segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Paprika | Uma Animação de Satoshi Kon (2006)



Baseado no romance de ficção científica de Yasutaka Tsutsui, de 1993, essa animação chamada “Paprika” (Papurika, 2006), produzida pelos estúdios Madhouse, tem sua trama focada em uma revolucionária tecnologia que possibilita a visualização dos sonhos e a exploração exclusiva do subconsciente das pessoas. Quando vi a sinopse dessa animação pela primeira vez fui tomado pela lembrança imediata do filme dirigido por Christopher Nolan, chamado “A Origem”. Como em “Paprika”, o filme de Nolan tem em sua inverossímil trama esse elemento como sua característica mais marcante. Porém, “Paprika” apresenta uma visão muito mais arrojada dessa mesma premissa, tanto visualmente quanto no enredo amplamente criativo e fantástico que fecha redondamente sem furos. 


Nessa animação de Satoshi Kon (Perfect Blue), cuja história acompanha a uso ilegal de uma revolucionária criação tecnológica chamada “DC Mini”, que possibilita a visualização dos sonhos com total autonomia sobre o subconsciente das pessoas. Porém sem ter ainda a aprovação legal do uso prático dessa inovadora invenção, que por sinal foi usada no tratamento de um policial chamado Konakawa Toshimi, após apresentar sintomas de ansiedade neurótica, é tratado por Atsuko Chiba, através de seu alter-ego Paprika em um mundo onde a realidade e a ficção se misturam. No entanto, algumas máquinas foram roubadas e o subconsciente de várias pessoas passa a ser invadido sem consentimento. Assim, o policial, e os envolvidos na criação dessas máquinas, buscam a identidade dos autores desse roubo, dormindo e penetrando no universo surreal de Paprika a fim de impedir que os criminosos saiam impunes. 

Nessa produção Satoshi Kon consegue incrivelmente explorar ao extremo as possibilidades desse enredo fantástico, tanto visualmente quanto de forma narrativa. Apesar de se tratar de uma animação, essa produção não poupa o espectador de certas imagens e situações extremadas: nudez, estupro, suicídios, e outras situações visuais perturbadoras. Para um espectador mais sensível em lidar com o extremismo do formato animado, não é recomendável, mas ainda assim, não tira o charme dessa animação nada infantil que foi muito bem conduzida, e que não apresenta desperdício de tempo. As camadas da trama são bem aproveitadas, apresentado constantes idas e vindas, no labirinto dos sonhos, que por vezes tornam-se pesadelos aterrorizantes devido à manipulação. A dureza do conteúdo e sobreposta pela beleza dos detalhes visuais dessa animação, cheia de simbolismos carregados de referência e uma profundidade psicológica madura, onde ao final, é concluída com um desfecho que demonstra a afinação do roteiro de Satoshi Kon e Seishi Minakami. 

E se o visual enche os olhos do espectador, com delírios imaginativos, a trilha sonora de Susumu Hirasawa, vem a acentuar todo esse capricho. Os japoneses são feras em mesclar ideias diferenciadas em um único produto, sem aparentar descompasso no resultado. Paprika é um teste de difícil alcance de sucesso que surpreende pelo nivelamento da qualidade que se estende pelos quase 90 minutos de duração. É a união perspicaz de roteiro, visual e sonoridade numa produção focada num público extremamente exigente. Ao contrario de animações ocidentais, cheias convencionalismos, com piadas e canções carregadas de lirismo, os animes procuram constantes inovações para se reinventar e continuar a cativar novos seguidores.  


Por fim, essa animação chamada “Paprika” é de uma originalidade única – criativamente instigante e violenta. Detentora de vários prêmios em renomados festivais pelo mundo, essa produção tem como chamariz possuir o aval de qualidade expedido diretamente pela crítica, além do culto por parte de fãs do gênero. Imprescindível em ser descoberta.  

Nota: 7,5/10   
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2 comentários:

  1. Acabo de ler uma crítica cheia de elogios, mas vejo que a nota parou entre o 7 e o 8...

    Filme muito bom, eu tinha assistido a Ghost in the shell pouco tempo antes e fiquei um pouco desapontado, apesar das boas criticas que o filme tem eu não achei ele tão bom, e fiquei com um pouco de medo que isso acontecesse de novo . Ainda bem que não :)

    Pena que não intendi todas as referencias que o filme tem, só percebi a de Dragon Ball :P

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    1. Confesso que nem tudo ficou claro para mim também (assisti se não me engano, numa madrugada de insonia revoltante). Mas acredite: há muitas outras, que vão da cultura pop a arte renascentista. Embora seja certo dizer que como sci-fi essa animação é totalmente original.

      abraço

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