sábado, 30 de março de 2013

Crítica: Metropia | Uma Animação de Tarik Saleh (2009)



Em seu visual e premissa "Metropia" (Metropia, 2009) parece uma animação que aplica estética e inovação. Porém essa agradável e sumaria impressão se dissolve aos poucos ao acompanharmos os estranhos personagens e o enredo dessa animação cujos contornos se mostram mais do que sombrios. Sua trama: É o ano de 2024. Toda a Europa está conectada por uma rede de metrô devido à escassez de petróleo, onde que nela, acompanhamos Roger (voz de Vincent Gallo) um atendente de telemarketing paranoico e amedrontado por ouvir vozes de origem desconhecida. Sob o comando dessas vozes em seu subconsciente, ele procura por Nina (voz de Juliete Lewis) com a promessa de ajudá-lo a se livrar dessas vozes. Mas quando passam a viajar pelas linhas subterrâneas de metrô, ao invés de se libertar desse incomodo de causa desconhecida, Roger passa a se familiarizar com uma sinistra onda de conspiração corporativa que assola esse mundo pós-apocalíptico.

Imensamente escuro e narrativamente estranho, seu enredo é capaz de despertar a atenção do espectador a primeira vista, mas sua estética visual mais comum em vídeos musicais e vinhetas comerciais pode desencadear insatisfação pelo resultado presunçoso da obra - o que começa com ares de inovação passa a ficar chato depois de um tempo. Sua construção técnica só não é mais debilitada quanto seu enredo que muito se assemelha em seu âmago ao universo de “Matrix”, ao ter em seu protagonista, um personagem que tem a sensação de haver algo estranho em seu mundo. Apesar dos rostos dos personagens serem foto realistas, seus movimentos são exageradamente mecânicos minando o visual. Com uma direção de fotografia que abusa no sombrio, delineando o ambiente desolador da Europa ficcional, mostra um futuro cinzento conceitual.  Com um roteiro destilado do trabalho de Tarik Saleh, Fredrik Edin, Martin Hultman e do autor da franquia sueca “Millennium”, o escritor Stig Larsson, a história está repleta de boas ideias à princípio, mas aí, temos a direção preguiçosa e pouco autoral de Tarik Saleh que não atende as necessidades de um projeto que em teoria se mostrava promissor – muitos cortes que deixam vãos entre situações, ou elementos chave que são mostrados de modo precipitado. Assim todo visual e a premissa interessante dessa obra de ficção científica realizada nos moldes de uma animação diferente, torna-se um desperdício de possibilidades. 

Em resumo, “Metropia” está anos-luz distante das animações hollywoodianas a qual nós estamos acostumamos a ver, como também Tarik, passou longe de criar uma obra de arte sincronizada que aproveite a climatização do primeiro ato dessa produção. Tarik não deveria ter apresentado como resultado final algo com uma aparência tão evidente de inacabada. Não há premissa brilhante que segure o espectador diante de uma animação com tantas falhas desnecessárias. Com um resultado que possivelmente será confundido como obra de arte, fica no final a sensação de que poderia ser bem melhor se houvesse tido uma realização mais competente.

Nota: 5/10 
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