quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Crítica: O Senhor das Armas | Um Filme de Andrew Niccol (2005)


Yuri Orlov (Nicolas Cage) nasceu na Ucrânia, porém antes da divisão da extinta União Soviética toda sua família migrou para os Estados Unidos da América para recomeçar a vida. Nesse recomeço, abriram um restaurante, mudaram de religião e cederam ao declínio de uma América sem oportunidades. Depois de presenciar com os próprios olhos um tiroteio entre gangues do leste europeu, que como a família de Yuri também vieram para a América atrás de novas oportunidades,  percebeu que o negócio de armas e munição pode dar um sentido a sua vida. Sobretudo o comércio ilegal. Assim Yuri torna-se um traficante de armas e convence o seu irmão Vitaly (Jared Leto) a se juntar a esse perigoso e lucrativo esquema. Prosperando meteoricamente, seus negócios de fachada passam a chamar a atenção do agente do DEA Jack Valentine (Ethan Hawke), que faz do desmascaramento e prisão de Yuri uma meta pessoal. Apesar ter alcançado o almejado sucesso nos negócios, Yuri não consegue evitar a completa destruição de seus laços familiares que por sua vez pareciam indestrutíveis. “O Senhor das Armas” (Lord of War, 2005) é uma ácida e dramática obra satirizada do universo do tráfico de armas que teve sua ascensão após o fim da guerra fria. Essa produção narra à trajetória de um desses mercadores da morte que enriqueceram em função da instabilidade política mundial que geravam clientes em potencial para suas atividades, devido a seus constantes conflitos armados.

Pelo ponto de vista do protagonista, Yuri descreve suas experiências geniais que o levaram do anonimato ao sucesso, de forma muitas vezes cômica e essencialmente reflexiva. Nicolas Cage, em uma de suas melhores interpretações em anos, contrasta sua glória com o fracasso pessoal que levou a estrutura de sua família a ser desintegrada. O cineasta Andrew Niccol (Gattaca) conduz a história ficcional, baseada em experiências de verdadeiros traficantes de armas da época em que se passa a trama, com habilidade e domínio do formato cinematográfico, sabendo dosar humor e dramaticidade em um contexto provocativo. Com uma trilha sonora composta por pérolas como "For What It's Worth", do Buffalo Springfield, demonstra o tino comercial do diretor para dar leveza e ritmo a sua obra. O Senhor das Armas” é a retração do sonho americano controverso, repleto de sacadas comerciais, diálogos memoráveis que são as vezes resultantes de divagações ou de simples e chocantes estatísticas, e que tem sobretudo, como pano de fundo a missão de alertar sobre certas políticas internacionais manipuladas por telefonemas sussurrados.

Nota: 8/10
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Trailer do Filme "Senhor das Armas"


Introdução Musical do Filme "Senhor das Armas"