Cartazes Minimalistas criados pelo ilustrador Olly Moss para saga de Star Wars.
sábado, 17 de novembro de 2012
Cartazes Minimalistas Star Wars | Ilustrado por Olly Moss
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Crítica: Deus da Carnificina | Um Filme de Roman Polanski (2011)
Roman Polanski, como todo grande artista alvejado pelo destino também procura exorcizar seus demônios do passado através de seu trabalho. E quando decidiu transpor a peça teatral de Yasmina Reza (premiada com o Tony), cujo foco é a dissolução do verniz que recobre membros aparentemente distintos da sociedade, ele expressa sua injúria diante da hipocrisia de uma sociedade que até pode condená-lo com razão, mas que sob as condições adequadas, não se apresentam melhores ou menos incorruptíveis quanto ele. No longa "Deus da Carnificina" (Carnage, 2011) a história nos leva a acompanhar a reação de dois casais de pais cujos filhos deles protagonizam uma discussão que culminou numa agressão física. No apartamento do garoto agredido, os pais Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly) mostram através de imagens de uma câmera aos pais do agressor, Nancy (Kate Winslet) e Alan (Christoph Waltz) as cenas do acontecido, para que de forma civilizada discutissem a atitude que devem tomar a respeito da situação. Porém nem tudo sai como esperado, e o que era uma boa ideia em teoria aos poucos se demonstra um fracasso total.
Outros cineastas como Sam Mendes, criaram preciosidades ao longo de sua carreira que focam a mesma temática aplicada em “Deus da Carnificina”, onde em “Beleza Americana” (2005), filme premiado pela Academia e cultuado pelo público aborda o jogo das aparências sociais e o verniz da sociedade com uma dramaticidade magistral. Contudo, enquanto Mendes transpõe sua obra cinematográfica de forma convencional ao formato, amplo em locações e personagens que se cruzam esporadicamente, Polanski restringe seu longa aos limites do apartamento de Penelope e Michael, fazendo desse filme uma espécie de teatro filmado. E o que poderia resultar em um filme chato e minimalista, consegue ultrapassar os limites graças ao roteiro ciente de sua condição teatral, com diálogos afiados e atitudes convictas, em um ritmo onde a ação verbal cresce na medida em que os personagens vão se esquecendo das motivações dessa reunião. Os ânimos vão da calmaria ao confronto físico, onde muita roupa suja é lavada e que as intimidades dos casais tomam as rédeas do debate que aborda questões sobre amizade e companheirismo. Mas nada funcionaria com tamanho esmero se não fosse pelo afinado elenco que impressiona, captados pela câmera de Polanski com habilidade de transpor as nuances de cada personagem de forma única.
Por fim, o maior mérito de "Deus da Carnificina" está na escolha narrativa, arriscada por suas limitações físicas, pois toda ação é restringida aos cômodos do apartamento, mas que graças a um elenco competente, atende ao anseio do público sem problemas. Que se diga o ator Chistoph Waltz, revelado por Quentin Tarantino em "Bastardos Inglórios", que impressiona com sua interpretação, o colocando num seleto grupo de feras da atuação contemporânea.
Por fim, o maior mérito de "Deus da Carnificina" está na escolha narrativa, arriscada por suas limitações físicas, pois toda ação é restringida aos cômodos do apartamento, mas que graças a um elenco competente, atende ao anseio do público sem problemas. Que se diga o ator Chistoph Waltz, revelado por Quentin Tarantino em "Bastardos Inglórios", que impressiona com sua interpretação, o colocando num seleto grupo de feras da atuação contemporânea.
Nota: 8,5/10
_____________________________________________________________________________
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Crítica: O Alfaiate do Panamá | Um Filme de John Boorman (2001)
Enquanto muitos atores correm de papéis que os vinculem a imagem de um personagem em especial, o ator Pierce Brosnan além de seguir na direção oposta, ainda por cima mais tarde insistiu em desempenhar o mesmo papel de forma diferente. Esse filme é um thriller de espionagem cheio de personagens amorais, intrigas politicas e com a sensualidade censurada pela franquia 007. E o que a principio até poderia ser encarado como uma versão mais séria do personagem, senão um plágio acaba ganhando contornos narrativos de uma sátira. Baseado no romance de John Le Carré (também autor de “O Jardineiro Fiel” e “O Homem que Sabia Demais”), um profundo conhecedor da literatura focada no gênero de espionagem, o longa-metragem “O Alfaiate do Panamá” (The Tailor of Panama, 2001) conta a história de Harry Pendel (Geoffrey Rush) um alfaiate inglês, que se exilou no Panamá depois de ser condenado na Inglaterra por crimes de sonegação, e que pelas circunstâncias de sua profissão fez amigos poderosos no meio político e econômico da cidade nos mais altos escalões da sociedade. Depois de anos em território panamenho, justo no período de ascensão e derrota do ditador Manuel Antonio Noriega, Harry ganha certa notoriedade nas terras da Vossa Majestade. Assim Andy Osnard (Pierce Brosnan), um agente especial é despachado para o Panamá pela a rainha depois de uma missão desastrosa e usa convenientemente o influente alfaiate como contato para adquirir informações importantes de seus clientes. O canal do Panamá sempre esteve numa condição insegura aos olhos internacionais. A missão de Andy é assegurar que o governo tenha condição manter o controle sobre o canal para impedir o domínio do narcotráfico sobre ele. De um lado, temos um agente obstinado a conseguir as informações necessárias a qualquer custo, mesmo tendo que chantagear seu informante, que detém segredos inclusive de sua esposa (Jamie Lee Curtis) e do outro lado, há Harry capaz de fabricar as informações de acordo com a necessidade, pois os ganhos pelos serviços podem livrá-lo de certas dívidas inconvenientes.
Num filme sem heróis ou vilões essa trama de espionagem roteirizada por Andrew Davis não tem nada a ver com as pirotecnias da franquia de James Bond (que inclusive Pierce Brosnan já interpretou) ou de Jason Bourne. Enquanto a ausência dessas características o faz perder o brilho do entretenimento fácil, esse longa ganha pontos pela visão mais realista sobre o universo da espionagem de forma mais garantida e verossímil, apesar de excêntrica em certas situações. A ação fica condensada a trama que funciona como o combustível para o sustento das interpretações do agente politicamente incorreto e do alfaiate dissimulado e ganancioso. Harry, ao ver que enquanto tira as medidas dos poderosos para realizar seu trabalho, não consegue ouvir nenhuma informação relevante, assim não hesita em forjar informações, para atender a pressão do contratante, e ganhar um dinheiro fácil no processo. Como Andy não pensa duas vezes antes de se deitar com a esposa de Harry, deixando de lado o papel de agente especial galanteador pelo papel de espião canalha. Sem a pretensão de superar os filmes de espionagem consagrados que todos conhecemos, “O Alfaiate do Panamá” pode ser uma boa aventura realizada com uma descrição diferenciada. Naturalmente os personagens deixaram a elegância e o charme dos famosos espiões de lado, detentores de glamour e carrões possantes, limitando-se ao perfil de pilantras oportunistas mais comuns, mas que possivelmente podem ser o reflexo mais fiel desse universo onde as intrigas e interesses políticos tomaram o lugar de ameaças nucleares de destruição em massa que tanto assombravam o imaginário do poderio britânico.
Nota: 6,5/10
________________________________________________________________________
Nota: 6,5/10
________________________________________________________________________
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Crítica: 007 – Operação Skyfall | Um Filme de Sam Mendes (2012)
Devo admitir e enfatizar que o que escrevo aqui não se trata de uma crítica propriamente dita. Particularmente acho a palavra crítica, uma definição ligeiramente negativa para definir minhas impressões quanto ao filme referido, e por essa razão, aprecio a ideia de estar apenas escrevendo minha opinião. Boa ou ruim, apenas minha reles opinião. A meu ver, a palavra crítica somente se aplicaria a esse filme caso ele não atendesse as minhas expectativas primárias as quais cozinho há meses, e que na verdade foram atendidas prontamente deixando-me satisfeito logo de início, antes mesmo da aparição dos créditos iniciais que surgiam ao som de Adele. Portanto, o filme 007 – Operação Skyfall (Skyfall, 2012), demostra pontualmente que “Cassino Royale” não foi um golpe de sorte, e que a desandada de “Quantum of Solace” não seria algo crescente acabando com a iniciativa de reciclar essa cinessérie que com esse longa completa 50 anos e o 23º filme realizado. Certamente que esse longa pode ser considerado um dos melhores filmes da franquia, e senão pelo menos o melhor da trilogia protagonizada por Daniel Craig.
Na trama de “007 – Operação Skyfall”, a lealdade do agente James Bond (Daniel Craig) a sua chefe M (Judy Dench) é testada intensamente quando seu passado começa ser uma ameaça à estrutura do MI6 que está sob ataques de um terrorista desconhecido. Tudo leva a crer que o roubo de uma lista de nomes de agentes espalhados pelo mundo foi realizado como ato de vingança direta a M. Logo na introdução podemos ver Bond sendo dado por perdido depois de uma missão mal sucedida e em seguida ressurgindo dos mortos para ajudar a desvendar e destruir a ameaça personificada por um ex-agente do MI6, chamado Silva (Javier Bardem) o qual nutre um ódio descomunal pela sua ex-chefe M, e que por esse motivo não medirá esforços para executar sua vingança.
Retornando à forma clássica da franquia, a trama cria constantes contrastes focados na trajetória do personagem e da série, porém ainda através de uma sutileza referencial que funciona inclusive como uma bem vinda homenagem. Pois já temos o “Martini” do gosto de Bond definido, o clássico “Aston Martin” obtido através de uma partida de pôquer rodando a pleno vapor e repleto de acessórios, a inserção do Q (Ben Whishaw) na rotina do espião, como também já lhe foi apresentado outra personagem de recepção icônica nas missões de Bond, entre muitas outras referências e homenagens distribuídas ao longo dos 146 minutos de duração desse longa.
A constante variação aplicada a essa produção onde o velho e o inovador se misturam eleva o status da franquia a outros patamares. Enquanto “Cassino Royale” remetia totalmente as origens do personagem, “Skyfall” mescla magistralmente vários elementos do passado com o futuro do agente. James Bond tem sentido o peso da idade naturalmente. E se seus métodos arcaicos que sempre funcionaram bem para resolver os problemas acabam por se tornar ultrapassados numa era onde computadores definem os resultados, ele batalha para se manter necessário e relevante para o MI6. E se o confronto do futuro com o passado funciona de forma narrativa, certamente é devido ao roteiro de Neal Purvis, Robert Wade, John Logan que fazem bom uso desse princípio – sem exageros ou floreios desnecessários.
Mas a escolha da direção se fez fundamental para o crescimento dessa trama. Sam Mendes, famoso por ser um cineasta autoral foi uma escolha primordial para o bem sucedimento da missão, cuja a produtora Barbara Broccolli sempre procura diretores capazes de conduzir o espetáculo, desde que se mantenham certos critérios narrativos intocáveis que zelam pela integridade do formato. Por isso as cenas de ação não vieram com nada de novo, mas com o mesmo padrão de qualidade que a franquia ostenta veemente. Coube assim a Mendes apenas dar a fluência que a trama necessita, delineando todas as nuances que o roteiro requeria através dos dramas pessoais dos personagens envolvidos. E se em algum momento crítico esse filme não se firme como fluente, o mesmo não pode se cogitar quanto a engraçado, pois a várias tiradas de humor distribuídas ao longo da ação fazem desse longa um programa extremamente divertido, pelo humor inteligente que faz bom uso da ironia e do sarcasmo do agente especial mais famoso da história do cinema.
Contudo, nem o mais habilidoso dos habilidosos heróis consegue sustentar uma trama bem composta, se não tiver um antagonista à altura. E é nesse quesito que mora a maior qualidade dessa produção, pois Javier Bardem se apresenta como um dos mais interessantes vilões ao qual James Bond se confrontou ao decorrer da franquia, mesmo com a pouca exposição de tela ao qual foi submetido, marca uma presença gratificante. Não é a toa que a trama remeta após certos eventos a lembrança de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” detentora também de outro vilão impactante, esse interpretado por Headger Lether no papel de Coringa. Particularmente a ausência desse elemento de força foi menosprezada na trama do filme anterior, levando o filme “Quantum of Solace” a cometer um de seus maiores equívocos.
Mas Javier Bardem compõe um vilão que pela lógica é o oposto do herói. Em vários momentos da trama o roteiro exibe indícios dos opostos, e de como há um confronto ideológico no qual eles se afirmam como detentores da razão, que no caso de Bardem, serve como justificativa para cometer atos de terrorismo motivados por vingança. Talvez um dos melhores momentos da dupla, que esbanja esmero na interpretação de seus personagens. Com um desfecho que explica a razão do título e põe mais lenha na fogueira sobre o duelo de seus protagonistas, e passamos a ficar um pouco mais familiarizados com a história da origem do agente James Bond pouco explorada apesar de ter sido antes mencionada em breves momentos de sua trajetória cinematográfica.
Por fim, “007 – Operação Skyfall” ressuscita com intensidade algo que supostamente poderia ter feito o cair na mesmice e consequentemente no esquecimento há muitos anos atrás, se não fosse aplicada essa narrativa de auto-homenagem que se reinventa e que tem rendido momentos inspiradores. Como o próprio Daniel Craig afirma numa certa cena do filme, onde ele passa por uma avaliação psicológica nas dependências da agência de espionagem para ser reintegrado ao seu antigo posto após ter sido dado como morto, por enquanto ressurreição é para ele apenas um hobby. Mal posso esperar quando ele levar a sério mesmo esse hobby.
Nota: 9/10
____________________________________________________________________________
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Crítica: Crime em Palmetto | Um Filme de Volker Schlöndorff (1996)
Baseado no livro "Just Another Sucker" escrito pelo inglês James Hadley Chase, e roteirizado por E. Max Frye, “Crime em Palmetto” (Palmetto, 1998) é um filme noir bem ambientado em pleno anos 90. Mostra aquela qualidade do gênero onde o espectador pode constatar que a mulher pode ser a glória ou a desgraça de um homem. E essa é a essência de um bom film noir, que mais do que uma vítima masculina apropriada, precisa de um femme fatale convincente. Enquanto Woody Harrelson se debate enlouquecido pelas circunstâncias da trama, que oscilam entre comédia e tragédia, Elisabeth Shue esbanja sensualidade e astúcia como requer a necessidade. Ainda por cima, tem Gina Gerson belíssima em seu papel para completar e enriquecer as várias reviravoltas desse thriller.
A história acompanha a trajetória de Harry Barber (Woody Harrelson), um ex-jornalista que foi preso por engano e posteriormente libertado após dois anos detido. De mal com a vida, a única coisa que o faz permanecer na cidade é Nina (Gina Gerson) com quem está vivendo junto. Desiludido em um bar, Rhea Malroux (Elisabeth Shue) cruza seu caminho com uma proposta tentadora de negócios. Ela é casada com um dos homens mais ricos da cidade, que mesmo que esteja terminalmente mal de saúde, ainda vai demorar sua partida desse mundo. Nesse momento que começa a jogada de mestre. Barber se encarregaria de cumprir a parte burocrática de sequestrar falsamente sua enteada Odete (Chloë Sevigny) que também está envolvida no golpe. Ele ficava com cinquenta mil dólares de um montante de quinhentos mil que seria dividido entre elas do pagamento do resgate. Barber reluta a princípio, mas topa o golpe. Porém após o sequestro tudo foge de controle, pois de um falso sequestro a situação se inverte para um verdadeiro assassinato, e que convenientemente todas as pistas apontam para ele como único autor do crime.
O personagem de Harrelson age na trama de forma bilateral, pois ao mesmo tempo em que está envolvido no crime de sequestro, passa ironicamente a ser responsável pelo freio da impressa ávida por noticias sobre o caso. Por mais cômoda que seja sua situação diante desse golpe, graças às possibilidades que essa inusitada função lhe agregaria, nada corre de acordo como o planejado, devido ao fato, de seu personagem nessa trama ser apenas uma ferramenta no joguete da verdadeira criminosa dessa história. Seduzido e emburrecido pela beleza e sensualidade das mulheres que dividem a tela com ele, em especial a atriz Chloë Sevigny, cujo papel concilia uma Lolita com a experiência de uma mulher feita, Harrelson apresenta uma interpretação inspirada de um personagem inevitavelmente previsível nas mãos de uma mulher, mas ainda assim fascinante por sua composição simplista.
O show fica por conta do elenco feminino, que tem os melhores diálogos e é responsável pela manipulação do personagem de Harrelson, que invariavelmente não esconde seu espanto e indignação por sua condição desfavorável na trama, que climaticamente tem cerca de umas quatro reviravoltas emocionantes. Contudo, nenhuma distante do enredo ou inverossímil. A cena dele abrindo o porta-malas para um policial, sabendo da existência de um corpo no interior, varia entre um destino trágico a um desfecho cômico. Pode ser considerada uma cena improvável, mas ainda assim necessária em função da criação de um bom entretenimento moderno. Como as cenas sensuais exibem uma beleza visual estética apurada muito bem conduzida por uma edição consciente de Peter Przygodda do que se deve ou não mostrar sem causar frustração do espectador ansioso por uma cena mais quente.
O filme pode ser rotulado como confuso a primeira vista, mas basta lhe dar tempo para que ela se mostre fascinante. É quase impossível que o espectador não sofra com as angústias de Barber, que mais cedeu a tentação desse golpe pela atitude sedutora de Elisabeth Shue, do que propriamente pelo dinheiro. Sua integridade se desfez junto com o fim de sua abstinência alcoólica. Ele até começa firme diante do vício, mas basta vislumbrar a desgraça na qual se meteu para perder o rumo das coisas de vez. Seu personagem acaba ficando a mercê do desejo de uma femme fatale a espera do inevitável. Muito do fascínio da história desse longa pode ser atribuída a direção de Volker Schlöndorff, precisa na narrativa do gênero, e da trama de James Hadley Chase, que curiosamente jamais conhecera a cidade de Palmetto na verdade.
Obviamente “Crime em Palmetto” não destrona clássicos do gênero, mas entretém o espectador de maneira competente. E pela leveza da trama que associada à interpretação tragicômica de Woody Harrelson inclusive diverte muito. Com os requintes de uma produção caprichada, que usa com perfeição todos os macetes necessários para compor um bom thriller, esse longa-metragem, apesar de alguns mínimos derrapes está perfeito como está.
Nota: 8/10
_____________________________________________________________________________
Nota: 8/10
_____________________________________________________________________________
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Crítica: O Caçador | Um Filme de Daniel Nettheim (2011)
Baseado no romance de Julia Leigh, o filme "O Caçador" (The Hunter, 2011) até pode ser confundido a primeira vista como apenas mais um filme estrelado pelo incessante trabalhador Willem Dafoe. Com uma filmografia com mais de setenta filmes, raramente ele não deixou passar um ano sem emplacar um lançamento. Entre trabalhos curiosos como “A Sombra do Vampiro” (2000) onde está irreconhecível sob camadas de maquiagem; comerciais como o Duende Verde em “Homem Aranha” (2002); ou filmes emblemáticos como o combatente traído do Vietnã em “Platoon” (1986). Trata-se de um dos atores mais talentosos de sua geração, muitas vezes mal aproveitado, e que felizmente não é o caso dessa produção. Em “O Caçador” ele interpreta um mercenário enviado a uma terra distante no cumprimento de ordens de uma empresa de biotecnologia militar, com a missão de encontrar o paradeiro do que seria o último Tigre da Tasmânia do mundo – o animal está oficialmente extinto desde a década de 30. Para completar a missão, ele precisa matar o animal, sumir com os vestígios mortais e trazer amostras de seu DNA com a finalidade de reproduzir a toxina paralisante que o animal detém em sua natureza selvagem.
Na trama que começa com sua chegada a um território inóspito, ocultando dos moradores locais suas verdadeiras pretensões, passa a residir numa casa de família na região. Dafoe passa a conviver com essa família traumatizada pelo desaparecimento do marido – o lar era composto por uma dona de casa, mãe de dois filhos – onde o protagonista é visto como um pesquisador forasteiro. A mãe tem fortes indícios de depressão causados pelo sumiço do marido e Dafoe passa a conviver com as dores que esse desaparecimento causara. Com uma narrativa que aborda esse drama familiar, o protagonista se vê transformado diante das circunstâncias. Quando chegou a essa terra era um homem obstinado por objetivos e resultados, frio e calculista. Porém o contato mais pessoal com a dor alheia causou um amolecimento de seu coração demonstrando o quanto esse homem durão pode ser sensível quando exposto as eventos que aflorem sensibilidade.
O filme tem uma produção simples, presa a um ambiente mínimo e visualmente rico, bem explorado por uma fotografia lindíssima, e acentuado por uma trilha sonora hipnótica. Com atuações convincentes e dramaticidade acima da média, foi bem conduzido pela direção Daniel Nettheim, que alterna entre muitos focos, o trauma familiar e o objetivo do protagonista de maneira bem medida. O que poderia ser somente um filme para pagar contas na mão de um ator menos capaz, através da interpretação de Willem Dafoe, esse filme “O Caçador” consegue ser relevante dentro de sua filmografia. Dafoe estudou técnicas de sobrevivência e treinou métodos de caça para compor seu personagem de forma convincente, além de ler a obra que inspirou o filme. O resto ficou por conta de seu talento natural de dar magnitude a personagens inicialmente interessantes.
Nota: 7,5/10
_____________________________________________________________________________
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
Crítica: The Spirit - O Filme | Um Filme de Frank Miller (2008)
Com visual noir e estilizado o desenhista Frank Miller assume definitivamente a cadeira de diretor e faz sua estreia na direção através "The Spirit - O Filme" (The Spirit, 2008), homenageando assim seu mentor Will Eisner ao transpor para o cinema um de seus trabalhos mais marcante no ramo dos quadrinhos. Seguindo a estética visual adotada por Robert Rodrigues em “Sin City”, que recriou com perfeição cada página de sua fonte para a película de uma forma nunca antes vista, Frank Miller se arma com as mesmas ferramentas e dá vida ao policial assassinado Denny Colt e que volta a vida misteriosamente fazendo o papel de vigilante em uma cidade tomada pelo crime.
O artista gráfico Will Eisner começou sua carreira de ilustrador em jornais e revistas pulp fiction. O personagem de “The Spirit” apareceu através de uma encomenda da Quality Comics para suprir uma necessidade por histórias em jornais dominicais, que foi desencadeada pelo boom dos quadrinhos, liderado pelo Superman e Batman. Eisner foi inovador na hora de desenvolver suas histórias para adultos e costumeiros leitores de jornal. Queriam que ele criasse um vigilante uniformizado para concorrer com os personagens da DC Comics. E em toda sua simplicidade, Eisner apenas lhe concedeu uma máscara que também atendia ao pedido da editora. O personagem Spirit, era o policial Denny, morto e trazido de volta à vida, que se escondia numa caverna sob seu túmulo, e combatia na noite os criminosos mais bizarros que se podia imaginar. Seu personagem era uma representação da luta do homem comum em um ambiente urbano, distanciado da fantasia dos super-heróis consagrados, e que apresentava perfeitas metáforas da vida real através da visão do autor onde misturava humor e violência.
O filme “The Spirit” acompanha Denny Colt (Gabriel Match) um colaborador da policia de Central City, que trabalha em conjunto com o comissário Dolan (Dan Lauria) e sua filha, Ellen (Sarah Paulson), a qual mantinha constantes flertes entre muitas outras personagens femininas que transitam pela tela. Seu arquirrival é Octopus (Samuel L. Jackson) que também, como Denny Colt, se apresenta invulnerável, e em certo momento, responsável por essa peculiaridade. Octopus conta com a ajuda de sua assistente ambiciosa Silken Floss (Scarlett Johansson) deslumbrante e perigosa. Sand Saref (Eva Mendes) é uma ex-paixão de Colt, que transformada em vilã após vários anos desaparecida, surge em cena para roubar um tesouro de posse de Octopus. No encalço do herói ainda há Lorelei (Jamie King) uma entidade sobrenatural que deseja o Spirit que tarda por morrer. No meio de todas essas mentes criminosas, Spirit luta contra o crime e por respostas para sua imortalidade.
Frank Miller, certa vez declarou que jamais cogitou a possibilidade de abandonar a atividade de roteirista e desenhista de quadrinhos para assumir a função de diretor de cinema. Ainda bem. Por mais que a trama desse longa seja bem feita, a produção seja bem acabada, “The Spirit” não se aproxima do brilho de seu trabalho em “Sin City”, apesar das infinitas semelhanças. E talvez este seja seu calcanhar de Aquiles. Mesmo com um trabalho elegante e bem afinado, o personagem de destaque que dá título a essa produção, não desperta o mesmo carisma no espectador como aqueles que transitam no longa que dirigiu em parceria com Robert Rodrigues – principalmente nos menos familiarizados com as suas origens. Composto com vários elementos de outros trabalhos de Miller, como Batman, sua transposição para o cinema foi debilitada pelo excesso de comparações que não funcionaram bem como homenagem da forma que Miller projetava em teoria. O personagem sofre de uma síndrome de falta de originalidade que não se pode culpa-lo. Eisner criou um personagem a sombra de seus concorrentes a dezenas de anos atrás, e que mesmo obtendo reconhecimento, não alcançou a glória dos mesmos. Naturalmente Miller transpôs para película um produto necessariamente fiel, contudo corrompido e sem culpa. Aproveita assim para fazer homenagens a momentos da história real, como quando Denny Colt ainda um garoto, folheia uma revista em quadrinhos (Crime SuspenStories) tendo na capa um homem enforcado. Foi na época, o que o movimento conservador precisava para estabelecer censura, justificada por sugerir que gibis incitavam a delinquência juvenil. Apesar de Miller construir um universo visualmente distante da realidade, não perde a oportunidade de mesclar elementos factualmente relevantes no contexto.
O elenco no qual desfila beldades como Eva Mendes e Scarlett Johansson, e astros como Samuel L. Jackson, não seguram a trama com devido interesse. São personagens fantásticos em um ambiente de difícil contextualização. Suas atuações são bacanas, mas muito andrógenas e comportadas. Como em todo o universo da graphic novel, seus personagens são exageradamente excêntricos e visualmente sinistros. O que é bom e necessário para essa produção. Mas Gabriel Match ainda não tem o carisma necessário sobre o grande público para estampar como cabeça uma produção que é baseada em quadrinhos, nos quais os fãs são extremamente críticos diante de alterações – apesar das semelhanças físicas perfeitas na composição do personagem – se posicionam ávidos em protestar diante de detalhes não cativantes.
Dificilmente “The Spirit - O Filme” constará na lista de fãs dos quadrinhos como uma adaptação emblemática no cinema. Miller tratou seu projeto com carinho ao trabalho de Will Eisner, e respeito ao formato dos quadrinhos. Ele conseguiu arquitetar seu longa com alterações necessárias para essa relação cinemão/HQs, e recheou com homenagens sutis ao formato dos quadrinhos, que em sua maioria passa desapercebida ao público convencional, mostrado que mesmo não apresentando algo espetacular como esperado por seus fãs, ainda sabe o que pode fazer, frente a um roteiro ou atrás de uma câmera.
Nota: 6/10
_____________________________________________________________________________
Cinéfilo desde os tempos da Sessão da Tarde, que aprendeu a desenhar antes mesmo de andar; embora seja mais louco do que artista.
Assinar:
Postagens (Atom)






















