terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Crítica: True Lies | Um Filme de James Cameron (1994)


Harry Tasker (Arnold Schwarzenegger) tem uma vida dupla. Embora sua esposa Helen (Jamie Lee Curtis) acredite que ele não passe de um entediante vendedor de computadores, Harry é na verdade um renomado agente secreto do governo disfarçado para sua família se manter em segurança. No entanto, quando sua atenção está totalmente voltada para um perigoso grupo de terroristas que estão de posse de armas nucleares, algo inesperado vem a surpreendê-lo. Harry descobre que sua esposa tem se encontrado com outro homem, um mero vendedor de carros mentiroso que se diz espião, para com isso encontrar uma fuga da vida desinteressante que leva sendo apenas uma boa esposa. Assim Harry busca com muito jogo de cintura impedir que os fanáticos terroristas destruam o mundo, ao mesmo tempo em que procura conferir a sua esposa um pouco de aventura. Mas para sua surpresa seus dois problemas se colidem e seus segredos são revelados, como a difícil tarefa de salvar o mundo se intensifica pelo fato dele ter que salvar antes de tudo sua esposa raptada pelos terroristas. “True Lies” (Idem, 1994) é um filme de ação e espionagem dirigido pelo megalomaníaco James Cameron. Tendo como base um longa-metragem francês de 1991, chamado “La Totale” (um filme pouco conhecido realizado por Claude Zidi), seu remake é em suma uma fonte equilibrada de ação eletrizante e humor bem realizado que resulta numa genial obra de entretenimento que melhor aproveita as qualidades dos envolvidos e justifica o estrondoso sucesso de bilheteria da época e as inúmeras críticas positivas que colecionou ao longo dos anos.


Se Arnold Schwarzenegger é o que é, foi graças ao James Cameron (já que ambos estão simultaneamente envolvidos em dois dos maiores sucessos do cinema contemporâneo materializados nos episódios iniciais da franquia “O Exterminador do Futuro”),  e “True Lies” é o que é em função dos dois. Cameron é um dos poucos cineastas que conseguiram equilibrar como nenhum outro realizador as deficiências dramáticas do astro e aproveitar com êxito seu carisma e talento para a comédia. Por isso, quando Cameron mesclou um roteiro bem estruturado (de responsabilidade de Claude Zidi, Simon Michael e Didier Kaminka) com um elenco inspirado de protagonistas aos coadjuvantes (Arnold Schwarzenegger, Jamie Lee Curtis, Tom Arnold e Bill Paxton), criou cenas de ação geniais permeadas com efeitos visuais de primeira linha acrescentando uma dose refinada de humor repleto de boas piadas. O cineasta criou de certa forma uma sátira aos filmes de James Bond tão bem feita que chegou a ser superior ao homenageado na época. James Cameron famoso pelos orçamentos milionários, seus filmes geralmente são associados com otimismo ao critério custo e benefício (cada sequência mirabolante da ação criada pelo cineasta justifica o investimento pelo alcance positivo do resultado). Enfim, “True Lies” é um daqueles filmes impossíveis de não agradar ao espectador. Mesmo após quinze anos do seu lançamento, essa produção resiste à prova do tempo como poucos exemplares desse gênero. Engraçado e emocionante, impecável nos quesitos técnicos, esse filme é desprovido de falhas incômodas.

Nota:  8,5/10
                

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Retrospectiva Cinéfila 2014

De quantos filmes é preciso para se fazer uma retrospectiva cinéfila? Talvez uns 300 para se fazer uma retrospectiva realmente abrangente e satisfatória, sendo que o ucraniano Nikita Malko entrega um vídeo trailer com um pouco mais que isso. Entre vários vídeos de mesma proposta, o seu se destaca ao mesclar com habilidade e harmonia mais de 300 filmes (que se alternam entre gêneros e qualidade) em pouco mais de oito minutos de cenas de várias produções lançadas no ano de 2014. Parece um trailer de um filme gigantesco, editado com esmero e com uma trilha sonora mais do que bem escolhida. Convenhamos: não basta mesclar tudo e por uma música de fundo para decorar. É preciso dar harmonia ao que se mostra, e isso o editor ucraniano mostra que sabe fazer como ninguém. Para maiores informações sobre o vídeo, a lista de filmes que compõem o material como a própria trilha sonora, acesse seu blog e confira alguns detalhes:

domingo, 28 de dezembro de 2014

Crítica: Maze Runner – Correr ou Morrer | Um Filme de Wes Ball (2014)


Sem saber por que ou ao menos aonde, Thormas (Dylan O’Brien) desperta assustado do interior de um elevador que se abre para um mundo desconhecido. Com dificuldades de lembrar seu próprio nome, ele passa a integrar um grupo de adolescentes aprisionados em uma clareira rodeada por enormes murros que delimitam um perigoso labirinto cercado de mistérios. Aos poucos ele passa a se familiarizar com a metódica rotina do lugar e com as regras que tem que seguir para coexistir com os demais membros do grupo. Assim como Thomas, nenhum dos garotos que estão ali sabem como chegaram lá, e o por quê. Mas sabem que todas as manhãs as portas do labirinto se abrem e a noite se fecham, como também a cada trinta dias um novo membro surge do mesmo elevador do qual Thomas saiu. E muitos segredos e mistérios que permeiam a vida desses jovens, sobretudo no labirinto, podem encontrar revelações na memória de Thomas, como no surgimento da primeira garota dessa prisão. Mas a rotina dada como certa por boa parte dos membros vai se alterando com a presença de Thomas e a possibilidade de fuga dessa prisão cada vez se torna mais alcançável e proporcionalmente perigosa. “Maze Runner – Correr ou Morrer” (The Maze Runner, 2014) é uma produção de ficção cientifica e mistério baseada no grande sucesso literário de 2009 publicado por James Dasher com o mesmo título do filme. Com roteiro de Noah Oppenheim e direção de Wes Ball, essa produção tem suas raízes em mais um exemplar literário direcionado a jovens adultos. Enquanto “Jogos Vorazes” usufrui dos benefícios de seu pioneirismo e “Divergente” aspirava ser um concorrente a altura nesse subgênero, “Maze Runner – Correr ou Morrer” corre por fora (desculpem o trocadilho) e se mostra uma surpresa agradável e inesperada.


A razão pela qual “Maze Runner – Correr ou Morrer” se mostra uma produção digna de alguma atenção se resume numa palavra: competência. Há sinais de capacidade em sua realização. Na primeira hora do desenvolvimento dessa produção há todos os elementos necessários para despertar a atenção do espectador, e a direção Wes Ball mescla tudo de forma orgânica. O ambiente em que se passa a trama é bem criado, seja pelos efeitos visuais discretos e de funcionalidade inquestionável ou pela forma elegante em que apenas se apresentam. A ação tem ritmo e distanciamento de qualquer sensação de tédio. O elenco desprovido de grandes astros funciona dentro da proposta, como Dylan O’Brien se destaca merecedoramente entre o grupo (sua busca por uma saída da prisão não é um desafio somente material, mas psicológico bem interpretado). Há uma exploração acertada em relação dos mistérios que cercam o passado e o futuro desses jovens, como também há uma ameaça verdadeiramente aterrorizante materializada em perigosas criaturas que rondam os corredores do labirinto e distanciam os jovens de alcançar o sucesso de encontrar uma saída deste confinamento. Se para a maioria das transposições cinematográficas é interessante (embora quase nunca realmente necessária) que o espectador tenha um conhecimento aprofundado de sua base literária, essa produção dispensa maiores informações. Tudo que o espectador precisa saber decorre em tela numa medida bem equilibrada com o formato de cinema. Embora o desenvolvimento não apresente nenhuma surpresa avassaladora, como as reviravoltas não se mostrem tão intensas quanto necessitavam, além do desfecho apressado marcado de exageros simplistas e injustificáveis, “Maze Runner – Correr ou Morrer” não decepciona como era de se esperar de um retardatário. Com um gancho pouco criativo para uma sequência que deixa uma promessa de melhoras significativas para o futuro da franquia, talvez essa produção ainda venha a ganhar momentos de liderança no coração de muitos espectadores sendo que “Jogos Vorazes” tem se aproximado do fim e não anda tão fascinante como nos primórdios da série.  

Nota:  7,5/10

sábado, 27 de dezembro de 2014

O Escolhido Foi Você


Um raio nunca cai no mesmo lugar. Em se tratando de cinema, essa regra definitivamente não vale. Afinal de contas, o lançamento de filmes com a mesma temática são comuns em Hollywood. E mais comum ainda é eles serem lançados quase que um em seguida do outro, aproveitando a memória fresca do longa-metragem anterior. Em 2014, a bola da vez foi à figura mitológica do herói grego Hércules. Prestigiado com três filmes (“Hercules Reborn” de Nick Lyon, “The Legend of Hercules” de Renny Harlin e “Hercules” de Brett Ratner), todos possuem propostas que se diferenciam em foco e qualidade. Curiosamente a proposta cética de Brett Ratner sobre Hércules e seus doze trabalhos que marcaram a trajetória da fama do herói ganha disparado de qualquer coisa feita às margens dessa produção. E considerando que nenhum filme em live-action até então recebeu uma transposição que exibisse com tanta fluidez cinéfila os aspectos que o fizeram um lenda histórica familiar a qualquer um, independente ou não, de estar familiarizado com a mitologia grega, a atuação de Dwayne Johnson pode até não convencer, mas diverte o suficiente.         

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Crítica: The Rover: A Caçada | Um Filme de David Michod (2014)


Dez anos após a sociedade sofrer um colapso econômico e social, a Austrália tornou-se uma terra desolada, árida e perigosa. Com poucos resquícios de um regime social controlado, as pessoas tentam desesperadamente cada um ao seu modo, sobreviver em meio a muita violência e paranoia nesse inóspito cenário. E quando um sujeito sem nome (Guy Pearce) tem seu carro roubado durante a fuga atrapalhada de uma quadrilha de ladrões (Scoot McNairy, Tawanda Manyimo e David Field), o sujeito parte sem hesitação na busca de seu único bem em uma violenta jornada de resgate. Mas a certa altura de sua caçada o sujeito encontra Rey (Robert Pattinson), um tipo mentalmente problemático e membro da gangue responsável pelo roubo do seu carro que foi deixado para trás para morrer e pode ajudar a encontrar os responsáveis pelo roubo. “The Rover: A Caçada” (The Rover, 2014) é um thriller dramático australiano que se passa em um futuro distópico nos escaldantes desertos australianos. Com história de Joel Edgerton e roteiro de David Michod, a direção também fica a cargo de David Michod que entrega uma produção de atmosfera pesada pela violência e desesperança que toma o ambiente que se desenrola os acontecimentos. Curiosamente a coisa mais fascinante nessa produção está no alcance que sua história ganha e a forma como é desenvolvida para o espectador. Portanto, “The Rover: A Caçada” é uma surpresa nascida de uma premissa simplista. Apesar das condições climáticas ensolaradas da Austrália, esse país já rendeu filmes de natureza intensamente sombria (“Mad Max” talvez seja o mais famoso), como também originou realizadores de talento como John Hillcoat (outro cineasta australiano responsável pelo perturbador “A Estrada), cineasta este que entregou um filme bem capaz. Por isso essa produção entra para uma seleta lista de filmes habilmente estabelecidos na Austrália.


O enredo de “The Rover: A Caçada” não passa de uma viajem repleta de encontros violentos numa terra de pouco controle. A vida humana tornou-se fútil, o dinheiro quase inútil e o policiamento tornou-se quase impossível em uma sociedade quebrada que tenta se equilibrar em meio ao caos. As ruas intermináveis acentuam o clima de desolação vivido pelos personagens. E esses personagens ganham uma profundidade interessante saída de sutis dicas e poucas palavras que transpõem ao espectador uma série de emoções ocultas. Se o inglês naturalizado australiano Guy Pearce é o grande nome do elenco, ao mesmo tempo em que Robert Pattinson possa ser o mais atraente a determinados públicos, tanto um quanto o outro se mostram escolhas perfeitas e completamente entregues as condições da proposta dessa produção, embora Pearce se destaque solenemente. Embora o desenvolvimento mostre categoricamente que o sujeito interpretado por Guy Pearce quer apenas o carro de volta, o que desperta curiosidade pela sua cega obstinação, a trama dá pistas de que há algo a mais nessa obsessão que se esclarece no desfecho que deixa para trás a carnificina e dá lugar a uma forte emoção. Com uma belíssima direção de fotografia que contribui para dar o clima árido que o enredo necessita e uma trilha sonora pontual nos momentos vibrantes, “The Rover: A Caçada” é de uma frieza que pode ser incômoda a alguns espectadores. Mas a construção de uma narrativa plausível, atuações intensas e uma história que mostra mais do que aparenta a primeira vista, faz do trabalho de David Michod um bom filme que merece ser descoberto.

Nota:  7,5/10

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Crítica: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain | Um Filme de Jean-Pierre Jeunet (2001)


Amélie Poulain (Andrey Tatou) é uma jovem parisiense cuja infância foi equivocadamente reprimida por razões errôneas em relação a sua saúde. Seus pais convencidos de ela ter um grave problema cardíaco a superprotegiam do mundo a obrigando consequentemente a criar um universo fantástico de sonhos. Já adulta, morando sozinha num apartamento no subúrbio de Paris e trabalhando em uma lanchonete como garçonete, ela continuava a conferir certa magia ao mundo que a cercava. Certo dia quando encontra uma pequena caixa, um tesouro perdido pertencente ao ex-ocupante de seu apartamento, ela traça um plano para devolver o bem ao antigo dono. E com esse nobre objetivo, Amélie Poulain ainda confere de modo naturalmente mágico um apoio às figuras que diariamente estão envolvidas com sua vida, além de inesperadamente encontrar no processo um verdadeiro amor. “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, 2001) é um longa-metragem francês do gênero comédia-dramática que se mostrou um sucesso de público pelo mundo. Essa produção recebeu inúmeras indicações a prêmios em diferentes eventos pelo mundo. Dentre todas as indicações angariou vários prêmios em diferentes áreas, como também o filme recebeu (e ainda recebe) ao longo dos anos demonstrações mais do que merecidas de afeto e carinho do público e da crítica especializada. Escrito por Guillaume Laurant, o cineasta Jean-Pierre Jeunet entrega um filme sensivelmente charmoso, delicado nos detalhes e expressivamente otimista.


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” é pura poesia cinematográfica. Visualmente impecável, suas cores são brilhantes e cheias de vida que se enriquecem pelos enquadramentos bem utilizados. Inclusive em momentos onde a história de Amélie Poulain soe sendo ligeiramente triste, como em sua infância, a direção de fotografia de Bruno Delbonnel confere de forma inexplicável uma estranha alegria a passagem. Uma perfeita combinação de talento de interpretação e criação de uma atmosfera de conto de fadas que tem um equilíbrio exemplar. O efeito da fotografia adotado é a sobreposição de cores (vermelho e verde), que segundo o responsável tem inspiração no trabalho do pintor Juarez Machado, além de ter referência na obra de Vincent Van Gogh. O roteiro que gera várias situações divertidas, ora carregadas de emoção como também de bom humor (o arco da trama envolvendo o anão de jardim é genial), fazem do desenvolvimento da trajetória da protagonista uma bem-vinda história feita sob medida para agradar até aos mais sensatos dos espectadores. Andrey Tatou, uma atriz revelação que casa bem com a personagem encabeça o elenco que ainda está repleto de figuras delicadas e envolventes. Outra riqueza dessa produção se encontra na trilha sonora, de belas canções combinadas com uma orquestra instrumental influente que é impossível passar despercebida aos ouvidos. Essa mistura de comédia e drama presente em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” resulta num filme envolvente do começo ao fim por encontrar magia nas pequenas coisas da vida. Tornou-se facilmente uma obra cult e um clássico moderno que a cada ano cativa mais fãs. 

Nota:  8,5/10

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Surrealismo de Thomas Dagg | Star Wars invade a realidade

Mesclar elementos fantásticos com cenas ou paisagens comuns do cotidiano não é nenhuma novidade. Mas não precisa necessariamente ser fã da icônica franquia de aventura e ficção cientifica criada por George Lucas (Star Wars) para não deixar as fotografias fotoshopadas de Thomas Dagg passarem despercebidas. O artista um fã incondicional dessa franquia épica desde garoto, o fotógrafo canadense elabora um trabalho visual em que insere digitalmente sabres de luz, naves espaciais e personagens dos filmes em momentos corriqueiros do dia-a-dia. Confere imaginativamente um realismo impecável as imagens. Se as fotos naturalmente já detinham um certo charme sem as modificações, com elas ele cria uma série deslumbrante até para quem não é fã desse clássico do cinema. 
Confira abaixo o resultado do seu trabalho realístico: