quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Crítica: O Dobro ou Nada | Um Filme de Stephen Frears (2012)


"O Dobro ou Nada" (Lay the Favorite, 2012) parecia uma aposta certa. Apenas parecia, já que na verdade se mostrou uma produção curiosamente decepcionante. Baseada na autobiografia de Beth Raymer, o filme foi roteirizado por D.V DeVincentis (Alta Fidelidade e Matador em Conflito), que aborda a conturbada trajetória de vida da então escritora Beth Raymer. Dirigido pelo competente Stephen Frears (A Rainha e Ligações Perigosas) e tendo um elenco de peso em sua composição, essa produção inexplicavelmente resultou em um produto desinteressante. Excessivamente carregado de floreios romanceados e uma narrativa sem uma clara direção, essa produção surpreende de modo negativo. Trata-se de uma comédia (pelo menos foi vendida assim) que não tem graça, e isso mina qualquer produção baseada ou não em fatos reais. Em sua trama acompanhamos Beth Raymer (Rebecca Hall) quando ainda era um stripper em uma pequena cidade decide ir a Las Vegas e fazer carreira como garçonete nos grandes cassinos. Mas numa mudança de planos ela conhece Dink (Bruce Willis) um apostador profissional que ganha milhares de dólares apostando em todo tipo de jogo esportivo. Trabalhando para ele, Beth é inserida profundamente no universo de apostas ilegais e se mostra uma hábil aquisição para a empresa de Dink. Porém, a bela jovem também oferece uma ameaça a ciumenta e temperamental esposa de Dink (Catherine Zeta-Jones). Nos altos e baixos das apostas, Beth vai a Nova York trabalhar para pretensioso Rosie (Vince Vaughn), onde começa a conhecer os verdadeiros riscos e perigos desse lucrativo negócio de apostas que até então ela não conhecia.


Pelo jeito, as incertezas da jogatina foram levadas para a narrativa desse longa. Não há uma fluência de humor que funcione, como também os dramas em voltas dos personagens não convencem. Apesar de um elenco interessante, ninguém se destaca plenamente: Bruce Willis tem trabalhado como nunca, mas em contrapartida rendido quase nada; Rebecca Hall está ótima, apesar de prejudicada pelo conjunto da obra. O restante do elenco se desperdiça automaticamente, com interpretações caricatas e de pouca funcionalidade. Os dramas em volta das circunstâncias e principalmente dos personagens sem mostram pouco cativantes. Tanto o roteiro, quanto a própria direção de Stephen Frears se mostra de um amadorismo de uma difícil associação a reputação dos envolvidos. Se a premissa verídica se mostra interessante à primeira vista, naturalmente Frears não acertou o tom certo do conto. A história de Beth Raymer poderia através de uma realização cinematográfica mais objetiva (de uma mulher que além dos atributos físicos que disponibiliza) detêm perseverança e inteligência para se mostrar um exemplo de superação numa área dominada pelo sexo masculino. Entretanto, "O Dobro ou Nada" preferiu ser uma comédia despretensiosa que apenas serve para a função de distração e mais nada.

Nota: 5/10
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