terça-feira, 30 de abril de 2013

Crítica: Resident Evil 5: Retribuição | Um Filme de Paul W.S. Anderson (2012)



Quem vê cara, não vê coração. Por trás desse belíssimo universo estilizado da série de videogames transposta para o cinema é quase impossível ver além do que nossos olhos são capazes de nos mostrar. Em “Resident Evil 5: Retribuição” (Resident Evil 5: Retribution, 2012) a atriz Milla Jovovich retorna (mais uma vez) a franquia, reencontra antigos personagens, interage com novos e continua sua guerra contra os mortos-vivos em um dos piores filmes da franquia. Ainda que os filmes baseados no famoso jogo da Capcom jamais tivessem alcançado sua plenitude na película, apesar de absurdos investimentos em visual e esmero técnico, essa produção simplesmente demonstra o quanto à fonte criativa se encontra esgotada ao tentar reciclar ideias que já não funcionavam nem quando pareciam realmente originais. Em sua trama acompanhamos Alice (Milla Jovovich) aprisionada após ser novamente capturada pela Umbrella Corporation – uma empresa multimilionária dedicada à criação de armas biológicas e pelo T-Vírus que após um vazamento transformou a população mundial em zombies. Refém de Jill Valentine (personagem do segundo filme interpretada por Sienna Guillory) antiga aliada, mas agora inimiga devido ao controle que a Umbrella tem sobre ela, Alice encontra em Albert Wesker (personagem interpretado por Shawn Roberts, que costumava ser o líder da Umbrella na franquia e o inimigo numero 1 de Alice) a ajuda necessária para escapar da prisão e salvar o mundo do completo caos ao qual se encontra sob o domínio da Umbrella Corporation.


Enquanto o jogo sempre era visto como um marco dos games de horror, a franquia cinematográfica tenta – sem sucesso algum – ser um belo exemplar como filme de ação emocionante. Mas se Paul W.S. Anderson nunca foi um grande diretor na extração de boas interpretações, aqui ele peca por não conseguir apresentar sequencias de ação que empolgue o espectador para equilibrar a balança, já que se a história em si não tem pé nem cabeça, e o roteiro descamba descontroladamente para o descartável, as sequências de ação estão longe de serem as melhores da franquia. Sua aptidão de criar um visual arrojado permanece interessante, mas ainda assim pouco climática devido à condição rústica do roteiro. Repleto de personagens familiares aos fãs, mas que não trazem nenhuma funcionalidade ao conjunto da obra, a atriz Michelle Rodriguez volta dos mortos, enquanto personagens bem populares saído dos games: Leon Kennedy (Johann Urb, de 2012) e Ada Wong (Bingbing Li, de O Reino Perdido) aparecem na trama desconexa para dar suporte a protagonista – acho quase desnecessário mencionar que a presença desses personagens não veio a enriquecer em nada o filme, e serviu apenas para agradar aos fãs do jogo. Por fim, “Resident Evil 5: Retribuição” podia ser melhor do que foi seus antecessores. Podia... se fosse feito com intenção de se fazer um filme propriamente dito para todos os espectadores, e não somente para os profundos conhecedores do game. Por outro lado, talvez seu maior equívoco seja que a obra descambe para ação – mal feita – ao invés do horror como é sua origem.

Nota: 4/10


2 comentários:

  1. Paul W. S. Anderson apareceu para o cinema com um bom drama sobre jovens assaltantes em "Shopping", um longa que chamou atenção de Hollywood.

    O problema que foi que ele acabou direcionando a carreira apenas para filmes de ficção onde os efeitos especiais são o ponto principal.

    Com certeza ele ganhou muita grana, mas a credibilidade da carreira foi para o espaço.

    Abraço

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    1. Não conheço esse filme "Shopping". Fui conhecer seu trabalho a partir de "Mortal Kombat - O Filme", que até hoje aprecio muito. De resto... são mais pisadas do que acertos.

      abraço

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