terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ilustrações de Chris Uminga | Ilustrações & Arte

O ilustrador Chris Uminga é famoso por reproduzir ilustrações do Batman e de seus antagonistas no formato cartoon, com um detalhamento mais sombrio e com requintes de maldade em traços subversivos. São ilustrações no mínimo curiosas e indispensáveis para o conhecimento de fãs do personagem. Suas inspirações claramente moram na cultura POP. Deixo alguns de seus trabalhos exempleficando seu evidente talento na criação de ilustrações diferenciadas dos personagens que cercam o universo do Homem-Morcego: 








Muito legais essas ilustrações!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Paprika | Uma Animação de Satoshi Kon (2006)



Baseado no romance de ficção científica de Yasutaka Tsutsui, de 1993, essa animação chamada “Paprika” (Papurika, 2006), produzida pelos estúdios Madhouse, tem sua trama focada em uma revolucionária tecnologia que possibilita a visualização dos sonhos e a exploração exclusiva do subconsciente das pessoas. Quando vi a sinopse dessa animação pela primeira vez fui tomado pela lembrança imediata do filme dirigido por Christopher Nolan, chamado “A Origem”. Como em “Paprika”, o filme de Nolan tem em sua inverossímil trama esse elemento como sua característica mais marcante. Porém, “Paprika” apresenta uma visão muito mais arrojada dessa mesma premissa, tanto visualmente quanto no enredo amplamente criativo e fantástico que fecha redondamente sem furos. 


Nessa animação de Satoshi Kon (Perfect Blue), cuja história acompanha a uso ilegal de uma revolucionária criação tecnológica chamada “DC Mini”, que possibilita a visualização dos sonhos com total autonomia sobre o subconsciente das pessoas. Porém sem ter ainda a aprovação legal do uso prático dessa inovadora invenção, que por sinal foi usada no tratamento de um policial chamado Konakawa Toshimi, após apresentar sintomas de ansiedade neurótica, é tratado por Atsuko Chiba, através de seu alter-ego Paprika em um mundo onde a realidade e a ficção se misturam. No entanto, algumas máquinas foram roubadas e o subconsciente de várias pessoas passa a ser invadido sem consentimento. Assim, o policial, e os envolvidos na criação dessas máquinas, buscam a identidade dos autores desse roubo, dormindo e penetrando no universo surreal de Paprika a fim de impedir que os criminosos saiam impunes. 

Nessa produção Satoshi Kon consegue incrivelmente explorar ao extremo as possibilidades desse enredo fantástico, tanto visualmente quanto de forma narrativa. Apesar de se tratar de uma animação, essa produção não poupa o espectador de certas imagens e situações extremadas: nudez, estupro, suicídios, e outras situações visuais perturbadoras. Para um espectador mais sensível em lidar com o extremismo do formato animado, não é recomendável, mas ainda assim, não tira o charme dessa animação nada infantil que foi muito bem conduzida, e que não apresenta desperdício de tempo. As camadas da trama são bem aproveitadas, apresentado constantes idas e vindas, no labirinto dos sonhos, que por vezes tornam-se pesadelos aterrorizantes devido à manipulação. A dureza do conteúdo e sobreposta pela beleza dos detalhes visuais dessa animação, cheia de simbolismos carregados de referência e uma profundidade psicológica madura, onde ao final, é concluída com um desfecho que demonstra a afinação do roteiro de Satoshi Kon e Seishi Minakami. 

E se o visual enche os olhos do espectador, com delírios imaginativos, a trilha sonora de Susumu Hirasawa, vem a acentuar todo esse capricho. Os japoneses são feras em mesclar ideias diferenciadas em um único produto, sem aparentar descompasso no resultado. Paprika é um teste de difícil alcance de sucesso que surpreende pelo nivelamento da qualidade que se estende pelos quase 90 minutos de duração. É a união perspicaz de roteiro, visual e sonoridade numa produção focada num público extremamente exigente. Ao contrario de animações ocidentais, cheias convencionalismos, com piadas e canções carregadas de lirismo, os animes procuram constantes inovações para se reinventar e continuar a cativar novos seguidores.  


Por fim, essa animação chamada “Paprika” é de uma originalidade única – criativamente instigante e violenta. Detentora de vários prêmios em renomados festivais pelo mundo, essa produção tem como chamariz possuir o aval de qualidade expedido diretamente pela crítica, além do culto por parte de fãs do gênero. Imprescindível em ser descoberta.  

Nota: 7,5/10   
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domingo, 20 de janeiro de 2013

Paisagens Surreais de David Keochkerian | Fotografia


David Keochkerian é o fotógrafo responsável pelas paisagens incríveis que tem se infestado na internet ultimamente. Cores e texturas sofrem sua interferência através de seu estilo técnico de inverter a realidade visual das paisagens.  Apenas armado com uma câmera com o recurso de tecnologia infravermelha – que usa um filtro de lentes específicas que filtram toda a luz - ele viaja pela França tirando fotografias incríveis que resultam em imagens surreais de beleza singular. 

Confira as Imagens: 

 






Fabulosas fotos!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Crítica: Clã das Adagas Voadoras | Um Filme de Zhang Yimou (2004)



Poucos são os filmes que despertam em mim o desejo de publicar um post todo composto por imagens da fita em questão. O “Clã das Adagas Voadoras” (House of Flying Daggers, 2004) é quase um exemplo materializado desse desejo. Dirigido por Zhang Yimou (Nenhum a Menos), esse longa repleto de belas imagens é um espetáculo visual raro da sétima arte oriundo do Oriente. Repleto de majestosas paisagens e uma direção de arte competente, amparada por uma direção de fotográfica esplêndida, esse filme trás todo o lirismo do cinema chinês e a atmosfera mágica dos grandes filmes de artes marciais para a película de forma magistral. Mesmo que narrativamente seja menos promissor que “Herói” - outro trabalho esteticamente similar de Yimou – o “Clã das Adagas Voadoras”, tem em seu visual apurado carregado de cor e magia, e nas coreografias marciais fantásticas por sua vez, seu maior trunfo. A história dessa fita se passa no século IX, quando a dinastia Tang na China tem se encontrado enfraquecida e corruptível, tendo ainda um exército rebelde chamado “Clã das Adagas Voadoras” em constantes confrontos contra as forças militares do império que assolam a nação com constantes roubos contra a burguesia. Numa estratégia de impedi-los, devido ao agravamento da situação, Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro) dois capitães do exército imperial planejam encontrar o perigoso Clã através do uso de uma dançarina cega chamada Mei (Zhang Ziyi), que possivelmente tem ligação com os líderes desse movimento criminoso. Porém ambos nutrem um amor pela mesma, desencadeando desse triangulo amoroso um conflito que resulta em um duelo fatal.

Apesar do contexto político expresso na trama, o romance dos protagonistas é o elemento que movimenta toda a rede de intrigas dessa história. Amores proibidos, e não correspondidos, são as ferramentas que o roteiro se utiliza para intercalar as sequências de ação. Mais do que um filme de artes marciais, essa fita é um romance bem ambientado e com uma atmosfera incrível. Os interesses dos protagonistas se transformam no decorrer dos fatos e as motivações se alteram deixando as prioridades da nação a margem das paixões nas quais os protagonistas estão envoltos. Tudo bem condimentado pelo estilo lírico do cinema chinês que exaltar em sobreposição honra e amor numa trama abarrotada de tragédia. A insignificância da individualidade diante de um bem maior. E mesmo com direito a instigantes reviravoltas - um pouco para fugir da mesmice – é inegável que seja nas cenas de luta que reside as maiores qualidades do gênero. No caso desse longa, não precisamente nas coreografias da luta em si, mas na beleza do visual que cerca toda a ação. Cores enaltecidas e enquadramentos precisos em planos longos que transformam a mais corriqueira paisagem em uma pintura impressionista. Como no desfecho, onde a atmosfera se transforma ao redor ganhando contornos e cores diferentes – começa com sol e termina com uma doce nevasca numa transição pouco natural, mas esteticamente interessante. Os confrontos ocorridos numa cena clássica do gênero – nos bambuzais – têm as melhores qualidades da direção de fotografia. O verde do bambu nunca foi tão verdejante quanto possível como nessa sequência.

Naturalmente que o “Clã das Adagas Voadoras” está distante de um confronto a altura com o “O Tigre e o Dragão”, filme dirigido por Ang Lee e responsável pelo resgate do gênero as salas internacionais de cinema. Acompanha a pouca distância “Herói”, seu irmão mais expressivo dentro do cinemão, muito por ter tido como protagonista o astro Jet Li, sempre carismático aos olhos do Ocidente. Porém, mesmo com suas deficiências, não diria técnicas, ainda o julgo ser um belo exemplar do gênero do kung fu productions, mesmo que seja meramente decorativo. 

Nota: 7/10
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Crítica: Soldado Anônimo | Um Filme de Sam Mendes (2005)



Mais do que de filmes de guerra propriamente, sempre fui fã de dramas de guerra. Se há algo que me chama mais a atenção do que um show pirotécnico que ilumina e estremece a película são os dramas pessoais aos quais os envolvidos são diretamente bombardeados nesses conflitos militarizados. O conflito que se passa no interior de cada sodado em relação a sua condição. E é justamente sobre isso que o diretor Sam Mendes procura explorar com ênfase através de "Soldado Anônimo" (Jarhead, 2005). Um filme que mostra de uma forma bastante particular o lado humano desses homens e mulheres afetados pela guerra sem apelar para clichês e espetáculos visuais sobrepostos. 


Inspirado no livro autobiográfico de Antony Swofford (interpretado pelo ator Jake Gyllenhaal), a trama enfoca o tédio que ronda um esquadrão a espera de um confronto com as tropas iraquianas na Guerra do Golfo em 1991. Acompanha os soldados americanos, em especial Swofford, pelo treinamento desgastante e necessário para a batalha, passando pela espera angustiante pelo confronto com o inimigo que culmina numa decepção arrebatadora, ao perceber, que ao contrário do que ele esperava, não fez a diferença. Foi uma guerra, que quando começou, durou apenas poucos dias, e o mérito pelas manobras militares que levaram os Estados Unidos da América a vitória, com a derrubada do governo de Saddam Hussein foram atribuídas à campanha Tempestade do Deserto – o que gerou o termo “Guerra Videogame” – onde a tecnologia de caças e mísseis tele guiados fizeram todo o estrago enquanto a infantaria assistia tudo de camarote. Nem todos os soldados reagiram de acordo com resultados dessa guerra, por assim dizer vitoriosos.

A direção de Mendes entrega um filme incomum, em sua maior duração contemplativo. Com um inicio que remete claramente como uma homenagem ao clássico “Nascido para Matar” (1987), dirigido por Stanley Kubrick, onde os percalços do protagonista nos cercados do quartel servem como introdução para nos familiarizar com os personagens, que dentre eles, se destaca Jamie Fox, como o oficial responsável pela tropa, vemos a rotina militar através da perspectiva de Swofford até a chegada à zona de combate. Enquanto Jake Gyllenhaal mostra todo seu cinismo e sua visão intelectual sobre guerra, Jamie Fox é a imagem da devoção por um ideal seguido por uma doutrina rigorosa regida pelas forças armadas. Tanto um quanto o outro estão soberbos em suas interpretações, apoiadas pela atmosfera delicada da narrativa de Mendes, ocasionalmente pausada com passagens bem humoradas.

Se o espectador espera ver banhos de sangue e violência desenfreada ao som de metralhadoras sem direção, esqueça. A proposta desse longa está além disso. Está no impacto dos acontecimentos para os soldados, não no futuro, mas no presente momento. Traumas de guerra já foram excessivamente abordados em outros filmes. Com Mendes os sintomas são imediatos. As dificuldades de manter a sanidade depois de semanas torrando em solo árabe a espera de alguma ação, que quando confrontada, como numa sequência em especial, é impossibilitado por ordens superiores é o retrato da frustração que assola alguém por não alcançar seus objetivos. Perceber que todo sacrifício feito virou uma formalidade meramente desnecessária. 


De fato, “Soldado Anônimo” é um filme de difícil digestão para apetites mais vorazes por ação. Mas bem aproveitado por Mendes como um estudo interessante do comportamento humano ao ser exposto a situações de pressão e esgotamento por circunstâncias extremadas. Ao vermos os mortos, pela perspectiva do protagonista, sem tiroteios e granadas explodindo de relance, nos resta imaginar pelas experiências cinematográficas passadas, o levou a isso, enquanto Mendes nos apresenta com competência um raro e esplêndido drama de guerra.

Nota: 7/10
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