quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Crítica: Predadores | Um Filme de Nimród Antal (2010)



Quando em 1987 o ator Arnold Schwarzenegger se confrontou pela primeira vez com o obstinado predador alienígena na inóspita floresta da Guatemala, nascia de imediato um sucesso cinematográfico. Realizado por John McTiernan, um cineasta competente e detentor de vários filmes de sucesso em sua carreira, o filme “Predador” levou milhares ao cinema consagrando o mítico personagem, que representava um exímio caçador alienígena e um combatente mortal, a um patamar de ícone da cultura pop possivelmente comparável ao “Alien – O Oitavo Passageiro” de Ridley Scott. Poucos anos depois, surgia uma sequência intitulada “Predador 2 – A Caçada Continua” onde toda ação de guerra do primeiro filme foi transferida para uma ambientação urbana na cidade de Los Angeles que dividiu a opinião do público e da crítica apesar de apenas transparecer qualidades diferentes do longa anterior. E grande expectativa se teve ao lançamento de “Aliens VS Predador”, e sua fraca sequência que vinha no encalço para consertar os equívocos da primeira confrontação. Nesses filmes o foco da história era centrado no confronto épico entre os Predadores e os Aliens de Scott. Nessa tarefa de se aprofundar mais em ambos os universos das espécies, os ligando através de um vinculo sumario ligeiramente interessante, acabaram por fim se afundando em sua pretensão, e quase ridicularizando perdidamente ambos os personagens, devido à tamanha incompetência com que foram abordados nessas produções.

E com muita pretensão, mas dessa vez com o apelo do significativo nome de Robert Rodriguez a produção, que é dado vida ao longa-metragem "Predadores" (Predators, 2010), uma produção que é a realização de um regresso as origens do saudoso filme original, ao mesmo tempo em que se intenciona a criação de uma roupagem mais moderna ao universo selvagem ao qual o personagem habita na memória dos fãs. Seguindo a linha do original onde um grupo militarizado de seres humanos é colocado intencionalmente em um planeta desconhecido, que funciona como uma sinistra reserva de caça onde os humanos são as presas de um grupo de caçadores alienígenas, surge à busca por respostas e um inevitável e sangrento confronto entre as espécies que vão dizimando suas presas uma a uma. Aos poucos os humanos acabam por perceber que a única forma de escaparem de seus algozes perseguidores, seria confrontá-los mediante um trabalho conjunto em função do extermínio de um inimigo em comum. Porém não será fácil alcançar o sucesso nessa empreitada, devido à astúcia de uma espécie que vive unicamente em função da emoção da caçada. 

Em tom de homenagem o diretor Nimród Antal reproduz as qualidades do filme original sem fazer concessões. Com uma selva que remete a lembrança do filme original, com elementos visuais mais exagerados e uma trilha sonora praticamente idêntica cria-se a ambientação que consagrou esses habilidosos caçadores. Porém esse uso descontrolado da homenagem desencadeia nos espectadores mais familiarizados com o filme original uma consequente frustração. Aguardar mais de vinte anos por uma produção que devolva a merecida dignidade ao personagem, e no final constatar que acabou de ver um filme copiado descaradamente de uma obra de culto pelos fãs é decepcionante.

Enquanto Rodriguez implantou seu estilo visual apurado na produção, repleta de exageros narrativos, como na incomum estratosfera que cobre o céu, Antal tentou equilibrar as necessidades dramáticas da trama com sequências de ação expressivas. Tentou, porque falta entrosamento entre o elenco e um herói carismático que desperte interesse no espectador. Apesar de um elenco bem escolhido, carece de motivação para a criação de bons momentos de impacto entre um ato e outro devido ao roteiro preso as amarras da homenagem previamente delineada. Atores como Adrien Brody e Laurence Fishburne são muito mais atores do que se apresentaram nesse longa-metragem. Funcionam na proporção do filme, mas poderiam apresentar interpretações bem mais elevadas considerando suas filmografias.  Adrien Brody principalmente, recém oscarizado na época e de talento inquestionável, empatou com o brucutu Arnold Schwarzenegger numa competição que deveria pela lógica ser o favorito. No entanto Fishburne sempre teve sua carreira marcada por sucessos e fracassos relativos. Alice Braga até funciona, mas em si tratando especialmente de blockbusters norte-americanos, no filme “Eu Sou a Lenda” ela se saiu melhor, mesmo com o pouco tempo de exposição de tela. E como a trama apresenta indícios de quanto previsível pode ser logo no começo, carregada de clichês batidos, resta o espectador ficar atendado nas aparições do personagem que dá título a essa produção, que são marcadas com banhos de sangue e violência brutal – perfeitamente textualizadas na película em função de uma direção de fotografia bem sucedida.  

Portanto, “Predadores” apesar de passar longe de uma homenagem honesta ao filme original, consegue entreter de forma descompromissada. Contudo é odioso vermos um filme carente de um herói ou heroína que nos faça torcer por eles. E com uma produção onde a razão de existência consiste na presença dos vilões que por ventura não conseguimos mais vê-los como tais, acaba por ser difícil criar uma história que seja uma homenagem justa com os personagens que dão título a esse longa-metragem, tamanho seu carisma dentre o público.
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