibe o verdadeiro propósito desse longa-metragem e o difere de punhado de outros filmes ambientados nessa sempre relembrada guerra.


Corações de Ferro” não tem como objetivo lançar um olhar inédito sobre a guerra, embora o acompanhamento mais próximo de um pequeno grupo de soldados confinados as dependências de um tanque de guerra é uma exploração nova do ambiente do front de batalha para formato. E Ayer explora esse aspecto ao máximo no decorrer do filme, pois recheia o desenvolvimento com bons diálogos que familiariza o espectador não somente com algumas nuances dos soldados, como com a da mecânica do artefato também. Além do mais, o cineasta elabora uma sequência de batalha de tanques no estilo do videogame Batterfield de grande originalidade ao gênero. Mas essa produção não é apenas um desfile de artilharia bélica de poderio grandioso resultante de uma produção fluente ou um espetáculo pirotécnico magistral conferido por uma reconstituição de época formidável. “Corações de Ferro” apresenta personagens de contornos bem-sucedidos (que simplesmente não despertam simpatia em sua imediata apresentação, mas no decorrer do tempo em que se passam os acontecimentos), entregues por atuações convincentes sobre um drama metodicamente ajustado. A história tem um propósito prioritário em seu vasto conjunto qualidades: mostrar que independente de como ou quando a guerra irá acabar nada mais será como antes (esse aspecto é exibido numa tensa sequência nas dependências de uma residência alemã durante uma bem-intencionada refeição). As mudanças da natureza humana atingiram um ápice de estranheza aos próprios homens. O que de certo modo incendeia a relação do grupo, ora tomados por um sentimento de solidariedade mútuo com direito a altos e baixos, ora exibindo demonstrações de hostilidade desregrada que resultam em momentos dramáticos e tensos de grande genialidade. Se a primeira vista o desfecho clichê de motivações heroicas soe um pouco forçado ao espectador, também é preciso lançar um olhar mais profundo sobre o conjunto da obra de Ayer para compreender essa resolução adotada. Por fim, “Corações de Ferro” é uma surpresa para o gênero que merece ser descoberta.

Nota:  8/10

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Crítica: Sem Dor, Sem Ganho | Um Filme de Michael Bay (2013)


O ano é 1995. Daniel Lugo (Mark Wahlberg) é um patriótico personal trainer que acredita cegamente no “sonho americano”. Tanto acredita como também sabe o quanto é difícil realiza-lo. Falido e alienado por palestras de autoajuda, Daniel não consegue ver chances para alcança-lo a não ser através da ilegalidade. E chegando a essa equivocada constatação, ele traça um ambicioso plano criminoso com a ajuda de alguns colegas, o deslocado Adrian Doorbal (Anthony Mackie), um fisiculturista que sofre de impotência sexual devido ao uso excessivo de anabolizantes e o ex-presidiário Paul Doyle (Dwayne Johnson), um brutamontes convertido ao cristianismo e viciado em drogas, que vão sequestrar e extorquir cada centavo da fortuna de um bem-sucedido empresário da Flórida, o insuportável Victor Kershaw (Tony Shalhoub). No entanto, com pouco talento para o crime e nenhum cérebro criminoso presente na quadrilha, eles irão descobrir que essa jornada para o sonho americano através do crime não será tão fácil de conquistar, ou pelo menos duradoura. “Sem Dor, Sem Ganho” (Pain & Gain, 2013) é uma produção estadunidense de humor negro baseada em fatos reais.  Escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely, o filme também é dirigido por Michael Bay (o responsável por inúmeros sucessos comerciais e consequentes fracassos de crítica). Curiosamente essa produção tem em seu enredo um aspecto que casa bem com o perfil de seu realizador, que invariavelmente ostenta em seus filmes uma forçada supremacia norte-americana sobre outras culturas. Sendo assim o mais patriótico dos cineastas americanos consegue extrair da absurda trajetória de vida de Daniel Lugo e sua trupe o material necessário para projetar ao espectador todos os seus anseios fervorosos de patriotismo de modo escrachado.
 
Sem Dor, Sem Ganho” tem sua base em eventos reais, embora ganhe contornos absurdos pela câmera de Bay. Praticamente o diretor faz uma espécie de paródia sobre o patriotismo com base na história real, e que como de costume em seus trabalhos, o desenvolvimento da trama é marcado por sua afeição desmedida pelos excessos visuais. E mesmo que menos preponderantes, ainda estão presentes nas cores, nos cortes rápidos e nos enquadramentos. Mas ocorre algo inesperado no resultado dessa sua incursão por uma trama sem atrativos artificiais (leia-se Transformers). Se no passado o estado de caos que se instalava na película elaborada de Bay desfalcava o conjunto e causava certa irritação aos sentidos, aqui o efeito é contrário. Quanto mais caótico, melhor vai ficando o desenvolvimento da trama, o que rende boas passagens de humor para a sua versão da história. Liberdades foram tomadas, isso é óbvio. A soma disso é que a transposição cinematográfica de Bay é recheada de situações sem coerência protagonizadas pelo trio composto por Mark Wahlberg, Dwayne Johnson e Anthony Mackie, que de tão absurdas, são difíceis de serem levadas a sério. O tom de descompromisso com a realidade é o grande atrativo desse longa-metragem. E essa dificuldade de associar os acontecimentos do filme a fatos, faz dessa produção uma surpresa agradável. Com ótimas atuações, com destaque para Ed Harris (o homem responsável pela captura e julgamento dos despreparados criminosos) e um condicionamento técnico exuberante, “Sem Dor, Sem Ganho” está longe de ser um grande filme inspirado em fatos reais. Na verdade, ele é tão estranho quanto à ficção, como também pode ser considerado um dos melhores filmes de seu realizador em anos.

Nota:  7/10

terça-feira, 26 de maio de 2015

Caçadores de Emoção 2015


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Crítica: O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas | Um Filme de Jonathan Mostow (2003)



O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? Bem... Filmes que abordam eventos onde a viagem no tempo é um elemento fundamental dentro da trama correm inevitavelmente um risco tremendo de deixar furos no roteiro e lacunas imperdoáveis, e essa produção intitulada "O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas" (Terminator 3: Rise of the Machines, 2003) está repleta de discordâncias e problemas de roteiro que se arrastam desde “O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final, dirigido por James Cameron (1991), apesar dos filmes realizados por Cameron serem narrativamente mais bem acentuados. Nessa terceira parte, o futuro e o presente se confundem de tal maneira que a única explicação para a existência do futuro é de que ele já faz parte de um hipotético passado. E se a empresa Skynet teve sua ascensão a partir de restos do primeiro Exterminador destruído por Sarah Connor (Linda Hamilton) em “Exterminador do Futuro” (1984), o que veio primeiro, afinal de contas?

Na trama de “A Rebelião das Máquinas”, acompanhamos John Connor (Nick Stahl) cerca de sete anos depois da explosão da Cyberdine ocorrida em 1997. Connor vaga pelo mundo como um nômade fugindo de seu destino depois de adiar o “O Julgamento Final”. Como solução encontrada pelas máquinas no futuro por não conseguirem localizar Connor no passado depois dos eventos ocorridos devido a explosão da Cyberdine, as máquinas enviam então uma Exterminadora, a T-X (Kristanna Loken) para matar os possíveis generais de Connor como forma ganhar uma vantagem estratégica na guerra em homens e máquinas. Porém a resistência também envia do futuro um exterminador, o T-850 (Arnold Schwarzenegger), reprogramado para deter a exterminadora e proteger Connor e Katherine Brewster (Claire Danes), peças fundamentais na guerra contra as máquinas.

As maiores qualidades dessa produção consistem unicamente em sua realização conturbada, desde a indefinição do ator Arnold Schwarzenegger em aderir ao projeto, pelo fato de James Cameron não estar envolvido na direção, ao orçamento que para época era exorbitante (200 milhões). O diretor Jonathan Mostow deu uma de Jan De Bont, que em “Velocidade Máxima 2” criou uma cidadela cinematográfica perfeita em sua composição, para destruí-la em apenas uma sequência. Mostow, também construiu uma rua inteira para destruir com a passagem de um guindaste em uma perseguição que remete à lembrança de “O Dia do Julgamento”, tamanha a pretensão de conseguir resultados a altura como os obtidos por Cameron com seus os filmes.


O elenco funciona na medida da produção, com um John Connor afetado pela falta de familiaridade com o personagem, ao mesmo tempo em que o robô interpretado por Schwarza está mais robotizado do que nunca. Claire Danes é chave da trama, apenas no contexto da franquia, pois sua interpretação não supera a via-crúcis que Linda Hamilton passou para salvar seu filho. Enquanto a belíssima exterminadora, totalmente desprovida de emoções faciais, esboça um sutil sorriso apenas quando incorpora a aparência do exterminado namorado de Katherine Brewster numa cena que remete novamente ao filme anterior a essa produção. 

E como todo trabalho de Mostow faz pastiche de “O Julgamento Final”, seguindo a fórmula de sucesso suplantada por Cameron, a direção inflaciona a ação e exagera nas sequências explosivas como atributo narrativo, enquanto o roteiro de John D. Brancato, Michael Ferris e Tedi Sarafian brinca com isso, criando algumas vezes de forma inusitada bons momentos de humor, como quando inserem o Doutor Sullivan na trama, numa ocasião onde satiriza o papel de médico e paciente ainda atormentado pelos acontecimentos passados anos atrás. Porém as cenas de ação não convencem pela falta de criatividade, tão marcantes nos filmes anteriores. Mas trilha sonora de Marco Beltrami (Duro de Matar 4.0) funciona de forma sistemática enriquecendo a climatização das sequências. 

O filme “O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas” não é de todo mal, apesar de desconecto com a qualidade narrativa incrementada por Cameron. Tem cenas de ação legais e muitos efeitos visuais bacanas na mesma proporção que há passagens que fazem qualquer fã da franquia entortar o nariz. Com um roteiro incapaz de criar outros jargões cool como "Hasta la vista, baby" e "Ill be back", a história até esse episódio não pede simplesmente mais uma sequência conveniente a franquia, mas grita em alto e bom tom por isso após um desfecho arriscado e apocalíptico que parecia  um obstáculo  ultrapassada.

Nota: 6/10

domingo, 24 de maio de 2015

Crítica: Caçadores de Emoções | Um Filme de Kathryn Bigelow (1991)


Johnny Utah (Keanu Reeves) é um agente do FBI disposto a desmantelar uma quadrilha de assalto a banco que tem atuado incessantemente na Califórnia. Trabalhando em parceria com Angelo Pappas (Gary Basey) um experiente policial que possui pistas de que os assaltantes são possivelmente surfistas, Johnny traça um plano de incursão ao mundo do surf para chegar aos supostos criminosos. E no decorrer desse plano, Johnny logo conhece Bodhi (Patrick Swayze), uma popular figura do meio do surf local e um viciado em adrenalina disposto a tudo para viver a vida intensamente. Aos poucos se tornam amigos, e Johnny passa a se familiarizar com a filosofia de seu novo amigo: para viver uma grande aventura, também é preciso se aventurar. Porém, cada vez mais próximo da solução do caso, Johnny é confrontado com os segredos em volta de Bodhi e de seus amigos, como também pelo dilema de cumprir com suas obrigações policiais ou seguir a doutrina radical proferida por esse influente sujeito. “Caçadores de Emoções” (Point Break, 1991) é uma produção de ação estadunidense escrita por W. Peter IIif e dirigida por Kathryn Bigelow. Embora se trate de um filme de 1991, o primeiro sucesso comercial da diretora ainda preserva seus contornos de inovação intactos (o filme faturou cerca de três vezes mais do que custou e aos poucos virou obra de culto por parte de uma boa gama de espectadores). Com cenas de paraquedismo vertiginosas, assaltos à mão armada de resultado vibrante, perseguições carregadas de adrenalina e com belíssimas imagens de surf capturadas pela câmera da diretora, essa produção envelheceu de modo saudável e não fazendo feio diante de outros filmes ícones de ação da década de 90.


Kathryn Bigelow confere a “Caçadores de Emoções” contornos arrojados. Sua trama que exibe vários aspectos do estilo de vida dos surfistas, como a da própria década em que se passa. A tão famigerada quadrilha que num lance de busca por uma intensificação de suas vidas se lançam através da audácia em perigosos roubos a banco, não necessariamente por ganância ou algum status, mas pela adrenalina extremada e a emoção que essa ação confere, a diretora Kathryn Bigelow apresenta uma história bem ambientada com personagens de psicologia de grande riqueza. Com um Keanu Reeves em processo de ascensão de carreira e um Patrick Swayze legitimado por conhecidos sucessos, o filme equilibra bem momentos de ação e dramaticidade com habilidade, além de conseguir ser acrescido por um par romântico onde Lori Petty e Reeves entregam performances de grande química. O trabalho de Bigelow é de uma qualidade técnica impecável, indo do próprio visual ao ritmo do desenvolvimento de um modo fascinante (o filme foi produzido por ninguém menos do que pelo cineasta James Cameron). O fascinante universo esportista cercado de praias e ondas se mescla com as ações contraventoras de forma natural, como as obrigações policiais começam a se tornar um dilema na vida de Johnny Utah pela abordagem fluente do enredo (Keanu Reeves começa hesitar em cumprir com suas obrigações depois que passa a considerar os membros da gangue quase como uma família). “Caçadores de Emoções” não é apenas mais uma produção de ação moderna e bem-feita, carregada de explosão e rebeldia de uma ponta a outra, mas também é a soma de vários elementos bem-sucedidos. O enredo por sua vez, controverso em teoria funciona contra todas as probabilidades, e ainda o observando com o devido cuidado, também podemos ver um filme poderoso de personagens fiéis as suas obstinações.

Nota:  8/10

sábado, 23 de maio de 2015

Spawn | O soldado do inferno chamando a atenção de fãs