quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Crítica: Vingança Sem Limites | Um Filme de David Ren



Esse filme de ação criado nos moldes de “Sin City” que também remete a filmes de pancadaria típicos de Hong Kong, e a uma leva de outras referências cinematográficas, tenta sem muito sucesso, dar cor e textura a uma cruzada muito similar a de Marv (personagem de Mickey Rourke em Sin City). E se não consegue o devido sucesso nessa empreitada, deve-se a inevitável comparação que desencadeia após poucos minutos de exibição, se tornando seu calcanhar de Aquiles. Logo de inicio nota-se com níveis razoáveis de evidência, as deficiências de uma climatização eficiente e de uma história com uma narrativa carismática como a que Robert Rodrigues obteve naturalmente. Embora agrade o espectador desprovido de expectativa.


Assim acompanhamos esse longa chamado Vingança Sem Limites (The Girl from the Naked Eye, 2012) onde Jake (Jason Yee) um motorista que transporta e protege strippers em programas particulares pela cidade, se depara em casa com o assassinato de Sandy (Samantha Streets) a qual era apaixonado. Por sua vez, ela também era garota de programa a qual muitas vezes escoltou em serviço. Inconformado com a morte inexplicável da garota, Jake sai pela cidade na busca dos responsáveis sedentos por vingança. Seu ponto de partida para encontrar o assassino, passa a ser seu chefe, que detém uma caderneta com os nomes dos últimos clientes aos quais Sandy teve contato. Porém a situação foge do controle e toma rumos incontroláveis que levam Jake ao submundo das drogas, do sexo e da violência.

O filme tem uma atmosfera noir barata, que bebe da fonte das revistas do movimento pulp fiction como se fosse sua fina inspiração – o filme começa com uma revista ilustrada ao estilo se abrindo e termina com a mesma se fechando – deixando claro uma de suas referências mais expressivas. Porém, o desejo de imitar outros cineastas que se consagraram com o gênero (Quentin Tarantino ou até mesmo Guy Ritchie) transparece uma pretensão inadequada para um projeto genialmente minimalista. Embora que ambos tenham se dado bem com essa fórmula, inclusive eles tiveram a consciência de se reciclarem para não caírem em descredito.

Ainda com uma narrativa que oscila entre referência e homenagem, há uma recriação de uma sequência de pancadaria que remete a lembrança imediata ao longa-metragem “Oldboy” numa cena que ocorre em um corredor, deixando claras as infinitas possibilidades que foram adotadas para se contar a trama principal também roteirizada pelo protagonista, que surpreende apesar dos diálogos deslocados e personagens caricatos. Inclusive há uma participação relâmpago de Lateef Crowder (o exímio capoeirista de O Protetor) entre outras, como a atriz pornô Sasha Grey.


Por fim, o filme Vingança Sem Limites, se visto de forma descompromissada funciona bem, sendo que foi feito sem o alvará de grandes estúdios ou a participação de grandes nomes do cinema. Transborda criatividade com uma trilha sonora eclética e eficiente, mas carece sem dúvida de um desfecho mais empolgante do que se apresenta. Tem boas cenas de ação e uma pancadaria sem muito rodeio, com enquadramentos que novamente remetem a filmes de luta feitos nos anos 90, como é de se esperar de uma produção que foi arquitetada sobre homenagens a filmes da mesma época, há mais nostálgicos ainda.


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