quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Crítica: O Alfaiate do Panamá | Um Filme de John Boorman (2001)



Enquanto muitos atores correm de papéis que os vinculem a imagem de um personagem em especial, o ator Pierce Brosnan além de seguir na direção oposta, ainda por cima mais tarde insistiu em desempenhar o mesmo papel de forma diferente. Esse filme é um thriller de espionagem cheio de personagens amorais, intrigas politicas e com a sensualidade censurada pela franquia 007. E o que a principio até poderia ser encarado como uma versão mais séria do personagem, senão um plágio acaba ganhando contornos narrativos de uma sátira. Baseado no romance de John Le Carré (também autor de “O Jardineiro Fiel” e “O Homem que Sabia Demais”), um profundo conhecedor da literatura focada no gênero de espionagem, o longa-metragem “O Alfaiate do Panamá” (The Tailor of Panama, 2001) conta a história de Harry Pendel (Geoffrey Rush) um alfaiate inglês, que se exilou no Panamá depois de ser condenado na Inglaterra por crimes de sonegação, e que pelas circunstâncias de sua profissão fez amigos poderosos no meio político e econômico da cidade nos mais altos escalões da sociedade. Depois de anos em território panamenho, justo no período de ascensão e derrota do ditador Manuel Antonio Noriega, Harry ganha certa notoriedade nas terras da Vossa Majestade. Assim Andy Osnard (Pierce Brosnan), um agente especial é despachado para o Panamá pela a rainha depois de uma missão desastrosa e usa convenientemente o influente alfaiate como contato para adquirir informações importantes de seus clientes. O canal do Panamá sempre esteve numa condição insegura aos olhos internacionais. A missão de Andy é assegurar que o governo tenha condição manter o controle sobre o canal para impedir o domínio do narcotráfico sobre ele. De um lado, temos um agente obstinado a conseguir as informações necessárias a qualquer custo, mesmo tendo que chantagear seu informante, que detém segredos inclusive de sua esposa (Jamie Lee Curtis) e do outro lado, há Harry capaz de fabricar as informações de acordo com a necessidade, pois os ganhos pelos serviços podem livrá-lo de certas dívidas inconvenientes.


Num filme sem heróis ou vilões essa trama de espionagem roteirizada por Andrew Davis não tem nada a ver com as pirotecnias da franquia de James Bond (que inclusive Pierce Brosnan já interpretou) ou de Jason Bourne. Enquanto a ausência dessas características o faz perder o brilho do entretenimento fácil, esse longa ganha pontos pela visão mais realista sobre o universo da espionagem de forma mais garantida e verossímil, apesar de excêntrica em certas situações. A ação fica condensada a trama que funciona como o combustível para o sustento das interpretações do agente politicamente incorreto e do alfaiate dissimulado e ganancioso. Harry, ao ver que enquanto tira as medidas dos poderosos para realizar seu trabalho, não consegue ouvir nenhuma informação relevante, assim não hesita em forjar informações, para atender a pressão do contratante, e ganhar um dinheiro fácil no processo. Como Andy não pensa duas vezes antes de se deitar com a esposa de Harry, deixando de lado o papel de agente especial galanteador pelo papel de espião canalha. Sem a pretensão de superar os filmes de espionagem consagrados que todos conhecemos, “O Alfaiate do Panamá” pode ser uma boa aventura realizada com uma descrição diferenciada. Naturalmente os personagens deixaram a elegância e o charme dos famosos espiões de lado, detentores de glamour e carrões possantes, limitando-se ao perfil de pilantras oportunistas mais comuns, mas que possivelmente podem ser o reflexo mais fiel desse universo onde as intrigas e interesses políticos tomaram o lugar de ameaças nucleares de destruição em massa que tanto assombravam o imaginário do poderio britânico. 

Nota: 6,5/10
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