quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Crítica: 10.000 a.C. | Um Filme de Roland Emmerich (2008)



A narrativa adotada pelo cineasta alemão para esse longa estadunidense se mostra moderna em demasia. E quando adjetivo a palavra “moderno”, não me refiro de forma positiva quanto às qualidades dessa produção. Para um filme que é intitulado "10.000 a.C." (10.000 B.C., 2008) essa produção, como as anteriores que foram dirigidas pelo cineasta (O Dia Depois de Amanhã, Independence Day, Godzilla), tem um enredo fraco e com efeitos visuais em primeiro plano pouco expressivos. Contudo, essa fórmula que até funcionou numa eminente invasão alienígena, e depois derrapou bastante na chegada do armagedon, naturalmente seria muito criticada caso fosse adotado nesse longa, que nos apresenta uma trama ambientada na passada pré-história, mas com vários elementos narrativos difíceis de se encaixar no tempo onde a ação se passa. Isso sem mencionar a infinidade de referências cinematográficas aplicadas através de uma reciclagem de ideias sem um pingo de vergonha. 

A história criada pelos roteiristas Harald Kloser, em parceria com o diretor Roland Emmerich, nos leva a pré-história para acompanhar um épico no qual um homem é destinado a se tornar o herói de seu povo. Seu nome é  D’Leh (Steven Strait), o qual uma anciã profetizou a muitos anos atrás que iria herdar a lança branca de seu pai após matar um Manac (Mamute). Junto com a lança receberia o direito pela mulher amada, Evolet (Camilla Belle). Porém junto na profecia, vinha à notícia de que um mal tomaria a tribo, e que esse homem se levantaria contra o mal e libertaria seu povo. E esse mal veio a cavalo, destruiu e sequestrou membros de sua tribo, dentre eles sua amada, levando-o numa busca incessante por terras desconhecidas para resgatá-la. Nesse resgate, vagam por lugares desconhecidos e combatem ameaças naturais perigosas, ao mesmo tempo em que junta um exército de soldados de várias tribos diferentes para combater a supremacia de um povo evoluído em terras egípcias que escraviza outros povos para construção de pirâmides.

Obviamente o roteiro não é o forte desse longa. Numa salada de referências cinematográficas, que vão de “300” a “Jurassic Park”, o história que ainda que tenha sido fundamentada em estudos científicos, possibilitava oportunamente a liberdade poética. Apesar de todos os estudos feitos sobre o período em que se desenrola toda a ação, ainda há gigantescas lacunas sem respostas sobre centenas de anos sobre os primórdios da civilização. Assim, Roland Emmerich com sua pretensão, preencheu essas lacunas com sua falta de criatividade. Mesclou vários elementos de outros filmes de forma acomodada a paisagens perfeitamente enquadradas por sua câmera. A direção de Emmerich peca demais por não dar ritmo à trama, que muitas vezes se demonstra arrastada e muito contemplativa de maneira desnecessária. Com poucos momentos marcantes, como a primeira aparição do tigre dente-de-sabre, as demais criaturas tornam-se um vexame para a equipe de efeitos visuais, tamanha a artificialidade do CGI em relação ao ambiente. O acabamento tem ares de amadorismo que não é coerente com a filmografia do cineasta. Os mamutes inclusive têm os seus momentos de glória em cena, mas que não superam a expectativa de um confronto como o estampado no pôster do filme, que por sinal, nem surge à possibilidade de ocorrer de verdade.

O elenco até tenta convencer, mas o enredo não ajuda numa boa performance. Steven Strait, não tem carisma para carregar um personagem de peso como o qual foi incumbido, como Camilla Belle, apesar de sua beleza hipnótica devido ao brilho daqueles olhos azuis, precisa de mais até mesmo para uma donzela em perigo. O único rosto conhecido do elenco é de Cliff Curtis, detentor de um talento que foi desfigurado por uma caracterização constrangedora por parte da produção. 

No final "10.000 a.C." tem um resultado previsível até mesmo para os padrões de Roland Emmerich. Carregado de clichês e equívocos históricos, distorcidos ainda mais em um roteiro simplista, além de tudo o espectador é brindado com um final que plagia outro épico protagonizado pelo império grego. Não é a toa que o site Yahoo havia colocado esse filme na lista de “Os 10 Filmes mais Historicamente Imprecisos”. Com um filme onde a ação descrita se refere ao principio da civilização humana evoluída, usando também como base de inspiração uma tragédia grega como solução para o desfecho, esse longa só tinha que se dar mal. 

Nota: 6/10

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