sábado, 24 de agosto de 2013

Crítica: Paul | Um Filme de Greg Mottola (2011)


Algumas comédias tem a infelicidade de às vezes serem incompreendidas. Em geral os nerds e geeks sofrem desse mal também, e como a história de “Paul” (Paul, 2011) é justamente protagonizada por dois personagens desse seleto meio, chega ser compreensível que não tenha feito muito barulho, independente de suas qualidades. Com a história roteirizada pelos impagáveis Simon Pegg e Nick Frost (também protagonistas da fita), a trama em resumo apresenta uma ligeira e escatológica comédia de ficção científica bem interessante, apesar de estar longe de ser grandiosa. Em sua trama acompanhamos dois amigos, Graeme Willy (Simon Pegg) e Clive Golling (Nick Frost) ingleses e nerds que vão aos Estados Unidos da América de férias para participar de uma gigantesca conferência sobre histórias em quadrinhos e cultura pop. Aficionados por objetos voadores não-identificados, extraterrestres e mistérios do gênero, passam a fazer um tour por pontos turísticos ligados ao assunto. Assim de trailer, partem em direção ao evento, mas após fugirem de uma briga de bar pelo deserto, acabam por esbarrarem com Paul (dublado por Seth Rogen) um pequenino alienígena que estava preso por militares há cerca de sessenta anos, e não via a hora de fugir e voltar para casa. Mas enquanto Paul não consegue voltar para sua nave mãe, ele passa a acompanhar esses dois loucos pelo território americano fazendo as maiores confusões possíveis.


Naturalmente não se pode levar essa trama muito a sério. Contudo, esse é sem dúvida a maior qualidade desse longa-metragem, e por isso, tanto o roteiro quanto a própria direção de Greg Mottola (também responsável por outro longa que flerta com o universo nerd chamado “Super Bad”) por saber disso acabam por abandonar qualquer coerência de trama em prol do entretenimento acima de tudo. E quanto a isso, Simon Pegg e Nick Frost tem a se orgulhar, pois seguram as rédeas de um festival de absurdos e exageros em volta do personagem título sem fazer feio. Entretanto o astro mesmo é o excêntrico alienígena (que muito faz lembrar o bichinho de pelúcia de Mark Wahlberg em “Ted”) que não age ou fala como os dois aficionados por ficção científica um dia imaginaram. Ele está mais para um hippie chapado e cheio de conceitos existencialistas tirados de alguma revista de esoterismo, do que propriamente de uma raça intelectualmente superior a humanidade. Apesar de todo o arrojo de seu personagem (composto em sua maior parte do tempo por efeitos visuais funcionais) o pequeno tem algumas cartas na manga que farão toda diferença na viagem dos dois viajantes e de sua religiosa acompanhante. Por fim, “Paul” é programa de entretenimento divertido que rende boas risadas e uma perspectiva mais positiva para quem pensa em viver a vida. A fita em si valoriza a verdadeira amizade e não se importa de ser estranha para os outros, que não são tão nerds quanto gostariam de ser.


Nota: 7/10
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