sábado, 5 de dezembro de 2015

Cartazes Minimalistas de Luiz Arthuso | Cinema + HQ onde tudo se mistura

O cinema e as HQs tem se misturado profundamente de alguns anos para cá. Observando isso, o ilustrador e designer Luiz Arthuso criou uma série de inspirados cartazes minimalistas onde heróis e vilões dos quadrinhos representam obras cinematográficas icônicas como: "Kill Bill", "De Volta para o Futuro", "Star Wars", entre outros mais. É simplesmente, tudo junto e misturado em um trabalho bastante criativo aos sentidos. Um pequeno desafio de interpretação aos cinéfilos. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ela está com Você?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Crítica: Belle | Um Filme de Amma Asante (2013)


Dido Elizabeth Belle (Gugu Mbatha-Raw) é filha ilegítima de um almirante britânico da marinha real chamado John Lindsay (Matthew Goode) com uma escrava do continente africano. Após a morte da mãe, a criança é levada para a Inglaterra onde passa a crescer sob os cuidados da família de John Lindsay, o tio magistrado, o conde Manssfeld (Tom Wilkinson) e sua esposa, onde criada de acordo com os preceitos aristocráticos da cultura inglesa, a jovem inclusive dividia as regalias da burguesia britânica ao lado da prima de mesma idade, Elizabeth (Sarah Gadon), embora fosse alvo de olhares e manifestações preconceituosas por parte da nobreza que a cercava. Numa época onde a escravatura era encarada com normalidade, e o preconceito reinava sobre o território britânico com grande força, uma reviravolta ocorre após a morte do pai. Seu legado é deixado para Dido, onde o manto de hipocrisias e os jogos de interesses começam a transparecer e o desejo de lutar contra o preconceito ganha mais força com o apoio do tio. “Belle” (Belle, 2013) é um drama histórico britânico baseado em fatos reais da vida de Dido Elizabeth Belle (uma engajada idealista negra que expressivamente influenciou com que a Inglaterra abandonasse a atividade de comércio de escravos). O filme escrito por Misan Sagay e dirigido por Amma Asante é um excelente drama histórico, que mesmo que segundo alguns historiadores, os acontecimentos retratados não sigam ou descrevam com total precisão todos os fatos ao redor da protagonista e do elenco de apoio, se mostra uma respeitosa e necessária transposição do tema da luta contra o preconceito racial dentro da história.

Belle” é a busca da identidade de uma jovem em tempos difíceis para a vida humana. É o abandono da afortunada condição a qual se encontra (ainda que com ressalvas capturadas pela câmera da realizadora), para acabar com a indiferença. O seu engajamento conjunto com o tio, um influente juiz e seu pupilo, com quem Belle teve um romance, resultou na materialização de um ideal que se transformou no seu devido tempo em um fato: a Inglaterra abandonou a atividade do comércio de escravos muito antes de inúmeros países, e como consequência, se inicia a revolução industrial. Amma Asante (realizadora de “A Way of Life”, 2004) teve como inspiração para o filme uma pintura de 1779. Ao esmiuçar com alguma precisão certos comportamentos da época (a divisão de classes, a necessidade do casamento para jovens como garantia de sobrevivência e a influência do contato de Belle sobre sua família), Amma Asante acerta na escolha do material complementar que é necessário para o desenvolvimento dos acontecimentos que giram em volta do centro da trama: o da bravura de uma mulher voltada para a mudança social. Com atuações funcionais, sem solenes destaques, uma reconstituição de época competente e extremamente elegante, sem delirantes exageros visuais e uma presença visual oportuna conferida por um condicionamento técnico inspirado, “Belle” se engrandece pela agradável variedade de detalhes bem compostos pela produção (a direção de fotografia é belíssima, mesmo sem cenários épicos).

Sem o prestígio de obras similares como “12 Anos de Escravidão”, um premiado drama dirigido por Steve McQueen, “Belle” impressiona aos atentos à filmes de época competentes. Isso não somente por sua forma, mas pela mensagem que a sua realização intenciona passar ao espectador que desconhece sobre a identidade e o feito dessa jovem mulher. Embora não seja impecável em sua totalidade, onde poderia ser menos longo aos olhos de alguns apreciadores menos convictos de filmes do gênero, o longa-metragem é um justo reconhecimento de uma figura histórica que é capaz de desencadear reflexão.

Nota:  7/10    
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Crítica: Fome | Um Filme de Steve McQueen (2008)


Durante quase duas décadas de lutas armadas, a Irlanda conviveu sob constantes ataques e padeceu com os brutais atentados terroristas provocados pelo IRA (do inglês “Irish Republican Army”, denominado como o Exército Republicano Irlandês), um grupo paramilitar católico que buscava separar através de radicalismos a Irlanda do Norte do Reino Unido e automaticamente reanexar-se a República da Irlanda, isso atacando alvos prioritariamente protestantes ligados ao governo britânico. Dissolvido oficialmente em 2005, o grupo deixou um legado de histórias marcadas de sangue e sofrimento para posterioridade. Uma delas é a do prisioneiro irlandês do IRA, Bobby Sands (Michael Fassbender), quando em 1981 dá entrada no cumprimento de sua pena na prisão de Maze, em Belfast. Fervoroso ativista dos objetivos do IRA, Bobby Sands inicia uma luta contra sua condenação como criminoso comum e conduz uma greve de fome que é levada a cabo por todos os prisioneiros do IRA que permanecem nas dependências de Maze, e que reivindicam justiça pelo direito de morrerem na prisão como prisioneiros políticos que realmente são. “Fome” (Hunger, 2008) é um drama biográfico de cujo político produzido em parceria entre Irlanda e Reino Unido que foi escrito por Enda Walsh e Steve McQueen (o qual o segundo também assume a direção do filme). Baseado em um episódio real da vida de Bobby Sands, o britânico artista Steve McQueen tem em seu longa-metragem de estreia uma obra cinematográfica intensa emocionalmente, de visual brutal aos olhos e que também não é para todos os estômagos.


Poderoso, provocador e profundo, “Fome” é antes de qualquer coisa um pedaço marcante de seu realizador. É preciso ressaltar o quão soberbo que é esse trabalho de estreia de Steve McQueen. Na época um conhecido artista plástico do cenário da arte, hoje é um dos mais talentosos cineastas em atividade do cinema contemporâneo. Responsável por premiados filmes como “Shame”, em 2011 e “12 Anos de Escravidão”, em 2013, sua incursão no meio cinematográfico não poderia ter sido melhor. “Fome” transborda excelência em vários quesitos no gênero de filmes de presídio. Com uma abordagem menos política e mais aprofundada sobre a figura de Bobby Sands (onde o cineasta nos envolve nas últimas semanas de sua greve de fome), a interpretação de Michael Fassbender se mostra impecável, tanto na dedicação para compor o personagem quanto em seu desempenho na interpretação. Fassbender impressiona em várias cenas. Sobretudo, Steve McQueen constrói também uma magistral atmosfera de presidio e suas condições carcerárias críveis as quais o personagem é submetido na prisão, o que transporta o espectador ao enredo de forma profunda. Fassbender emagreceu gritantemente aos olhos para compor seu personagem (que depois de alguns dias em greve de fome evidentemente teria que emagrecer visivelmente aos olhos do espectador) rivaliza com outras performances marcantes como a de Christian Bale, em “O Operário”, ou de Matthew McConaughey, em “Clube de Compras Dallas”.

A busca de reconhecimento de Bobby Sands ganha contornos de realismo impressionantes pelas mãos de seu realizador, como pela atuação de Michael Fassbender que obviamente se entrega ao papel de corpo e alma para mostrar quem foi realmente Sands dentro da história da Irlanda, sobretudo do IRA. Visceral em seu conjunto, o filme alterna bem cenas ousadas de brutalidade com a essência de motivações de apelo universal do personagem principal de uma forma fluente. Por isso, “Fome” é em suma a impressionante materialização da competência de dois ícones do cinema contemporâneo.

Nota:  8/10 
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