O Major Will Cage (Tom Cruise) é uma espécie de relações públicas do exército dos Estados Unidos que vai a Londres para ajudar a melhorar a imagem das Forças Armadas. Embora seja um militar, Cage não passa de um burocrata que vende ao mundo uma difícil vitória sobre uma raça alienígena denominada Miméticos que tem devastado a Europa e se espalha pelo mundo. A única vitória memorável foi protagonizada por Rita Vrataski (Emily Blunt), uma habilidosa combatente que lhe conferiu a alcunha de “O Anjo de Verdun”. Totalmente alheio ao campo de batalha, Cage é surpreendido com a notícia de que iria cobrir pessoalmente a operação Derrocada, uma importante incursão militar que se mostra rapidamente uma inevitável sentença de morte aos soldados. Praticamente jogado no front totalmente despreparado para o combate, apenas contando com a sorte como sua aliada, Cage é vitimado por um raro alienígena que lhe confere a capacidade de voltar no tempo e repetir o tão famigerado dia inúmeras vezes numa espécie de looping do tempo. Se no começo ele iria vender uma vitória inalcançável sobre a ameaça alienígena e depois acabou lutando uma guerra impossível de ser vencida, com a ajuda Rita Vrataski e seu incomum dom de voltar no tempo, agora ele pode com muita persistência fazer toda a diferença nessa desfavorável guerra contra o fim do mundo. “No Limite do Amanhã” (Edge of Tomorrow, 2014) é uma produção de ação e ficção científica baseada no conto de mangá “All You is Kill” escrito por Hiroshi Sakurazaka. Com roteiro escrito a três mãos (de responsabilidade de Christopher McQuarrie, Jez Butterworth e John-Henry Butterworth), o cineasta Doug Liman entrega seu melhor filme desde “Identidade Bourne” (2002).
“No Limite do Amanhã” é uma grata surpresa da ficção cientifica que surgiu esse ano. Acompanhar a aparente e interminável jornada de morte e renascimento de Will Cage em sua cruzada para mudar o curso da história é estranhamente divertido aos sentidos. Isso porque as constantes repetições de determinadas sequências (que muito se assemelham a uma fase de jogo de difícil superação) poderiam muito bem se tornar cansativas a certa altura, curiosamente se mostram ao fim divertidas em função de uma inteligente montagem que confere ritmo e emoção a premissa. Com um desenvolvimento que esbanja humor da melhor qualidade e efeitos especiais de um requinte hollywoodiano, além de atuações inspiradas do elenco principal onde tanto Emily Blunt quanto o próprio Tom Cruise estão irretocáveis, Doug Liman acerta no tom de seu trabalho. Ainda que haja certas falhas (faltou um desfecho a altura do desenvolvimento), de certo modo irrelevantes se o espectador embarcar na viagem do tempo de Cruise, as vidas extras ganhas pelo protagonista não se convertem em desperdício de tempo do espectador. Sua trama se arma de algumas referências (a batalha fatídica contra os alienígenas em muito se assemelha ao desembarque da infantaria americana na praia da Normandia retratada em “O Resgate do Soldado Ryan”), como seu desenvolvimento gera algumas rápidas definições de rótulo (seu desenvolvimento parece à combinação de outros filmes que tem a viagem no tempo como base para a sua trama), mas que não ofendem suas supostas referências como também não ferem o resultado dessa produção. Ao final das contas, “No Limite do Amanhã” é puro entretenimento.











