sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Crítica: As Aventuras de Tintim | Um Filme de Steven Spielberg (2011)



O ano de 2011 se viu às voltas da nostalgia das origens do cinema. Há exemplo disso, as grandes indicações do Oscar passado eram voltadas a filmes que justamente revivem os bons tempos daquela época. Através de sua primeira animação, Steven Spielberg volta no tempo também, mais precisamente no tempo de “Indiana Jones – Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) para criar uma aventura bem aos moldes do personagem de Harrison Ford. Mas deixando de lado as semelhanças do personagem Tintim criado pelo belga Hergé, com as do sagaz arqueólogo e aventureiro Indiana Jones, o cineasta Steven Spielberg se reinventa na criação de uma aventura espirituosa como há tempos não se via através desse longa de animação chamado As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin, 2011), que tem como característica técnica a captura da performance de atores para confecção da animação.


A história que acompanha uma recente aquisição de uma réplica de um antigo navio comprado em uma feirinha típica de rua por Tintim (Jamie Bell), onde acaba sendo surpreendido pelo súbito interesse de dois homens que insistem em comprá-lo. Assim o jovem Tintim, com a intuição apurada começa a juntar varias peças de um grande quebra-cabeça o levando ao ancestral de Sir Francis Haddock (Andy Serkis), capitão de um navio real e a um tesouro perdido. 

Depois de anos mais produzindo filmes dos outros, do que apresentado projetos próprios, Spielberg mostra porque é um dos maiores cineastas de seu tempo. Até mesmo fazendo uma animação técnica complicadíssima nas mãos de um realizador menos competente, nas suas não passa de um brinquedo novo em processo de descoberta, sempre divertido cada momento. Mesmo com o formato diferente ao qual está habituado a filmar, as aventuras do jovem são agitadíssimas e recheadas de ação e ângulos vertiginosos. E mesmo tendo a responsabilidade de filmar um clássico, não se conteve em apenas contextualizar simplesmente o universo de Hergé com fidelidade, mas em apresentar as novas gerações um personagem empolgante através de uma narrativa frenética ao qual estão bem acostumados.

Mesclando três aventuras clássicas do jovem e audacioso jornalista (O Caranguejo das Tenazes de Ouro, O Segredo do Unicórnio e O tesouro de Rackham) os roteiristas Joe Cornish, Steven Moffat e Edgar Wright adaptaram a história de maneira convencional sobre uma caça ao tesouro para apresentar ligeiramente os personagens – presumindo que o público já os conhecesse com familiaridade – e deixando os melhores momentos da trama a cargo de Spielberg com sua visão alucinada de apresentar os fatos que giram em volta dos envolvidos na trama. O roteiro não se prende a explicar quem é Tintim, deixando a ação em primeiro plano ao invés de uma abordagem mais profunda.


Uma cena inclusive surge como homenagem a Hergé, com ele rabiscando o personagem Tintim em um banco de praça. Uma homenagem ao criador e um anúncio dado ao espectador sobre as origens desses tão animados aventureiros, que através das interpretações de Jamie Bell e Andy Serkis transpõe emoções vibrantes na tela mesmo que cobertos pelos efeitos visuais necessários do formato adotado pela produção.

Por isso, “As Aventuras de Tintim” é uma aventura a moda antiga, cheia de emoção e bem feita, onde Spielberg volta à boa forma transpondo um projeto que acalentava a mais de 30 anos em seu âmago. Entre as semelhanças e diferenças entre as mídias dos quadrinhos e a cinematográfica, certamente poderá ser encontrado um sutil distúrbio das referências, mas uma coisa é inegável, pois o fiel cãozinho Milu (ou Snowy no original) continua super-carismático e necessário para a salvação do dia. E é isso que importa.

Nota: 7,5/10

        

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