domingo, 10 de março de 2013

Crítica: Holy Motors | Um Filme de Leos Carax (2012)


O senhor Oscar (Denis Lavant) em seu trabalho, viaja pelas ruas de Paris no interior de uma luxuosa limusine ao longo do dia interpretando diferentes papéis sob o comando de alguém desconhecido.  Tendo unicamente a ajuda de sua motorista, Celine (Edith Scob) para concluir suas tarefas cênicas, Oscar transpõe cada personagem ao qual foi incumbido com alma e coração . Seu trabalho consiste em materializar diferentes personagens com profundidade e realismo: um assassino, uma pedinte, uma criatura monstruosa, um preocupado pai de família, um ancião em seu leito de morte... e outros mais em um único dia. Entre um personagem e outro, acompanhamos a metamorfose de construção dos personagens que atravessam os limites do realismo e culminam num célebre repertório de figuras, ora comuns, ora exóticas, mas todas perfeitamente transpostas. “Holy Motors” (Holy Motors, 2012) o mais recente filme de Leos Carax (Tokyo!) é uma viagem desprendida de um destino certo. Repleto de homenagens bucólicas e sutis críticas ao cinema moderno, Carax surpreende o espectador com um espetáculo narrativo apresentado através de uma estética diferenciada.

Com semelhanças narrativas de longas como “Cidade dos Sonhos” (2001), de David Lynch, ou com “Cosmópolis” (2012), de David Cronenberg, o cineasta francês Leos Carax, também responsável pelo roteiro de “Holy Motors” - e que não filma nenhum longa-metragem desde “Pola X (1999)” - cria uma atmosfera única que transpassa a Paris que conhecemos. Dos esgotos aos telhados podemos apreciar a beleza estética dada por Carax com sua câmera à Cidade Luz, e acentuada pela interpretação brilhante de Denis Lavant. Apesar do pouco, ou de nenhum convencionalismo dado ao enredo, seus desempenhos de interpretação são fabulosos se vistos tanto isoladamente quanto no conjunto. Entretanto acompanhá-los de forma a conectá-los em um plano mais amplo demonstra-se quase impossível. Cada personagem interpretado pelo ator funciona de maneira autônoma no roteiro de Carax, mas com sutis nuances que fazem sentido num contexto crítico geral. Provido de poucos diálogos, em certa passagem faz homenagem aos musicais. Toda trama flerta com vários gêneros diferentes em etapas separadas sem adotá-los a longo prazo – drama, musical, comédia, policial. Essa característica é um dos distanciamentos adotados por Carax do convencional para contar sua história cheia de surpresas. Como em “Cosmópolis”, aqui a força motor do carro tem o seu papel também. A ausência de um elenco variado incumbe Lavant da tarefa de dar vida a vários personagens, aliados a constante presença da limusine – e sua chofer. No fim vemos o quanto esse luxuoso carro tem seu papel definido dentro da trama de Carax, e no variado leque de mensagens ocultas por minuto que muitas vezes podem passar despercebidas pelo espectador. As lápides do cemitério com dizeres incomuns no lugar dos nomes das pessoas ali enterradas são detalhes que podem passar batidos de tão rápido que essa passagem se apresenta. Tecnicamente bem elaborado, sua fotografia impressiona pelos contornos sombrios da cidade margeados com o horizonte delineado pelas luzes. Mas sua elaboração mais significativa consiste na trilha sonora, que dá um grande espetáculo de musicalidade no qual o mais belo vem direto das mãos de Lavant.

Se o estilo narrativo de Carax pode causar certa estranheza no grande público devido à estética pouco convencional adotada por ele, apesar do brilhantismo que resida na mesma, é certo afirmar que “Holy Motors” não se trata de filme acessível. Sua genialidade se confronta diretamente com sua difícil digestão. Trata-se uma opção diferenciada ao cinema mainstream, a fuga inusitada do lugar comum e conhecido, que procura resgatar a essência da sétima arte ao criticar a condição atual da indústria e o crescimento da artificialidade que não para de se difundir em profusão. Carax valoriza ao seu modo o universo de sensações e sentimentos humanos que reinavam absolutos nos filmes, e que deveriam ser o grande foco das produções, mas que hoje em dia, foi esquecido, tanto pela deficiente indústria inescrupulosa, como lamentavelmente pelo público que muitas vezes não clama pelo que tem valor nessa singela expressão de arte. Essa produção merece ser revisitada quantas vezes possível.

Nota: 9/10
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sábado, 9 de março de 2013

The Walking Dead | Posters feitos à Bala


Uma campanha diferenciada para promover a 3ª temporada da série de terror zumbi "The Walking Dead": uma série de pôsteres exclusivos da série furados à bala! Sim, furados à bala mesmo. Eles foram pendurados em um estande de tiro de verdade e alvejados a vontade por atiradores para dar contornos de veracidade aos alvos em forma de zumbis. Veja abaixo um dos pôsteres finalizado e um making of dessa empreitada:




Exageros à parte, ficou interessante!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Iron Man 3 | Pôster com Robert Downey Jr & Gwyneth Paltrow

Crítica: O Quarto do Pânico | Um Filme de David Fincher (2002)


Meg Altman (Jodie Foster) é uma mulher recém-separada, que com sua filha adolescente Sarah (Kristen Stewart) passam a morar em uma nova casa nos arredores de Manhattan, na cidade de Nova York, após a separação. Essa casa tem uma peculiaridade: além dos cômodos tradicionais, ela tem um quarto oculto em suas dependências para situações de emergência. Logo em sua primeira noite na casa, por coincidência ela é invadida por três estranhos (Forest Whitaker, Jared Leto e Dwight Yoakame como esperado, mãe e filha se refugiam no tão famigerado quarto. Entretanto o objetivo dessa invasão se encontra justamente no interior do mesmo. Assim se trava uma batalha entre os que querem entrar no quarto, e mãe e filha que precisam impedir que isso aconteça a todo custo.  Olhando para trás é fácil constatar que "O Quarto do Pânico" (Panic Room, 2002) é somente um exercício ocupacional para um cineasta do nível de David Fincher. Isso não quer dizer que esse longa seja ruim, ou superficial na carreira de Fincher, mas que está apenas aquém da capacidade de seu realizador. Apesar de todas as qualidades narrativas exibidas nessa fita, que se resumem tanto na premissa, quanto no desenrolar da trama criada por David Koepp, ambas não oferecem um desafio para um diretor que comandou anteriormente trabalhos complexos como "Seven" (1995) e "Clube da Luta" (1999) de forma magistral. Enquanto "Seven" foi um exemplo de climatização bem realizada que resultou em um desfecho aterrador, "Clube da Luta" tinha uma história cerebral ajustada numa estrutura narrativa que foi tecnicamente perfeita.

Em "O Quarto do Pânico" temos um pouco dos dois: um clima que remete a lembrança de filmes de Alfred Hitckcock; e uma composição estrutural sofisticada. A forma como a câmera de Fincher faz uma varredura suave pelos cômodos da residência, logo no início, apresentando-a ao espectador é de uma perspectiva no mínimo inteligente, pois de certo modo, a casa é um elemento chave dentro dos eventos que virão a se desenrolar ao decorrer da trama. Além do surgimento do créditos iniciais num sutil contraste com a arquitetura da cidade. O clima claustrofóbico obtido das circunstâncias em que mãe e filha são submetidos é digno de um grande suspense - impotência e vulnerabilidade andam de mãos dadas com o beneficio da super proteção proporcionada pelo quarto - apesar da sinopse simples. Sua proteção é uma prisão com tempo de validade curto, que acarreta em desespero. Acompanhar as manobras dos invasores em ultrapassar as barreiras que os separam é de uma angustiante sensação transposta com habilidade. O circuito interno de TV disponibilizado no interior do quarto é em teoria uma forma de amenizar seu desconforto diante da fatalidade, porém a narrativa de Fincher prova que esse recurso somente inflacionou o terror diante da ameaça. Um detalhe importante: a relação mãe/filha antes de se enclausurarem no quarto não eram das melhores evidentemente. Circunstâncias extremadas ocasionalmente fortalecem laços rompidos. No caso o elo familiar, humanamente instintivo de proteger sua filha, obrigando Meg a tomar decisões e atitudes arriscadas, demonstra a profusão de sacrifício que o ser humano é capaz sob as condições adequadas. Enquanto a filha, retribui sem palavras declaradas sua gratidão e reconhecimento do fato.

Se o elenco feminino atende as necessidades desse longa, com belas interpretações, diga-se então o masculino: Jared Leto está sinistro e aterrorizante em sua determinação de cumprir o trabalho a qualquer custo, independente do que for necessário para abrir a porta do quarto - até mesmo matar. Para uma trupe de invasores amadores, as circunstâncias desencadearam instintos primitivos inusitados, tanto no elo familiar aprisionado no quarto, quanto em Leto, por não medir as consequências de seus atos. Enquanto em Forest Whitaker, aflorou arrependimento visivelmente expresso em uma passagem específica da fita. Um olhar que diz mais do que mil palavras. O lado bom dos trabalhos de Fincher, é que até o mais despretensioso de seus projetos, como esse "O Quarto do Pânico" tem sua relevância, mesmo sem o impacto marcante que suas produções apresentam na maioria das vezes. Trata-se de um filme medido e limitado por sua narrativa, mas brilhantemente realizado e imperdível a quem o desconhece. 

Nota: 8/10

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Crítica: Amor Impossível | Um Filme de Lasse Hallström (2011)



Com um título nacional fora de contexto, e uma história em sua premissa até interessante, o cineasta sueco Lasse Hallström (Querido John)- como também o restante dos envolvidos - falham em dar crédito a essa visão romanceada de um universo tão peculiar como o da pesca de salmão. Como romance esse longa não funciona, e como comédia basta ver o trailer para usufruir das melhores piadas dessa produção. Assim em “Amor Impossível” (Salmon Fishing in the Yemen, 2011), acompanhamos um xeique visionário chamado Muhammed (Amr Waked) que busca levar os benefícios da arte da pesca do salmão para o seu país, ao inserir a pesca esportiva no meio do deserto independente de quanto isso vá custar. Para realizar seu sonho ele tem a advogada Harriet (Emily Blunt), incumbida da tarefa de convencer o especialista britânico no assunto Alfred Jones (Ewan McGregor), na execução da impossível tarefa. Se não fosse a interferência do governo britânico em consolidar essa ideia, a princípio absurda, por meio de sua porta voz Patricia (Kristin Scott Thomas) o assunto jamais sairia da teoria. Num cenário estremecido pela guerra no Oriente Médio, a criação de noticias positivas é essencial para preservar as aparências entre os governos. E num panorama de impossibilidades vemos essa fábula sobre fé e realizações acontecendo a partir do desejo de um homem em compartilhar o prazer de uma simples pescaria.


De longe, este um dos mais fracos filmes de Hallström. Com a história baseada no livro de Paul Torday, a trama ganha contornos cansativos e de pouca emoção. É difícil afirmar qual é o pano de fundo dessa produção: a pesca do salmão, ou o arrastado romance dos protagonistas. Enquanto a apaixonante Emily Blunt perde pontos por não traduzir com expressividade suas dores particulares, e o competente ator Ewan McGregor, demonstra não ter mais aquele tino para comédia romântica como nos tempos de filmes como “Por Uma Vida Menos Ordinária”. E se os protagonistas dessa história não tem um desenvolvimento fascinante, Kristin Scott Thomas dá um charme a sua personagem como uma espécie de vilã cínica e manipuladora num cenário sem heróis declarados. Inclusive o ator Amr Waked tem boas passagens, em sua maioria inspiradoras, que dão uma acentuação adequada à proposta oferecida pelo roteiro de Simon Beaufoy (Quem Quer Ser um Milionário?). Mas no geral, “Amor Impossível” não agrada simplesmente por não causar nenhum tipo de emoção legítima, mesmo que fosse essa um mero desejo de pescar.

Nota: 5/10

Crítica: 13 Assassinos | Um Filme de Takashi Miike (2010)


Essa produção é um remake de um filme de samurai datado de 1963, realizado por Eiichi Kudo, onde sua história foi baseada em uma lenda conhecida da cultura japonesa. Nada mais natural do que um lendário diretor como Takashi Miike (Harakiri, 2010) para fazer uma refilmagem sobre a mesma. Extremamente cultuado por cinéfilos do mundo inteiro, suas produções violentas, na maioria sobre a máfia japonesa, são uma demonstração de que seu talento é proporcional a seu apetite por trabalho – Miike tem uma média de dois filmes anuais. Em “13 Assassinos” (Jûsan-nin no Shikaku, 2010) acompanhamos a história no ano de 1844, onde o cruel Lorde Naritsugu (Gorô Inagaki) irmão do Shogun, comete atrocidades inimagináveis impunemente. Para detê-lo, o samurai Shinzaemon Shimada (Kôji Yakusho) reúne sob seu comando 12 homens que partem numa missão de impedir que Naritsugu tome o poder supremo. O cultuado diretor japonês Takashi Miike faz um filme de samurai repleto de humor e violência, que explode na batalha final de forma magistral.


Se na primeira e segunda parte desse longa somos agraciados com uma narrativa convencional pouco inédita sobre o universo dos samurais, é no confronto final que Miike mostra evidências que justificam porque ele é visto como um talentoso diretor resultante de culto. Todas as emoções contidas nos personagens dessa trama, com ressalvas nas passagens de humor afinado que ficam a cargo do caçador Koyata (Yûsuke Iseya), são extravasadas numa sequência de batalha fantástica. Se a violência e crueza visual era vista apenas em pequenas passagens no primeiro e segundo ato dessa produção – a mulher de braços e pernas decapitados é um bom exemplo disso – no final o cineasta não economiza no banho de sangue para demonstrar seu gosto em filmar sequências de luta coreografadas para apresentar sua homenagem estilizada à cultura samurai. Indicado mais aos fãs do gênero, “13 Assassinos” tem uma estrutura fiel ao original, forte visualmente e empenhada por justiça. Se o processo de preparação dos assassinos se apresenta tediosa até certo ponto, o desfecho final se mostra o oposto, demostrando que não se trata de um filme de samurai tradicional.

Nota: 7/10 
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domingo, 3 de março de 2013

Crítica: Os Vingadores | Um Filme de Joss Whedon (2012)



Devo afirmar sumariamente, de que esse longa-metragem se superou. O filme "Os Vingadores" (The Avengers, 2012) atendeu a todas as minhas expectativas ao incorporar vários elementos necessários do universo da Marvel, e ao mesmo tempo completamente distintos, que se mostraram fascinantes para compor um longa à altura de minha ansiedade, e porque não dizer também de seus fãs: confrontos épicos entre os heróis, enredo plausível e conectado ao universo dos personagens, suspense e mistério acentuado, elenco em plena sintonia e com uma divisão de tela proporcional, direção ágil, efeitos especiais bacanas, ação de qualidade, humor refinado e várias outras qualidades que poderia escrever infinitamente. Esse filme não apenas ficou bom, mas ficou ótimo. Se tivesse sido realizado há cinco anos, não teria feito o estrondo que alcançou, entre a crítica e o público, estourando recordes de bilheteria e satisfazendo fãs, que muitas vezes são exageradamente críticos. Certamente é apenas mais um blockbusters pipocando criado com a única finalidade de ganhar horrores de dinheiro, mas inquestionavelmente bem realizado. Por isso, caso não tenha assistido aos filmes-solo do Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America – The First Avenger, 2011), ao filme Thor (Thor, 2011), O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, 2008) e aos filmes do Homem de Ferro (Iron Man, 2008 e 2010) deve-se, apesar de tardiamente, assisti-los para familiarizar-se com o processo de evolução que levou a criação da S.H.I.E.L.D. (Divisão de Intervenção Internacional Estratégica de Espionagem e Aplicação da Lei), como é finalmente apresentada no filme dos vingadores.


A história por incrível que pareça, não foi costurada para unir todos os personagens em um único filme – como os pessimistas profetizavam – e sim, foi encaixada com precisão – como deve ser – ainda tendo uma infinidade de personagens de diferentes personalidades dentro do mesmo roteiro sem menosprezar ninguém do variado conjunto. Mérito dado a Joss Whedon, que conseguiu fazer muito, e muito mesmo, ainda que as probabilidades estivessem contra ele no imaginário dos incrédulos. Responsável pela finada série “Buffy – A Caça-Vampiros” também tinha essa característica de ter vários personagens agindo simultaneamente, apesar de ser mais simples conduzir algo assim numa série televisiva. Um longa-metragem temporizado com pouco tempo de trama se complica e inflaciona a responsabilidade. Trata-se sempre de um orçamento milionário distribuído em cerca de 2 horas que corre o risco de fracassar sem dar oportunidade para medida de correção dependendo dos equívocos cometidos.   


A trama de “Os Vingadores” é resumidamente movida pelo interesse de vingança e poder de Loki (irmão de Thor) em dominar o planeta terra. Foca as ações da S.H.I.E.L.D. em reunir urgencialmente soldados com habilidades especiais através da chamada Iniciativa Vingadora, para combater os inimigos que nenhum outro exército do mundo estaria apto. E esse inimigo, aparentemente em forma de mensageiro da morte, aparece, onde Os Vingadores juntam-se depois de várias divergências para combatê-lo em prol da existência humana. Muitas produções desse gênero falharam em criar uma trama que transparece-se clareza e naturalidade com muitos personagens, porém o roteiro de superprodução assumida, tem a coerência e a leveza de um trabalho independente – é divertido e de fácil compreensão até mesmo para quem não havia visto os filmes-solo dos personagens. Tem ares de ser um filme de Michael Bay, exagerado e visualmente sofisticado. Mas basta ver os créditos finais para se constatar que essa impressão se resume apenas na aparência, pois o conjunto da obra tem muito mais a oferecer do que os melhores trabalhos de Bay. 


Personagens antes desfocados e pouco aproveitados em suas aparições anteriores ao filme dos vingadores tiveram oportunidade de provar seu valor diante de ícones mais conhecidos como Hulk, Homem de Ferro, Capitão América e Thor. Scarlett Johansson somente ampliou seu destaque, que já havia alcançado em O Homem de Ferro 2, quase nos fazendo desejar um filme solo dela como a Viúva Negra. A atuação de Jeremy Renner como o Gavião Arqueiro, e como seu personagem foi articulado dentro da trama, oscilando entre vilão e mocinho fechou as contas, sem dever nada. O astro, Samuel L. Jackson mostrou porque veio no papel de Nick Fury – além das semelhanças físicas que o deixam quase idêntico ao personagem dos quadrinhos – o ator mostra-se realmente convincente no papel de líder de uma organização do porte S.H.I.E.L.D. sem ficar com cara de bobo. E apesar do infeliz destino do agente Coulson – tratar-se de personagens em quadrinhos, o que não quer dizer que seja definitivo - foi brilhante, inclusive quando gerou a motivação que faltava ao grupo para se unir para combater o mal que estava prestes a dominar o mundo. Sua participação indireta, usada com astúcia de Nick Fury, transformou-se naquele momento vibrante que todos os espectadores ansiavam durante a sessão. 


O ator Tom Hiddleston continua seu papel de vilão não punido com a devida eficiência. Caracterizado com ganância, inveja, ambição, e cheio de problemas familiares pendentes, refletem suas motivações para ser o estopim da criação da Iniciativa Vingadora. O personagem Capitão América consegue se redimir em comparação a sua primeira aparição, justificado por seu expressivo desempenho como líder e por sua desenvoltura na trama. Chris Evans deveria agradecer ao Robert Downey Jr., por ter gerado seus melhores momentos em cena. Os hilários principalmente. E engraçado foi à forma como um personagem como Hulk, interpretado dessa vez por Mark Ruffalo, uma escolha interessante diga-se de passagem, protagonizou um grande desfecho de forma espirituosa que jamais causaria censura por parte de fãs familiarizados ou não com o comportamento do personagem. Hulk se apresenta de forma fascinante ao espectador. A interpretação de Chris Hemsworth como Thor - arrogante e presunçoso, porém mais habilidoso com o martelo Mjolnir - continua uma incógnita sem alterações para bem ou para mal. Apenas cumprindo seu papel dentro da trama atende as necessidades essenciais do enredo. A disputa de forças com Tony Stark foi seu ponto alto, e imprescindível como elemento necessário na fórmula dos quadrinhos levada ao cinema. Divergências entre heróis, sempre foi comum nas HQs. Como a reunião de personagens diferentes da mesma editora em uma única publicação sempre resultou em confrontos inflamados nem sempre justificáveis.


Trata-se de um filme cuja realização técnica é irretocável. A direção de fotografia de Seamus McGarvey ressalta a o brilho e as cores que fazem lembrança ao formato dos quadrinhos. Os efeitos visuais estão bem acabados e sempre tem sua aparição em momentos cruciais da trama, deixando claro o brilhantismo da produção. Os efeitos visuais são ferramentas para se obter o resultado, e não o objetivo do trabalho. O destaque fica por conta do elenco, que puxa para si as atenções do espectador, independente se estão verdes ou voando. A importância inegavelmente existe, justamente por se tratar de um filme de heróis, mas o roteiro proporciona bons momentos com apenas diálogos e imagens legais de nossos heróis. A trilha sonora de Alan Silvestri também funciona redonda, apesar do pouco tino comercial que marca a cinessérie do Homem de Ferro com AC/DC e Black Sabbath. Um excelente filme para ser conferido em 3D, apesar de perder força desse recurso na telinha.


E Robert Downey Jr. interpretando o Homem de Ferro, somente nos fez salivar pelo lançamento do terceiro filme, que se mostrou otimista por parte da Marvel Studios em aumentar seu orçamento na expectativa de realizar mais um grande marco de bilheteria através do sucesso alcançado pelo filme dos Vingadores. Logicamente trata-se de entretenimento criado para proporcionar lucro, onde poucos longas do genero conseguem transcender os limites das possibilidades como a franquia do Homem Morcego realizada por Chrstopher Nolan. E se há alguém a agradecer pelo fantástico filme que “Os Vingadores” se tornou afinal, sem dúvida nenhuma todos os aplausos devem ser direcionados a Robert Downey Jr. por seu carisma e sua transposição perfeita do herdeiro das Industrias Stark. Nada mais justo que os trailers pré-exibição fossem monopolizados pela presença dele. Outras sequências dos personagens vêm por aí, e certamente dos Vingadores virá também no seu tempo. Resta-nos aguardar por mais um ano de transposições cinematográficas de sucesso como tivemos em 2012.  

Avante Vingadores! 

Nota: 9/10