sábado, 31 de agosto de 2013

Crítica: Professora Sem Classe | Um Filme de Jake Kasdan (2011)



"Professora Sem Classe" (Bad Teacher, 2011) é uma comédia descompromissada que demonstra ser mais interessante em seu conceito (onde usa e abusa do politicamente incorreto) do que propriamente em sua realização. A ideia de fazer um respeitado profissional as avessas em teoria demonstra ser mais fascinante do que sua materialização (até rende bons momentos, mas ainda insuficientes para envolver os espectadores e arrancar boas risadas) e se mantém pulsante graças ao carisma do elenco. Em sua trama acompanhamos Elizabeth Halsey (Cameron Diaz) uma professora de ensino médio no Illinois que larga o emprego somente porque vai se casar. Obcecada por se casar com um ricaço, logo é abandonada por um, onde consequentemente estabelece uma meta absurda, em que a única forma de conseguir sucesso nessa tarefa é conseguindo seios maiores. Meses depois volta a lecionar, e faz de tudo a seu alcance para juntar o dinheiro necessário para fazer a operação de aumento. Totalmente desinteressada pelo trabalho, suas aulas são apenas exibições de filmes para que ela possa cochilar e beber. Mas para sua sorte ela consegue ver em um recém-chegado professor (Justin Timberlake) a oportunidade de realizar seu sonho, mesmo tendo em seu caminho outra professora (Lucy Punch) que demonstra ser uma rival e um grande obstáculo para conseguir o tão sonhado sucesso.  


A criação de comédias desse gênero estão cada vez mais frequentes, e com isso vem nessa onda de proliferação de sucesso em série, os exemplares mais fracos. "Professora Sem Classe" faz parte dessa categoria de lanterna (constantemente revisitada pelo ator Adam Sandler), e apenas não cai na completa mediocridade, unicamente porque o elenco funciona bem independente das situações óbvias e fracas criadas pelo roteiro. Simplista e pouco criativo, o desenvolvimento da fita se apoia mesmo nas interpretações e em alguns contornos de sensualidade depositados na personagem de Cameron Diaz. Ao mesmo tempo, o astro da música pop Justin Timberlake vai ganhando papéis de mais destaque a cada produção, lhe conferindo alguma credibilidade por seus desempenhos. Aqui ele entrega a interpretação esperada, com alguns bons momentos de tela e algumas cenas surpreendentes por serem realmente engraçadas. Todo o elenco de apoio segue uma linha produtiva parecida, como a direção de Jake Kasdan funciona de modo regular (melhor foi em "Efeito Zero"), já que tentar dar profundidade a personagens absurdos não é tarefa fácil, muito menos prioritária. A produção tem que ganhar o espectador nas piadas e situações elaboradas pelo roteiro, que busca criar simpatia pela imoral protagonista, que independente de estar errada, precisa fazer o público torcer contra os certinhos. Por fim, "Professora Sem Classe" é uma comédia que entrega um programa ligeiramente divertido e nada ortodoxo. Diverte até certo ponto, mas não se aprende nada. 

Nota:  5,5/10     
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Se Você Julga o Livro pela Capa, Então Veja Este


Fahrenheit 451 é um livro de ficção científica escrito por Ray Bradbury (1920-2012), que foi publicado primeiramente em 1957, tendo como sua base inicial um conto chamado "Bright Phoenix". Seu enredo gira em volta de uma sociedade futurista onde os bombeiros tem como função profissional queimar livros. Os livros são proibidos, ideias são vistas com maus olhos pelas autoridades e opiniões críticas são suprimidas para não se formar movimentos contrários ao regime estabelecido. Mas nos bastidores desse mundo distópico se forma uma sociedade rebelde em que cada um é responsável por decorar uma obra literária clássica ou relevante, e assim repassá-lo oralmente para as gerações futuras. Esse romance tem através da história encontrado várias interpretações diferentes, mas é unanime dizer que se  trata de uma obra prima da literatura.. Curiosidade em relação ao título da obra: Fahrenheit 451 é a temperatura em que o papel entra em combustão e pega fogo. Assim aproveitando a obra brilhante que esse livro representa, somente faltava uma capa que transpusesse toda a criatividade do conteúdo. Por fim, a designer Elizabeth Perez criou uma capa em sintonia com o material impresso e visualmente original: o número "1" do título não é nada menos, nada mais, do que um palito de fósforo que pode ser riscado na lateral da capa do livro. É desnecessário dizer que a ideia em si, sua representatividade é fantástica.


Existe uma produção cinematográfica baseada no romance, de mesmo título dirigida por Francois Truffaut. O filme estrelado por Oskar Werner e Julie Christie foi lançado em 1966, o qual se intenciona uma refilmagem desde 1994, mas que não tem apresentado definições positivas apesar do tempo. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Crítica: Por Uma Vida Menos Ordinária | Um Filme de Danny Boyle (1997)


O amor está se extinguindo. O verdadeiro amor. Diante desse desolador panorama, o anjo Gabriel (Dan Hedaya), pressionado pela maior de todas as divindades é incumbido da tarefa de mostrar que esse triste quadro pode mudar. Com isso Gabriel delega a tarefa a dois anjos, O'Reilly (Holly Hunter) e Jackson (Delroy Lindo), os enviando a Terra para unir o mais improvável dos casais numa paixão avassaladora para dar uma força ao destino. Mas a escolha desse par romântico não deixará essa tarefa nada fácil, sendo que de um lado da equação temos Celine Naville (Cameron Diaz), filha mimada de um multimilionário nada simpático, enquanto do outro lado há Robert Lewis (Ewan McGregor), um pobre faxineiro recém-desempregado que aspira ser escritor. Caso os anjos não consigam cumprir sua missão, serão penalizados tendo que viver para sempre na Terra. Tudo o que eles não querem. Assim em meio a um desengonçado sequestro de condução duvidosa, situações bizarras e a tentativa de realizar o impossível, O'Reilly e Jackson tentarão levar esperança a humanidade juntando esse curioso casal. "Por Uma Vida Menos Ordinária" (A Life Less Ordinary, 1997) veio em tempos onde a comédia romântica reinava absoluta na preferência do público em geral. Contudo, o gênero ainda assim tentava ao seu modo se reinventar antecipadamente antes que a fórmula se desgastasse excessivamente ao mesmo público que era consumidor de carteirinha, além de tentar cativar novos adeptos com suas peculiaridades. Assim o diretor do brilhante "Trainspotting", Danny Boyle e o roteirista John Hodge, uniram-se novamente para criar essa fita que foi uma estranha comédia romântica que misturava humor negro, fantasia e uma dose de violência nada característica do gênero numa produção que caso não se encontre no paraíso, mas é capaz de desencadear do espectador mais envolvido com a trama lúdica da intervenção divina terceirizada umas boas risadas.


É difícil entender por que essa produção foi tão alvejada pela crítica. Sua proposta não vem a desfazer nenhum progresso do gênero, mas os aspectos que o diferenciam das demais obras, também não justificam tamanha aversão. O filme tem as suas qualidades, que em sua maioria está nas interpretações. Tanto Cameron Diaz, quanto o próprio Ewan McGregor (até então em sua terceira parceria com cineasta Danny Boyle) está em sua sintonia com a obra, por mais absurdo que o enredo possa parecer (mais no Céu do que na Terra). Cameron convence como a herdeira excêntrica de um império corporativo, que conduz seu próprio sequestro para se vingar de seu ganancioso pai. McGregor leva a seu personagem o ar desesperador de "Trainspotting" de modo mais cômico e por vezes (devido a influência de Cameron) patético. A abordagem do roteiro que confronta os opostos (a bela malévola contra o pobre de coração de ouro) não é suprido de originalidade, mas também não se condena, justamente por não se levar a tão sério como provavelmente a crítica especializada o fez. E a intervenção do divino através das irreverentes interpretações dos anjos caçadores de recompensa é o arrojo que proporcionam ao casal os melhores momentos dessa produção (o momento em que McGregor cava a própria cova é hilária). A ação projetada do roteiro tem as suas deficiências naturalmente, mas que diante de um conjunto divertido se tornam irrelevantes.

"Por Uma Vida Menos Ordinária" é um dos trabalhos menos fascinantes de um cineasta que tem em sua filmografia mais recente trabalhos realmente extraordinários. Essa produção tem mais a cara dos anos 90 mesmo, com violência estilizada, personagens caricatos interpretados por grandes atores e humor negro que não fere ninguém. Naturalmente não tem a audácia de "Trainspotting", uma produção que marcou uma geração inteira e que facilmente habita a lista de melhores filmes de qualquer cinéfilo. Entretanto, além de ser divertido de modo engraçado, também tem anjos empunhando pistolas e revólveres de grande calibre, e isso também pode ser encarado como algo bem cool mesmo depois da virada do milênio.

Nota:  8/10
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sábado, 24 de agosto de 2013

Crítica: Você não Conhece o Jack | Um Filme de Barry Levinson (2010)


"Você não Conhece o Jack" (You Don't Know Jack, 2010), é uma daquelas raras produções elaboradas sob medida para televisão, onde por aqui são lançadas diretamente em DVD, e que sem muito estardalhaço se mostram fascinantes. Polêmica, bem realizada e que aborda um tema sempre em discussão, essa produção tem sua relevância por abordar um dos primeiros personagens de importância sobre o assunto. Dirigida por Barry Levinson para o canal de televisão HBO, essa produção recebeu várias indicações a prêmios Emmy, onde seu protagonista, o ator Al Pacino inclusive recebeu o prêmio de melhor ator em telefilme ou mini-série. Não é a toa que ela funcione melhor na telinha. Baseada em fatos reais, o roteiro de Brian Mazer usa como base o material do livro "Between the Dying and the Dead: Dr Jack Kevorkian's Life and the Battle to Legalize Euthanasia", publicado por Neal Nicol, assistente de Kevorkian, o qual conta a história do médico americano Jack Kevorkian, que ficou conhecido como Doutor Morte, após defender publicamente o direito de pacientes terminais por optarem pela morte, dando fim ao sofrimento imposto.


Essa produção reúne toda a experiência dos envolvidos, onde de um lado há a direção de Barry Levinson (responsável por filmes como Rain ManVida Bandida, Sleppers, entre outros) como do outro o grande elenco composto por Al Pacino, Susan Sarandon, Danny Huston e John Godman, que retrata a oscilante trajetória de Jack, desde a conturbada infância até virar um símbolo a favor da legalização da eutanásia constantemente alvejado por contrários e conservadores religiosos. Jack é um personagem real e fascinante, que corajosamente contrário a lei, quando como descreve a história, ajudou mais de cem doentes terminais a conseguirem cometer suicídio assistido através de seu apoio. A consequência disso, foi dar voz a uma ideia perigosa e carregada de polêmica, que lhe rendeu apoio de uns, e um ódio descomunal de outros. "Você não Conhece o Jack" não tem em sua proposta a intenção de apresentar soluções ou fazer condenações em relação a aplicação da eutanásia. Sua narrativa tem como sua maior prioridade relatar vários acontecimentos determinantes em volta de seu protagonista, acima de tudo, apesar de evidentes críticas sobre alguns aspectos em relação a Jack Kevorkian. Trata-se de um bom filme que merece ser conferido com atenção. 

Nota: 7,5/10 
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Crítica: Paul | Um Filme de Greg Mottola (2011)


Algumas comédias tem a infelicidade de às vezes serem incompreendidas. Em geral os nerds e geeks sofrem desse mal também, e como a história de “Paul” (Paul, 2011) é justamente protagonizada por dois personagens desse seleto meio, chega ser compreensível que não tenha feito muito barulho, independente de suas qualidades. Com a história roteirizada pelos impagáveis Simon Pegg e Nick Frost (também protagonistas da fita), a trama em resumo apresenta uma ligeira e escatológica comédia de ficção científica bem interessante, apesar de estar longe de ser grandiosa. Em sua trama acompanhamos dois amigos, Graeme Willy (Simon Pegg) e Clive Golling (Nick Frost) ingleses e nerds que vão aos Estados Unidos da América de férias para participar de uma gigantesca conferência sobre histórias em quadrinhos e cultura pop. Aficionados por objetos voadores não-identificados, extraterrestres e mistérios do gênero, passam a fazer um tour por pontos turísticos ligados ao assunto. Assim de trailer, partem em direção ao evento, mas após fugirem de uma briga de bar pelo deserto, acabam por esbarrarem com Paul (dublado por Seth Rogen) um pequenino alienígena que estava preso por militares há cerca de sessenta anos, e não via a hora de fugir e voltar para casa. Mas enquanto Paul não consegue voltar para sua nave mãe, ele passa a acompanhar esses dois loucos pelo território americano fazendo as maiores confusões possíveis.


Naturalmente não se pode levar essa trama muito a sério. Contudo, esse é sem dúvida a maior qualidade desse longa-metragem, e por isso, tanto o roteiro quanto a própria direção de Greg Mottola (também responsável por outro longa que flerta com o universo nerd chamado “Super Bad”) por saber disso acabam por abandonar qualquer coerência de trama em prol do entretenimento acima de tudo. E quanto a isso, Simon Pegg e Nick Frost tem a se orgulhar, pois seguram as rédeas de um festival de absurdos e exageros em volta do personagem título sem fazer feio. Entretanto o astro mesmo é o excêntrico alienígena (que muito faz lembrar o bichinho de pelúcia de Mark Wahlberg em “Ted”) que não age ou fala como os dois aficionados por ficção científica um dia imaginaram. Ele está mais para um hippie chapado e cheio de conceitos existencialistas tirados de alguma revista de esoterismo, do que propriamente de uma raça intelectualmente superior a humanidade. Apesar de todo o arrojo de seu personagem (composto em sua maior parte do tempo por efeitos visuais funcionais) o pequeno tem algumas cartas na manga que farão toda diferença na viagem dos dois viajantes e de sua religiosa acompanhante. Por fim, “Paul” é programa de entretenimento divertido que rende boas risadas e uma perspectiva mais positiva para quem pensa em viver a vida. A fita em si valoriza a verdadeira amizade e não se importa de ser estranha para os outros, que não são tão nerds quanto gostariam de ser.


Nota: 7/10
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Crítica: A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça | Um Filme de Tim Burton (1999)



O ano é 1799. Em um pequeno vilarejo de Sleepy Hollow, seus moradores tem sofrido com uma onda crimes misteriosos e de contornos sobrenaturais. Para desvendar esses misteriosos crimes, o investigador Inchabod Crane (Johnny Depp) é enviado ao condado, que com técnicas estranhas de investigação, busca o responsável pelos assassinatos, onde as vítimas são decapitadas. Confuso com os fatos, a comunidade insiste em afirmar que o autor dos crimes é um cavaleiro de guerra sem cabeça (Christopher Walken) morto e escondido na floresta, que cavalga em busca de sua cabeça que foi decapitada em combate. E se já não bastasse esse improvável suspeito, Crane ainda tem que lidar com estranhos e sombrios sonhos sobre sua infância e sua mãe. No entanto nesse ambiente conturbado, ele acaba por conhecer a bela Katrina Van Tassel (Cristina Ricci) com quem desenvolve uma relação, de romance e dúvida, que colocará todo seu conhecimento à prova na busca desse sobrenatural assassino. "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" (Sleep Hollow, 1999) é um filme norte-americano baseado num conto de 1820 publicado por Whashington Irving. Dirigido pelo fantástico Tim Burton, essa produção foi a terceira colaboração entre o cineasta e o ator Johnny Depp (seu ator preferido) que mesmo não sendo uma das melhores empreitadas da dupla, está repleto de pontos positivos que proferem críticas elogiosas sobre seu resultado. E muitas de suas qualidades se mostram justamente nas categorias do Oscar 2000 as quais concorreu indicações (Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Figurino), o qual venceu na categoria de Melhor Direção de Arte merecidamente.


O filme materializa toda capacidade do cineasta Tim Burton de criar atmosferas sombrias, ao mesmo tempo elegantes, numa trama pouco envolvente para um público distanciado da cultura da qual sua base é composta. Mais do que tudo, "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" é um filme esteticamente bem cuidado e inegavelmente bonito, apesar das passagens sanguinolentas e mais pesadas que permeiam ocasionalmente a obra. Numa trama que balanceia um romance, uma investigação propriamente policial e uma dose terror sobrenatural, o resultado está distante de ser impecável, embora não seja de todo mal. Há uma boa apresentação de personagens, e uma condução interessante. Mas a progressão se torna um pouco confusa na infinidade de direções e reviravoltas da trama que tiram um pouco brilho do conjunto, já que as interpretações do elenco de apoio estelar dessa produção (Miranda Richardson, Michael Gambom, Casper Van Dien e Christopher Walken) somente veem a engrandecer as decorrentes deficiências da história, que por muitas vezes, certas passagens tiveram uma abordagem acelerada em comparação ao restante da obra. A trilha sonora de Danny Elfman tem seu mérito ao acentuar outras áreas técnicas da produção e engrandecer a climatização sombria do enredo, além de enfatizar momentos cruciais em volta de cenas de reviravolta e da tensão acerca dos personagens. Por fim, "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" é um filme indispensável da filmografia de Burton, tanto para ele próprio, quanto para seus fãs. Vários elementos aqui arquitetados nessa produção, foram aplicados de modo mais preciso em outras produções posteriores, como em "Alice no País das Maravilhas" (2010): efeitos bacanas em prol de um estilo singular de fazer cinema.

Nota: 7,5/10
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Elmore Leonard (1925-2013)

Morre aos 87 anos o escritor Elmore Leonard, autor de vários best-sellers, dos quais muitos foram transpostos para o cinema por diferentes cineastas. Dono de um estilo que preponderava diálogos impressionantes, e personagens brilhantes que oscilavam entre heróis e bandidos, o ex-publicitário largou a profissão para se dedicar a partir da década de 50 aos romances (primeiramente de faroeste e mais tarde passou a escrever livros de suspense policial), onde reunidos chegam a ser mais de 40 romances. O seu mais recente romance, "Blue Dreams" está previsto para ser lançado ainda para esse ano.


Seu trabalho era bem conhecido em Hollywood. Cineastas como Quentin Tarantino eram fãs confessos de seu trabalho, tanto que seu único filme cuja a história era de outro autor (mas ainda assim adaptada pelo cineasta) era um romance de Leonard chamado "Rum Punch", o qual saiu no cinema com o título de "Jackie Brown" (1997). Cerca de 25 livros seus foram transpostos para a telona ou tornaram-se seriados. Alguns de seus livros viraram fantásticas obras cinematográficas: "3:10 para Yuma" e "The Big Bounce" tiveram duas transposições cada ao decorrer de sua trajetória. Mas "O Nome do Jogo" (1995) dirigido por Barry Sonnenfeld talvez tenha sido seu maior sucesso através do simpático agiota Chili Palmer e sua incursão no mundo cinema que foi interpretado por John Travolta, que mais tarde teve uma continuação apagada quando foi jogado nos bastidores do mundo da música.

O longa "Irresistível Paixão" (1998) dirigido por Steven Soderbergh, era carregado de diálogos ásperos e cheios de ironia em personagens interessantes. A afinidade de Hollywood com a obra de Elmore Leonard era clara: seus personagens e tramas eram feitas sobmedida para o cinema de tão bem que se ajustavam ao formato. As situações e os diálogos eram tudo que os roteiristas precisavam como base para compor brilhantes trabalhos, e por isso os direitos autorais de seus livros as vésperas de ser lançado já eram disputados pelos estúdios. Evidentemente o resultado nem sempre saía de acordo como o planejado, mas não apaga a verdade sobre o inquestionável talento do autor. Vai deixar saudades!   

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Crítica: Distrito 9 | Um Filme de Neil Blomkamp (2009)


"Distrito 9" (District 9, 2009) é um longa-metragem de ficção científica que deve ser observado com cuidado. Mas por quê? Primeiro por causa de sua aparência diferenciada dos habituais produtos comercializados no gênero da ficção científica. Seu visual é bem diferente das famosas invasões alienígenas materializadas pelo cinema nos últimos anos. Essa produção não traz contornos decorativos de um futurismo arrojado, transposto para a película para seduzir o espectador pelos olhos. Sua estética visual mescla com habilidade a presença alienígena (através de efeitos visuais elaborados) com uma estrutura física contemporânea (distante dos Estados Unidos da América) na medida certa. Além disso, sua narrativa meio que documental, pode causar estranheza num espectador que espera uma produção de dinâmica mais ágil e explosiva. A trama desse longa é contada na velocidade dos acontecimentos, sem pressa ou lentidão, concentrada simplesmente nas nuances do sentido da obra.


Dirigida por Neil Blomkamp, responsável pelo curta Alive in Joburg, o cineasta cria através de "Distrito 9" um longa curioso, polêmico e que gera discussões com um tom crítico sutilmente oculto em seu enredo. Em sua trama acompanhamos as consequências de uma espécie de invasão alienígena. O ano é 1982, quando uma nave mãe alienígena chega à Terra, pairando imóvel sobre Joanesburgo na África do Sul. Após algumas constatações de avaria, a nave é invadida onde milhares de extraterrestres artrópodes (conhecidos como camarões) são resgatados e reunidos numa espécie de campo de refugiados chamado Distrito 9. Com o tempo cai em abandono e vira uma favela. Em 2010, o governo Sul-Africano contrata a Multinational United (MNU), uma empresa militar cuja tarefa é remanejar os aliens para o Distrito 10. Assim, Wikus van de Merwe (Sharlto Copley) um funcionário burocrata da MNU é designado para comandar e executar as ordens de despejo. Mas durante o processo é infectado por um fluido alienígena que lentamente o faz se transformar em um simbionte (meio humano e meio alien), que passa a ser perseguido pelos humanos, fazendo dos alienígena sua única esperança de sobrevivência.

Produzido por Peter Jackson (Senhor dos Anéis, King Kong), essa produção já lhe conferiria alguma credibilidade. Mas ela está além de um longa repleto de efeitos visuais bem acabados e extremamente funcionais. "Distrito 9" é como uma enorme nave espacial: se vista de perto pode se constatar algumas deficiências, de aspectos de pouca importância, mas ainda assim presentes. Mas quando visto mais amplamente, pode-se constatar que estamos diante de obra com uma forte crítica social focada no preconceito sobre certas minorias, além da intolerância sobre a incursão de culturas diferentes numa sociedade comum. Quando nosso protagonista sofre a mutação, pode-se ver uma clara aversão dos iguais sobre o acontecimento, quando não, ainda o veem como uma oportunidade política para se tirar proveito. Mérito do roteiro que aborda aspectos bem interessantes da natureza humana diante de circunstancias descontroladas, que longe de sua compreensão, tomam atitudes curiosamente desumanas.

"Distrito 9" é uma obra de ficção científica que não tenta prever o futuro da humanidade, como a maioria dos espectadores esperam ocasionalmente ver em obras do gênero. Essa produção está além disso: o futuro é agora. Apesar de sua estrutura ser totalmente fictícia, com criatividade o cineasta Neil Blomkamp apresenta uma retração moral da sociedade contemporânea através de uma trama nada convencional. O uso de alienígenas, considero ser uma amenização do impacto do preconceito no qual o cineasta mexe. Por fim, esse longa-metragem é um alerta contra a discriminação (racial, econômica e idealista) apresentado com um visual fascinante, apesar dos contornos discretos. Naturalmente é um longa-metragem diferente do habitual, e por isso deve ser visto com cuidado, e livre de preconceitos.

Nota: 7,5/10
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Elysium | Cartazes Alternativos do filme dirigido por Neil Blomkamp

São brilhantes os cartazes alternativos desenhados por Martin Ansin, sobre o segundo longa-metragem de sci-fi realizado pelo diretor Neil Blomkamp. Divulgado na Comic-Con 2013, onde também foi comercializado, o Mondo News disponibilizou alguns trabalhos do artista. De composição radiante e centrada, exibe detalhes claros da produção e nuances interessantes da trama. Destacando os personagens principais da história, Martin Ansin apresenta mais um exemplo de sua habilidade de criar obras impactantes ligadas a sétima arte, diferente do repetitivos cartazes disponibilizados pelas produtoras oficiais. Dois exemplos bárbaros de talento e apuro visual.  

Confira logo abaixo duas versões que se diferem apenas pelo tom da palheta:



"Elysium" foi dirigido pelo cineasta sul-africano Neil Blomkamp (Distrito 9), tem sua trama focada na secretária Rhodes (Jodie Foster) uma funcionária do governo determinada em por em prática as leis anti-imigração para preservar o estilo de vida dos cidadãos da estação Elysium, onde se concentram os cidadãos ricos enquanto na Terra acumulam-se os pobres. Esforços desmedidos serão usados para se cumprir a lei. Porém, Max (Matt Damon) um cidadão pobre da Terra foi incumbido de uma difícil missão que não somente irá salvar a sua vida, como também será capaz de levar igualdade a todas as pessoas desse mundo desigual. Está produção tem o roteiro de Neil Blomkamp e o ator brasileiro Wagner Moura compondo o elenco.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Crítica: A Balada do Pistoleiro | Um Filme de Robert Rodriguez (1995)


Um estranho Mariachi (Antonio Banderas) se aproxima de uma pequena cidade de fronteira na busca por Bucho (Joaquim Almeida) um temido traficante de drogas da região. Esse anúncio tem causado alvoroço na cidadezinha. Pudera, já que esse anônimo mariachi tem realizado matanças descontroladas em sua busca por Bucho, nas quais sua reputação tem causado temor de sua chegada. Esse desconhecido Mariachi, agora um matador profissional está em busca de vingança pelo assassinato de sua namorada, protagonizado pelo poderoso chefão do tráfico da região. Mas essa não será uma tarefa fácil, na qual o estranho matador encontrará em Carolina (Salma Hayek) uma bela jovem dona de uma livraria de poucos clientes, em um amigo falastrão (Steve Buscemi) uma ajuda para completar essa suicida missão. "A Balada do Pistoleiro" (Desperado, 1995) é um filme norte-americano que é a continuação de "El Mariachi" (1992) também filmado por Robert Rodriguez, como uma produção independente de $ 7000,00 dólares que virou uma obra cult. Contudo, "A Balada do Pistoleiro" foi entregue ao espectador com contornos de produção bem estruturada e condução ágil antenada com as necessidades do mercado estadunidense, embora tenha um toque de cinema B em sua aparência. Com atores como Antonio Banderas, Joaquim de Almeida (ator português), Salma Hayek (com quem Rodrigues trabalhou também em "Um Drink no Inferno") Steve Buscemi, Cheech Marin, Danny Trejo e Quentin Tarantino, o cineasta Robert Rodriguez cria uma obra que mistura com habilidade filmes de faroeste com estética de filmes Made in Hong Kong de modo vibrante.   

   
Com muita violência estilizada, humor e sequências de tiroteio visualmente bem orquestradas, o cineasta Robert Rodriguez se apresenta como uma revelação para admiradores do gênero de ação. Criativo, valoriza a estética sobre a substancia, sem limitar os resultados de seu trabalho. Esse longa alterna sequências de adrenalina emocionantes, com momentos de lirismo de toque sensível. A exemplo disso, a cena onde Salma Hayek canta tocando um violão sentada sob uma cama, segundos antes de uma invasão de capangas de Joaquim Almeida, que culmina num tiroteio fantástico. Além disso, Rodriguez sabe aproveitar bem o uso de uma trilha sonora envolvente. Usa extravagâncias que marcam seus filmes (o revólver genital ou até o porta-violão recheado com um enorme arsenal, ideia oriunda de um clássico faroeste) sem parecer forçado. O "El Mariachi", de personagem sem nome, acabou virando ícone da cultura POP e referência para outros artistas de diferentes mídias. Com o roteiro do amigo e frequente colaborador Quentin Tarantino, esse longa tem além do apelo visual marcante, um punhado de bons diálogos e frases de efeito, que acentuam sua trama, que mais tarde encerrou a Trilogia Mariachi em "Era Uma Vez no México" (2003). "A Balada do Pistoleiro" é um espetáculo, uma festa que comemora a incursão de um cineasta irreverente que até pode não estar no rol dos maiorais de Hollywood constantemente, mas vez ou outra, surpreende com momentos de brilhantismo que lhe rendem em certos círculos o status de cineasta cult igual alguns de seus filmes.

Nota: 8/10
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Crítica: OldBoy | Um Filme de Chan-wook Park (2003)


O ano é 1988. Quando Oh Dae-Su (Choi Min-sik) um homem comum, casado e pai de uma menina de 3 anos é sequestrado logo após sair de uma delegacia, inesperadamente sua vida é tomada dele sem razão nenhuma. Confinado em uma estranha prisão que mais parece um quarto de hotel barato por cerca de quinze anos, permanece apenas conectado com o mundo exterior através de uma televisão, onde também era meticulosamente alimentado por um desconhecido do qual nunca teve informações do motivo de seu encarceramento. Da mesma maneira que foi enclausurado todos esses anos sem explicação nenhuma,  certo dia também é solto sem justificativa, mas com dinheiro e roupas novas. Agora com a liberdade retomada, e com a ajuda de uma jovem chamada Mi-do (Hye-jeong Kang), parte em busca de respostas para o que lhe aconteceu todos esses anos, e acima de tudo, com sede de vingança pelos responsáveis. "OldBoy" (OldBoy, 2003) é uma produção que remete aos estilo Tarantinesco de se fazer cinema. Com uma trama intensa, subversiva e muito violenta, o cineasta sul-coreano Chan-wook Park cria uma obra fascinante que virou objeto de culto por parte de cinéfilos do mundo inteiro. Baseada em uma série de mangá de autoria de Garon Tsushiya e Nobuaki Minegishi, esse longa compõe a segunda parte do que a crítica chama de a "Trilogia da Vingança": com "Mr. Vingança, 2002" sendo o primeiro episódio, "Lady Vingança, 2005" encerrando o trabalho do cineasta, "OldBoy" se revelou ao espectador uma surpresa fascinante de realização bem cuidada.


Da Coréia do Sul surge excelentes produções. Exemplo disso são filmes como "O Caçador, 2008" de Na Hong-jin, ou "O Gosto da Vingança, 2005" de Kin Jin-woon.  Mas "OldBoy" virou cult no decorrer dos anos por um conjunto de fatores determinantes: para começar pelo roteiro, repleto de mistérios e reviravoltas que prendem a atenção do espectador do começo ao fim; pela violência física e psicológica que seu protagonista é submetido; pela estranheza de sua proposta ao levar seu protagonista à loucura de modo dramático, quando ao mesmo tempo intenciona preservá-lo para o sofrimento irreversível de modo perturbador e além disso, pela sua estrutura técnica original, que inclusive gerou uma cena antológica de luta em um estreito corredor que já serviu de inspiração a outros cineastas desprovidos de consagração. Premiado, essa produção ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes de 2004 chamando a atenção da crítica internacional. Quentin Tarantino presidente do júri nesse ano, já depositava suas fichas no poder dessa obra-prima que trata o tema clássico da vingança com uma profundidade perturbadora e crua, além de inegavelmente expressiva.

Se no processo de crescimento da trama, o início se mostra lento e confuso até certo ponto, em sua segunda metade vem a garantia de que os déficits iniciais são irrelevantes diante do conjunto da obra, que apresenta um desenvolvimento seguro de sua proposta que caminha para um desfecho cru e inesperado bem distante de qualquer tipo de contenção. Chan-wook Park realiza um filme tão diferente e underground que até poderia ser confundido com um acidente bem-sucedido, mas transcorre de forma tão cativante (apesar de algumas cenas serem rotuladas como de violência excessiva e de uma crueldade incômoda) que seria impossível materializa-lo com tanto esmero sem que tivesse um propósito focado. "OldBoy" não é um filme, mas sim uma experiência cinematográfica mais do que necessária. Explora diferentes conceitos que margeiam a natureza humana de forma impressionante: a vingança, o comportamento humano, a insanidade, a brutalidade, tudo de modo provocante e envolvente.

Nota:  9/10
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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Hitchcock Forever | Cartazes alternativos do Mestre do Suspense

Para comemorar o aniversário de um dos cineastas mais fascinantes da história do cinema, Alfred Hitchcock, que se estivesse vivo hoje (13 de agosto de 2013) estaria completando 114 anos de idade, o site Mondo está lançando alguns cartazes de arte alternativa de uma pequena parcela dos filmes icônicos do mestre do suspense. Vertigo (1958) foi desenhado por Gary Macabro Pullin, enquanto Psicose (1960) foi de responsabilidade de Tomer Hanuka. Uma pequena homenagem a um grande cineasta que vive eternamente na memória e no coração de apreciadores da sétima arte.  


              Psycho por Tomer Hanuka


              Vertigo por Groulish Gary Pullin


Interessados procurar o site que além de disponibilizar esses belíssimos cartazes de edição limitada que somente estão sendo vendidos hoje, dispõe camisetas com a estampa de arte em referência ao mestre. Mondo sempre disponibiliza obras de arte elegantes que inegavelmente cumprem ao que se propõem. Parabéns a Hitchcock e ao Mondo. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Crítica: Invasão à Casa Branca | Um Filme de Antoine Fuqua (2013)


O motivo pelo qual o nome do filme "Dia de Treinamento" (2001), dirigido por Antoine Fuqua resplandece no cartaz acima é lógico: desde 2001 que o cineasta que colaborou para que Denzel Washington arrematasse o Oscar de Melhor Ator nesse thriller policial  não emplaca um filme respeitável. Quando um pouco antes havia dirigido "Assassinos Substitutos" (1998), o cineasta já demonstrava uma capacidade natural de materializar o estilo alheio, que no caso dessa fita era um reflexo do trabalho de John Woo (mesmo sendo visualmente elegante e narrativamente bem conduzido) não podia se dar muito crédito a direção. "Dia de Treinamento" talvez fosse seu seu trabalho mais autoral, mesmo que estando longe de ser impecável, tinha seus momentos de brilhantismo. No entanto, "Invasão à Casa Branca" (Olympus Has Fallen, 2013) é o reflexo de um estilo de produção que não funciona mais como antigamente. O exército de um homem só é formato de tipo de filme que não convence mais como em outrora, mesmo com o esmero de uma caprichosa produção blockbuster bélicamente monumental. Em sua história acompanhamos a invasão da Casa Branca por terroristas, que após uma operação de guerra mantêm o presidente dos Estados Unidos como refém. O governo americano impotente diante da ameaça encontra em Mike Banning (Gerard Butler), um ex-integrante da segurança presidencial também está preso no interior da Casa Branca, se tornando o único contato com a segurança nacional. Com pouco crédito entre seus ex-colegas de trabalho, Banning se confronta com os preparados terroristas para se redimir de suas falhas passadas e evitar que um plano de destruição nuclear inimigo seja colocado em prática antes que seja tarde.


A trama dos estreantes Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt pegou carona nos recentes atritos entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte. Hollywood não perdeu tempo e construiu um confronto armado dentro de casa para materializar as possibilidades desse tenso clima que habita os noticiários. Um embasamento verídico mesclado com eventos ficcionais improváveis e exagerados. Essa produção adere a estética de filmes de ação (leia-se Duro de Matar) destrutivos em sua essência, embora peque por não levar o bom humor que sempre compensa a falta de coerência da trama em produções do gênero. "Invasão à Casa Branca" se leva muito a sério, supondo que o espectador fará o mesmo. Ainda tendo um elenco repleto de grandes nomes (Gerard Butler, Aaron Eckhart e Morgan Freeman) os diálogos simplistas e a situação de pouca lógica que rege a produção restringe essa fita apenas a mais um filme sobrecarregado de monstruosas explosões e intermináveis tiroteios. Mas não quer dizer que possa ser rotulado como um excelente filme de ação, já que o delírio visual frequentemente toma proporções caóticas que contribuem de forma negativa ao conjunto. A direção de Antoine Fuqua não confere momentos de tensão válidos em momentos cruciais, como na cena do acidente de carro que atormenta a memória e a reputação de Banning. A cena do elevador em "Velocidade Máxima" (1994) dirigida por Jan de Bont (não sei por que me veio essa cena na memória ao vê-la) está bem a frente do resultado adquirido por Fuqua.

"Invasão à Casa Branca" vai agradar aos fãs de filmes de grandes proporções e resultado previsível. O homem que é "o exercito de homem só" naturalmente salva o dia, como deve ser. Mas um embate fictício entre os Estados Unidos da América e a Coréia do Norte poderia render coisa bem melhor. Sem querer desmerecer o trabalho de Gerard Butler, se tivessem chamado Bruce Willis para protagonizar essa produção, talvez conferisse a esse filme alguma graça merecedora de atenção. 

Nota:  5,5/10 
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sábado, 10 de agosto de 2013

Armas Famosas do Cinema por Frederico Mauro


Ao decorrer da história do cinema muitos conflitos entre heróis e vilões terminaram em tiroteio. Nos mais diferentes gêneros, de clássicos protagonizados por gangsteres a obras da ficção científica, cada personagem materializado pela sétima arte foi armado com um acessório bélico único. Assim o artista Frederico Mauro, notando essa singularidade, decidiu criar uma série de obras visuais baseadas nas armas usadas por icônicos personagens do cinema. Nesse vasto repertório armado incluem-se tanto armas convencionais (como o revólver usado pelo agente secreto mais famoso do mundo) como também os lançadores de prótons usados pelos "Caça-Fantasmas". Além disso, como no caso de El Mariachi ( no filme "A Balada do Pistoleiro" protagonizado por Antonio Banderas e dirigido por Robert Rodrigues) que aparece somente um porta-violão, mas que para todo bom cinéfilo se explica, mostra a criatividade do artista.

Abaixo algumas peças inesquecíveis de Frederico Mauro da série Armas Famosas (mais modelos aqui): 

     007


    Exterminador do Futuro

    Guerra nas Estrelas

     Alien - O Resgate

     Os Caça-Fantasmas

     Batman Begins

     Dredd 

     El Mariachi

    Distrito 9


    Rambo


    Hellboy

Cada arma tem as suas particularidades e estão em sintonia com a obra a qual fazem parte. Algumas podem exigir esforço da memória para ser reconhecida, no entanto outras são óbvias e curiosamente impossíveis de serem esquecidas. Quase tão vitais quanto os filmes a que fazem parte!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Crítica: Contágio | Um Filme de Steven Soderbergh (2011)


Dirigido por Steven Soderbergh, "Contágio" (Contagion, 2011) é a retratação do descontrolado alastramento de um vírus mortal desconhecido e a consequente disseminação de medo e terror que essa pandemia desencadeia. Com uma estrutura narrativa que liga várias tramas diferentes ao mesmo enredo, Soderbergh reúne um grande elenco de estrelas (Matt Damon, Marion Cotillard, Lawrence Fishburne, Jude Law, Kate Winslet, Gwyneth Paltrow, entre outros) para compor seu filme catástrofe. Através do roteiro de Scott Z. Burns (O Informante, 2008), o cineasta cria uma série de possíveis situações em volta de uma epidemia viral, fazendo bom uso das infinitas possibilidades que esse talentoso elenco disponibiliza. Em sua história acompanhamos o rápido progresso de um vírus desconhecido e letal, altamente infecto contagioso capaz sua vítima em poucos dias. E como essa epidemia tem se alastrado com agilidade, autoridades políticas e a comunidade médica globalizada inicia uma corrida contra o tempo para encontrar a cura e conter o pânico que tem se espalhado e causado mais vítimas do que a própria doença. Se de um lado do panorama as lideranças estão encurraladas pelas circunstâncias, do outro a população luta pela sobrevivência como pode.


Com um progresso lento, mas ao mesmo tempo propagando uma atmosfera tensa, essa obra se mostra bem construída. Filmada de modo realista, exibe excelentes interpretações e apresenta um cenário mundial que apesar das inovações e teóricos preparos de nossas lideranças para situações como essa, a fita mostra uma reação desesperançosa e nada otimista para um acontecimento dessa magnitude: o descaso com os primeiros casos fatais, o despreparo do sistema de saúde, os cientistas perdidos diante do problema, as conspirações em volta da doença e algumas situações previsíveis das autoridades políticas diante da pandemia. O rastreamento da origem de uma doença se mostra quase que didática, tamanha sua clareza. E esse realismo apenas perde pontos, devido a resolução excessivamente rápida e melodramática do encontro da cura. A forma como a produção desenha os efeitos, não propriamente da doença, mas de como o medo de ser infectado age sobre as pessoas é de uma carga dramática fascinante. 

Por fim, "Contágio" pode até não ser um dos melhores trabalhos de Steven Soderbergh, porém ainda assim se mostra a altura de sua filmografia. Com boas atuações e bem condicionadas por uma produção técnica eficiente, sua história ganha pontos pelo contornos realistas, pela carga dramática dada a certos eventos da história e pelos infectados não terem se transformado em zumbis.

PS: Essa última parte foi uma piada. 

Nota: 7,5/10 
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Crítica: O Dobro ou Nada | Um Filme de Stephen Frears (2012)


"O Dobro ou Nada" (Lay the Favorite, 2012) parecia uma aposta certa. Apenas parecia, já que na verdade se mostrou uma produção curiosamente decepcionante. Baseada na autobiografia de Beth Raymer, o filme foi roteirizado por D.V DeVincentis (Alta Fidelidade e Matador em Conflito), que aborda a conturbada trajetória de vida da então escritora Beth Raymer. Dirigido pelo competente Stephen Frears (A Rainha e Ligações Perigosas) e tendo um elenco de peso em sua composição, essa produção inexplicavelmente resultou em um produto desinteressante. Excessivamente carregado de floreios romanceados e uma narrativa sem uma clara direção, essa produção surpreende de modo negativo. Trata-se de uma comédia (pelo menos foi vendida assim) que não tem graça, e isso mina qualquer produção baseada ou não em fatos reais. Em sua trama acompanhamos Beth Raymer (Rebecca Hall) quando ainda era um stripper em uma pequena cidade decide ir a Las Vegas e fazer carreira como garçonete nos grandes cassinos. Mas numa mudança de planos ela conhece Dink (Bruce Willis) um apostador profissional que ganha milhares de dólares apostando em todo tipo de jogo esportivo. Trabalhando para ele, Beth é inserida profundamente no universo de apostas ilegais e se mostra uma hábil aquisição para a empresa de Dink. Porém, a bela jovem também oferece uma ameaça a ciumenta e temperamental esposa de Dink (Catherine Zeta-Jones). Nos altos e baixos das apostas, Beth vai a Nova York trabalhar para pretensioso Rosie (Vince Vaughn), onde começa a conhecer os verdadeiros riscos e perigos desse lucrativo negócio de apostas que até então ela não conhecia.


Pelo jeito, as incertezas da jogatina foram levadas para a narrativa desse longa. Não há uma fluência de humor que funcione, como também os dramas em voltas dos personagens não convencem. Apesar de um elenco interessante, ninguém se destaca plenamente: Bruce Willis tem trabalhado como nunca, mas em contrapartida rendido quase nada; Rebecca Hall está ótima, apesar de prejudicada pelo conjunto da obra. O restante do elenco se desperdiça automaticamente, com interpretações caricatas e de pouca funcionalidade. Os dramas em volta das circunstâncias e principalmente dos personagens sem mostram pouco cativantes. Tanto o roteiro, quanto a própria direção de Stephen Frears se mostra de um amadorismo de uma difícil associação a reputação dos envolvidos. Se a premissa verídica se mostra interessante à primeira vista, naturalmente Frears não acertou o tom certo do conto. A história de Beth Raymer poderia através de uma realização cinematográfica mais objetiva (de uma mulher que além dos atributos físicos que disponibiliza) detêm perseverança e inteligência para se mostrar um exemplo de superação numa área dominada pelo sexo masculino. Entretanto, "O Dobro ou Nada" preferiu ser uma comédia despretensiosa que apenas serve para a função de distração e mais nada.

Nota: 5/10
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A Cidade Maravilhosa Está Ainda Mais Linda | Fotografias Surreais de Christopher Guzman Hernandez

O cidade do Rio de Janeiro ficou mais bonita depois dessa mistura de fotografia e ilustração feita pelo artista mexicano Christopher Guzman Hernandez. A união das belezas naturais da Cidade Maravilhosa com ilustrações inusitadas lhe concederam um lirismo inimaginável. Um brilhante trabalho reunido em uma série especial que pode ser conferida em sua página pessoal. 














Fonte | Society