quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Crítica: João e Maria: Caçadores de Bruxas | Um Filme de Tommy Wirkola (2013)



Como diria um saudoso cidadão na casa dos 50 e poucos anos: “as coisas não são mais como antigamente”. E basta vermos alguns poucos minutos do filme “João e Maria: Caçadores de Bruxas” (Hansel & Gretel: Witch Hunters, 2013), para constatarmos o quanto essa afirmação tem apresentado fundamento. Seguindo uma linha narrativa mais sombria que marcou várias produções recentes como: “Alice no País das Maravilhas, “A Garota da Capa Vermelha e “Branca de Neve e o Caçador”, que apesar de algumas terem suas qualidades próprias, não vieram acrescentar muito ao universo do qual se originam,  essa produção dirigida pelo norueguês Tommy Wirkola não passa de uma releitura do clássico conto infantil, que vem a ruir definitivamente com essa tendência pelo mau aproveitamento da premissa interessante extraída do conto original dos irmãos Grimm.


A trama acompanha destino de João e Maria (Jeremy Renner e Gemma Arterton) já como adultos depois do episódio onde mataram a bruxa da casa de doces, quando haviam sido abandonados pelos pais numa floresta quando crianças. Ao passar dos anos os irmãos percebem sua habilidade e passam a viajar pelo mundo como mercenários que livram as pessoas de assombrações por onde passam em troca de dinheiro. Com isso, ao chegarem à cidade de Augsburg, na Alemanha, são contratados pelas autoridades locais depois do desaparecimento de várias crianças, levando a dupla a um confronto com a Bruxa Negra (Framke Janssen), conhecedora do passado dos irmãos e uma perigosa adversária que pode destruir a fama e a vida dos famosos caçadores de recompensas.

Os irmãos Grimm devem estar dando pulos na sepultura depois dessa transposição cinematográfica de seu lendário conto infantil. Se não deste, mas de outros contos que já tiveram sua transposição para telona. Além do mais, qualquer um que torceu o nariz para os filmes mencionados no primeiro parágrafo, diante desse longa certamente fará uma cara de nojo horripilante. Isso porque a premissa nem é de todo mal, porém mal desenvolvida pelo roteiro (Tommy Wirkola e Dante W. Harper) e horrivelmente realizada pela direção de Wirkola. O que não resta muito suporte para o elenco fazer uma grande diferença no resultado final, sendo que toda a estrutura peca exageradamente ao não se firmar em nenhum gênero com maestria. Trata-se de uma aventura com terror e ação, que flerta constantemente com a comédia e que não se desenvolve em nenhum dos gêneros de forma saudável.

Jeremy Renner tem o talento necessário para sustentar um longa com competência, principalmente se tiver uma boa parceria, porém é mais do que necessário que protagonize algo que tenha no mínimo um melhor desenvolvimento. Todo o estilismo visual que permeia a película não são recursos suficientes como atrativo ao espectador. Naturalmente o título serve como chamariz ao público que cada vez mais comparece em produções que de certo modo lhe pareçam familiar, direta ou indiretamente, mas que apresente por obrigação, uma dose medida de habilidade em expandir o universo da fonte da qual se inspira.

Assim, entre uma piada e outra, surge sequências de ação pouco expressivas, pouca profundidade na composição dos personagens e mesmo com uma ambientação auspiciosa, perde-se muito da sua capacidade de entretenimento. A adoção ao formato de exibição 3D, ao invés de ressaltar as qualidades visuais da produção, apenas demonstra o quanto desnecessário se fez. A direção de fotografia apesar de climática se demonstra muito escura dificultando a relevância das imagens em 3D em grande parte das cenas onde ela é adotada. Os efeitos visuais são uma das artimanhas do diretor em ocultar suas deficiências na condução da trama, que inclusive não esbanja potencial algum além da premissa teoricamente interessante.


Por fim, João e Maria: Caçadores de Bruxas” é a perda de uma boa ideia, que foi mal explorada e enfim deformada até ficar irreconhecível. Certamente que os envolvidos nesse projeto poderão constatar no futuro, ao contemplar sua obra, e a negativa repercussão que obteve do público e na crítica, que transpor uma obra literária dos fabulosos irmãos Grimm não é como tirar doce de criança. Que fique a lição para as próximas gerações. 

Nota: 5/10


4 comentários:

  1. Divertido o filme, bem melhor do que as ultimas adaptações de contos de fadas que surgiram nos ultimos anos.

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  2. Filmes como “Alice no País das Maravilhas”, “A Garota da Capa Vermelha” e “Branca de Neve e o Caçador” me agradaram mais, mesmo não tornando-se relevantes nesse subgênero.

    abraço

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  3. Filme diveritdo e que prende atenção. Eu e todos que conheço quue assitiram gostaram , e super indicam...
    Ah! e é melhor que a garota da capa vermelha.. que eu tbm achei otimo .. mas Joao e Maria ganha!
    Branca de neve e o caçador ainda nao assiti por causa da protagonista, que nao tem expressao e ainda faz com que eu lembre da Bella em qualquer filme que faça...

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    1. Adoro os contos dos irmãos Grimm. Acho uma injustiça o que andam fazendo com seus contos. Mas respeito sua opinião, apesar de se deferir da minha.

      abraço

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