sexta-feira, 27 de junho de 2014

Crítica: Caníbal | Um Filme de Manuel Martin Cuenca (2013)


Carlos (Antonio de la Torre) é um solitário e respeitado alfaiate na cidade de Granada, no sul da Espanha. Dedicado ao seu trabalho, mora do outro lado da rua a poucos passos de sua alfaiataria, na qual ocupa maior parte de seu tempo. E se ao dia ele confecciona os mais elegantes trajes a seus clientes, a noite ele cuidadosamente prepara seu jantar e se prepara para dormir dando continuidade a sua metódica rotina diária que curiosamente esconde um certo aspecto bastante particular sobre sua distinta figura. Carlos também é um canibal. Um homem que não se abstém do desejo que tem por essa incomum iguaria.  Diariamente ele alimenta-se de mulheres, vítimas de imprevisíveis ataques violentos e sem remorsos que ocasionalmente ele põe em prática para se reabastecer. Porém, sua ordenada rotina é arruinada quando Nina (Olimpia Melinte) uma imigrante romena se muda para um apartamento no andar de cima a procura de sua irmã desaparecida, Carlos encontra no perigo da presença dessa mulher uma ameaça e uma inexplicável atração. “Caníbal” (Cannibal, 2013) é um drama espanhol realizado pelo cineasta Manuel Martin Cuenca (em seu quarto longa-metragem), no qual o cineasta entrega uma história de amor bastante diferenciada, desde o curioso título ao elegante desenvolvimento da trama brilhantemente arquitetada por um enxuto roteiro de Manuel Martin Cuenca e Alejandro Hernandez baseado no romance de Humberto Arenal.


Uma pergunta que não quer calar. O que faz um ser humano buscar seu alimento no semelhante? Talvez diante de um irreversível apocalipse ou num caso de sobrevivência diante de uma eminente morte. Curiosamente Manuel Martin Cuenca não se propõe em responder a essa pergunta, e ao invés disso, busca mostrar um estranho relacionamento amoroso de contornos minimalistas cercado de obsessão e paixão. As motivações do indigesto gosto gastronômico de seu protagonista não é o foco de sua trama, e por vezes foi ignorado e deixado para trás sem importância. Como a atriz Alfonsa Rosso a certa altura da trama menciona desavisada dos gostos que marcam a personalidade de Carlos: “às vezes as pessoas são do jeito são, e pronto”. Uma boa explicação, embora não justifique seus atos. O ator Antonio de la Torre concilia bem um homem de gosto incomum para a alimentação, com um seleto membro de uma comunidade civilizada. A certa altura até nos sentimos cativados por sua figura, abandonando julgamentos (já que carne humana que o personagem come é resultante de um assassinato). Manuel Martin Cuenca descarta qualquer clichê que remeta a lembrança de outros canibais já retratados na sétima arte. A despeito de sua inclinação ao canibalismo, existe um desejo de se habituar ao comportamento comum. E um pouco da trama é bem voltado a esse aspecto. Tratado com elegância e muita descrição, “Caníbal” também é desprovido de cenas indigestas ou banhos de sangue extremados, embora apareça sangue escorrendo acompanhado com toda precisão de uma câmera atenta no destino de sua primeira vítima. Os enquadramentos precisos do cineasta no que realmente interessa ao conjunto é outro destaque desse longa. Apesar do ritmo contido, tudo que é mostrado, seja em palavras ou em imagens, tudo tem a sua relevância bem adequada a proposta de seu realizador.

É importante que seja dito que “Caníbal” também não é para todos os gostos. Fãs de produções ligadas ao longa-metragem “Os Silêncio dos Inocentes”, ou talvez ao estilo do próprio seriado “Hannibal” reprovem o resultado desse drama, seja pelo ritmo lento, quase contemplativo da trama e da paisagem apresentada por seu realizador, ou por sua conclusão inesperada que surge de um silêncio que praticamente monopolizou sua estrutura. Manuel Martin Cuenca não busca causar choque, mas sim reflexão acompanhada de momentos tensos e passagens de suspense de bom nível.

Nota:  7/10

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Crítica: Paranóia | Um Filme de D. J. Caruso (2007)


A morte do pai em um acidente de automóvel deixou marcas profundas em seu filho que presenciou todo o trágico acontecimento com os próprios olhos. Kale (Shia LaBeouf) tornou-se um jovem bem agressivo após a tragédia, que lhe custou a liberdade devido a um súbito ataque violento ao seu professor de espanhol. Desta forma, Kale passou a ficar em prisão domiciliar por um período de 3 meses como penalidade por sua injustificada atitude. Porém, essa medida prisional seria revogada caso ele não a respeitasse, e ele seria punido severamente como qualquer criminoso se não respeitasse as limitações de sua prisão. Mas uma prisão é uma prisão independente de onde ela está. Desprovido de confortos do mundo moderno ao qual ele se utilizava para passar o tempo enquanto cumpria a pena, sua atenção se volta às redondezas de seu lar, onde descobre algumas inacreditáveis verdades sobre sua vizinhança em um inocente ato de voyeurismo ocupacional. “Paranóia” (Disturbia, 2007) é um suspense dramático dirigido pelo norte-americano D. J. Caruso. Sua trama remete a lembrança do clássico suspense “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock, sem ter nenhuma semelhança física com o próprio (uma clara inspiração sem influência direta ou explícita com o mestre do suspense). Os roteiristas Christopher Landon e Carl Ellswort entregam sim, aproveitando bem as possibilidades da história com uma trama modernizada de posição sólida com o contemporâneo e bem focada no público alvo (basta vermos o elenco de destaque para constatar isso). Unindo a essa composição de envolvidos um realizador habilidoso em criar ritmo e suspense em boas doses, essa produção se mostra um produto de entretenimento divertido.


Como no trabalho de Hitchcock, “Paranóia” tem o seu maior atrativo na trama bem aproveitada. Ao fazer no seu desenvolvimento conexões bem pontuais entre um serial Killer que tem perturbado o sono da comunidade, e o solitário e misterioso vizinho (David Morse), Shia LaBeouf, Aaron Yoo e Sarah Roemer em atuações divertidíssimas e convincentes, o elenco principal combina com a proposta aqui oferecida. Obviamente o dilema do espectador não mora em quem é o assassino, ou até mesmo se as suspeitas dos jovens tem um real fundamento, mas em como e quando ele será revelado ao espectador. E é nesse processo, em unir as pontas soltas do roteiro que seu realizador ganha a devida atenção do público ao aplicar o método. Criando um grande efeito de tensão e suspense nivelado que define bem o gênero em que essa produção habita, humor descompromissado para causar momentos de leviandade como um bom programa de entretenimento requer e um desfecho adiado até o limite exato, Caruso apresenta um de seus melhores filmes em meio a uma filmografia regular. Em seu primeiro trabalho com o ator Shia LaBeouf (o segundo filme em que trabalharam juntos foi o improvável “Controle Absoluto” de 2008), apesar de dominar a mídia cinematográfica com habilidades mais técnicas do que autorais, seu trabalho é mais presente em séries de televisão como “Smallville”, “The Shield”, entre outras mais. Por fim, “Paranóia” está longe de ser inesquecível, como também seria uma injustiça rotula-lo como uma produção de suspense totalmente descartável como inúmeros mais. Seu atrativo e mérito está em sua funcionalidade precisa e ligeiramente cativante.

Nota:  7/10

terça-feira, 24 de junho de 2014

Verdade

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Crítica: O Besouro Verde | Um Filme de Michel Goldry (2011)


Britt Reid (Seth Rogen) é um playboy inconsequente que somente tem olhos para farras. Porém quando seu pai, James Reid (Tom Wilkinson) morre surge uma inesperada obrigação de dar segmento ao império jornalístico da família representado pelo jornal “The Daily Sentinel” de Los Angeles. Uma tarefa vista como um fardo pelo jovem herdeiro. Mas quando se forma uma improvável amizade com um genial funcionário de seu pai, Kato (Jay Chou), ambos buscam um novo sentido para suas vidas, combatendo o crime. Contudo, para combater o crime eles precisam tornar-se criminosos aos olhos da lei. Assim Britt torna-se o lendário herói mascarado Besouro Verde, e ao lado de seu destemido parceiro Kato, ambos passam a combater o crime todas as noites pelas ruas da cidade em um poderoso carro. “O Besouro Verde” (The Green Hornet, 2011) é um filme estadunidense de ação e comédia realizado pelo cultuado cineasta francês Michael Goldry (responsável pelo sensível “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e pelo cult movie “Rebobine Por Favor”, entre outros filmes de aspectos bem autorais). Baseado no programa de rádio da década de 30, que inclusive virou revista em quadrinhos, série de televisão nos anos 60 e passou por outros formatos de mídia no decorrer do tempo, essa produção teve como base o antigo seriado televisivo, aqui roteirizado e estrelado pelo ator canadense Seth Rogen. “O Besouro Verde” segue uma promissora tendência de materialização de personagens heroicos (diga-se com base ou trajetória em revistas em quadrinhos), que previsivelmente ruiu diante dos anseios do público.


Entre a comédia e a ação, em “O Besouro Verde” nada tem um firmamento que se mostre significativo em nenhum dos dois aspectos. Embora se inicie bem, com uma apresentação de personagens justa e coerente, seu desenvolvimento transpõe um produto fardado a desgraça. O humor se apoia infindavelmente no visual (piadas gestuais e bobocas atribuídas a performance deslocada de Seth Rogen), e a ação se confunde visualmente devido uma edição frenética e superficial, cheia de maneirismos que mais conferem confusão ao espectador do que atribuem emoção. Ainda que o protagonista, Seth Rogen ostente certo carisma, não é o suficiente para sustentar o carisma do espectador. Enquanto Jay Chou arrasa como o fiel e talentoso ajudante de Besouro Verde (seja com suas habilidades marciais ou sua capacidade de criar recursos mecânicos de combate ao crime), obtendo uma presença de sucesso superior ao personagem título. Até mesmo o vilão, Chudnofsky (Christopher Waltz) se mostra em ótima forma, caricato na medida certa. Entretanto, presenças como a de Cameron Diaz e o ator Edward James se mostram escolhas desperdiçadas dentro do conjunto. Entre acertos e erros, a segunda condição infelizmente prevalece sobre o trabalho de Michael Goldry, seja pela abordagem em que trata o personagem se conhecimento de causa (suas motivações que o levam de bagunceiro inveterado a justiceiro são de uma artificialidade imensurável) ou pela estética de produto de entretenimento descartável que consequentemente ele assume ser ao se visualizar a subida dos créditos finais. Por fim, “O Besouro Verde” é o que parecia ser: um filme de entretenimento que não vai mudar a vida de ninguém, inclusive a dos envolvidos nessa realização.

Nota:  5,5/10

Eu sempre quis ser policial...

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Crítica: Sem Escalas | Um Filme de Jaume Collet-Serra (2014)


Bill Marks (Liam Neeson) está no aeroporto prestes a embarcar em um voo de Nova York a Londres. Ainda no aeroporto passa a receber mensagens de SMS de origem desconhecida, as quais não confere credibilidade até o momento quando, agora em pleno voo sobre o Atlântico, surge uma intrigante ameaça: caso não sejam transferidos US$ 150 milhões para determinada conta bancária, um passageiro será morto a cada 20 minutos. A princípio a ameaça não é levada a sério, porém quando o primeiro assassinato toma forma no avião, Bill passa a tomar a frente de uma investigação em pleno voo para identificar o autor da ameaça e impedir uma tragédia maior. No entanto, quanto mais ele se aproxima de descobrir a identidade do criminoso, mais ele se afunda em um elaborado esquema onde todas as pistas levam todos os passageiros e tripulação a crer que ele pode ser a verdadeira a esse voo. “Sem Escalas” (Non-Stop, 2014) é um thriller de suspense que reacende a parceria do superlativo ator Liam Neeson com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra iniciada em “Desconhecido” de 2011. Com uma proposta narrativamente arriscada ao comprimir sua trama ao espaço reduzido de um avião, com uma corrida contra o tempo para ajudar a criar um repertório de obstáculos, Jaume Collet-Serra consegue, logicamente ajudado pelo talento de seu protagonista também, trabalhar os clichês necessários para elaborar uma quantia suficiente de material para prender a atenção do espectador antes da chegada ao destino final.


Realizado de modo inteligente, sobretudo com um toque de elegância notável, o diretor aproveita ao máximo as possibilidades que o espaço oferece. Uma enorme gama de passageiros, e como não tripulantes passam de paisagem a possíveis responsáveis pela a ameaça de forma tensa com direito a boas reviravoltas genialmente orquestradas no tempo certo. É quase impossível que a estratégia adotada pela direção não desperte no espectador uma ansiedade incontrolável de deduzir quem é o propenso terrorista antes da famigerada revelação. Artifício necessário e usado ao extremo para prender a atenção nesse jogo de gato e rato, idealizado pelo roteiro escrito a três mãos (John W. Richardson, Ryan Engle e Christopher Roach). Liam Neeson se mostra uma escolha de protagonista mais do que acertada, transparecendo de forma orgânica seu passado sem apelar para explicações detalhadas, como também justifica suas motivações (lógicas e emocionais) para impedir o sucesso das ameaças com uma presença de tela marcante e muita atitude. Embora o elenco de apoio (Julianne Moore, Michelle Dockery, Corey Stoll, entre outros) colabora para o bom andamento da ação em um formato Whodunit (filmes realizados integralmente em um único ambiente com doses bem niveladas de tensão e mistério). Ainda que a história rume em direção a um desfecho escancarado (acompanhados de efeitos visuais de filmes B para pousar o avião e emoções paternais desnecessárias para nosso protagonista), “Sem Escalas” se mostra um filme previsível e inegavelmente divertido, por mais absurdo que se mostre integralmente.

Nota:  7/10

Caricaturas de Pessoas Famosas | Arte Digital de Jeff Stahl

A caricatura é sempre uma expressão de arte bem particular. Nunca uma retratação da mesma pessoa tem o mesmo efeito quando é realizada por artistas diferentes. Que digam os apreciadores dessa arte que se deparam com o trabalho de Jeff Stahl, um ilustrador francês especializado em caricaturas de personalidades da música e do cinema. Seu trabalho é resumidamente único, seja na escolha dos retratos reproduzidos ou no traço marcante dos rostos retorcidos que são em alguns casos, uma mistura de técnicas em um misto de criatividade e arte digital. Para conhecer mais do trabalho do artista acesse: aqui.   

Jean Reno

Liam Neeson

Sam Neill

Sigourney Weaver

Harrison Ford

Tom Sellick

Russel Crowe

Christopher Walken

Interessados em aquisições: jf.stahl @ yahoo.fr