quarta-feira, 3 de abril de 2013

Crítica: Tucker & Dale Contra o Mal | Um Filme de Eli Craig (2010)



Como são as coisas? Quando menos se espera aparece uma produção despretensiosa capaz de resgatar do limbo algum subgênero completamente esquecido ou desacreditado. Sempre há um gênero carente de atenção. No caso dessa fita chamada "Tucker & Dale Contra o Mal" (Tucker & Dale vs Evil, 2010)  o gênero a ser resgatado são os filmes de "horror comédia" que tem como base referencial os preceitos de sucesso materializados em filmes como "Massacre da Serra Elétrica" ou "Sexta-Feira 13". E a partir desses preceitos, essa produção canadense de baixo orçamento se aproveita parodiando os preconceitos que surgiram no enredo em volta dessas produções. Em sua história acompanhamos dois amigos, típicos caipiras sulistas, Tucker (Alan Tudyk) e Dale (Tyler Labine) saindo de férias em direção a uma cabana nas montanhas. Logo no caminho para cabana encontram um grupo de adolescentes da cidade aos quais não causaram uma boa impressão, e que devido a um mal-entendido são confundidos com sequestradores e serial killers. Em resposta a presença supostamente ameaçadora de Tucker e Dale, ambos passam a ser caçados pelos adolescentes numa missão de resgate e justiça cega. Mas como se isso já não fosse ruim, para piorar a situação dos dois, esses jovens começam estupidamente a morrer deixando tudo a crer que os autores dessas mortes foram eles.
  

A maior curiosidade em volta dessa produção é a inversão dos papéis de vilão e mocinho. Personagens como Dale e Tucker passaram a ser caracterizados através dos tempos como assassinos responsáveis por franquia intermináveis, enquanto nessa fita, convencionaram seus personagens a vitimas quase que indefesas. Não chega a ser a reinvenção da roda, mas já demonstra que ela pode rodar para os dois lados sem perder a funcionalidade. Mesmo com uma premissa simples, tem a elaboração necessária para despertar carisma no espectador. Tem uma estrutura técnica competente, que usa os elementos necessários para esse tipo de fita com excelente climatização, ao iludir o espectador desavisado que está diante de mais uma réplica repleta de clichês. Mas é nesse momento que o espectador se engana."Tucker & Dale Contra o Mal", apesar de flertar com esses clichês - a cabana abandonada, o sangue jorrando, mortes seguidas de mortes, entre outros mais - se difere pelo uso quase que orgânico da fórmula com muito bom humor e perfeitamente distribuído pelo longa. E se isso já não bastasse, ainda deu para encaixar uma lição de moral para o espectador levar consigo antes da subida dos créditos finais. Apesar disso, o que importa é as boas risadas das situações que fazem paródia - de pleno bom gosto - com os filmes do gênero antecessores a essa obra. A dupla de protagonistas dão um espetáculo de entrosamento em cena, ao mesmo tempo que a direção de Eli Craig tem uma condução pontual e relevante. 



"Tucker & Dale Contra o Mal" é o resultado simpático da realização de uma ideia simples. Se a industria sufoca numa crise criativa por ideias originais, a reciclagem de algumas tem demonstrado através de realizadores comprometidos uma eficácia acima da média. Longe de ter uma grande história, seu brilho permanece sem dúvida na primeira parte. Contudo, observando com cuidado o roteiro dessa produção, com ares simplórios, torna-se quase impossível não sermos cativados pela dupla cômica de protagonistas e a estupidez humana que os cerca ao longo de toda duração dessa fita. Seu brilhantismo reside em sua simplicidade. Em seu emaranhado de situações bizarras e selvagerias conduzidas com humor negro, no fim essa obra se revela uma produção imensuravelmente cativante a qualquer fã desse gênero ou curioso de plantão. Super recomendado. 

Nota: 7,5/10    

2 comentários:

  1. Realmente me agrada filmes com esta proposta de atualização. É interesante porque ao mesmo tempo em que nos dá a clareza de que fora inspirado em algum gênero que foi forte em determinada época, mostra uma re-avivação do mesmo! Anos 80 sempre marcante! Curti a crítica! ;)

    Abraços

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    1. Obrigado Renato. Eu curti muito esse filme,como também apreciei seu trabalho em "Cine Freud". Muito bom mesmo!

      abraço e obrigado por sua participação

      Seja Bem-Vindo!

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