sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Crítica: O Vingador do Futuro | Um Filme de Len Wiseman (2012)



Mesmo odiando fazer comparações, mas que em alguns casos se fazem mais do que necessárias, "O Vingador do Futuro(Total Recall, 2012) demonstrou ser um remake esquecível aos que conhecem o original de 1990, ao mesmo tempo em que até pode valer o ingresso para as novas gerações caso não o conheçam. Baseado em um conto de um dos gurus da ficção cientifica Phillip K. Dick – autor de obras que inspiraram a criação de “Blade Runner ou Minority Report – foi adaptado para o cinema por Paul Verhoeven em uma produção estrelada por Arnold Schwarzenegger que simplesmente é um clássico do gênero até hoje. Através dessa refilmagem, em um futuro destroçado, a área habitável do planeta que sobrou após uma guerra química foi limitada a pequenas regiões. Duas na verdade – a Federação Unida da Bretanha e A Colônia. Sob um clima de controle onde uma dessas regiões mantém a outra sobre rédea curta, nessa atmosfera hostil, há Douglas Quaid (Colin Farrel), operário casado com uma bela esposa (Kate Beckinsale), que procura uma empresa capaz de implantar memórias ao gosto do cliente, como forma de se distanciar da trágica realidade cotidiana apresentada pela atual condição do planeta. Infelizmente o experimento não sai de acordo como planejado, com Quaid descobrindo que sua vida é uma mentira e que na verdade ele agia disfarçado a serviço da resistência como espião. Quaid torna-se foragido e passa a ser procurado pelas autoridades como ameaça. 

Apesar do visual proposto pela direção de Len Wiseman ser arrebatador, já de cara perde pontos por não trazer nada de novo de forma emblemática. Naturalmente a postura escapista adotada a produção para a aplicação de explosões, perseguições aceleradas e lutas e mais lutas, funciona como entretenimento, mas deixa a proposta oferecida muito limitada diante das conquistas que o original difundiu a mais de vinte anos atrás. Essa coisa de Hollywood presumir, que basta fazer um remake de um grande sucesso do passado, com a certeza que as novas gerações não conhecem, será certeza de sucesso garantido, eles podem tirar o cavalinho da chuva. Refilmagens criam comparações inevitáveis. Em muitos casos apenas desencadeiam a curiosidade pelo original, que é revisitado pelos familiarizados e redescoberto pelos mais curiosos. Os fãs do gênero são extremamente exigentes ao comtemplarem uma refilmagem, fazendo de qualquer derrapada um tombo fatal. O roteiro escrito por Kurt Wimmer (Código de Conduta) e Mark Bomback (Duro de Matar 4.0) simplificou a história por demasiado, atendo-se ao original apenas com pequenos elementos diferenciados. A postura crítica ao capitalismo inserido na obra de Phillip K. Dick não foi aprofundado, mesmo transparecendo seu marcante caráter pessimista presente em todas suas obras. 

Todo o elenco está antenado com a proposta oferecida. Sobretudo, Kate Beckinsale – também esposa do diretor na vida real – foi brindada com mais tempo em tela e destaque ao seu personagem, antes interpretado por Sharon Stone no clássico. Colin Farrel, convenhamos, não tinha uma disputa que causasse tensão. E Jessica Biel, cumpre seu papel dentro do que é possível realizar devido ao roteiro que o limita. Alguns personagens do original sumiram, enquanto outros foram mesclados a um só papel, dando um ar mais enxuto a trama. Ainda me prendendo a comparações, esse longa-metragem faz várias homenagens ao filme de Paul Verhoeven – em cenas chaves, em imagens marcantes, nas falas, na direção de arte e no design da produção. A mulher de três seios é uma visão bizarra herdada do clássico da década de 90. Seguido a intenção de criar reflexão sobre problemas atuais da sociedade em um ambiente futurista, "O Vingador do Futuro" deixa um pouco a desejar. Entrega a mensagem necessária, sem dúvida, mas sem o alarde revolucionário que destacaria essa produção de forma relevante também. A proposta apresentada por Len Wiseman não tem nada que Paul Verhoeven não tenha feito antes, nos deixando apenas a lembrança conveniente do visual estonteante do filme – exceto pelos três seios – em meio às reviravoltas de uma trama antiga. 

Nota: 6,5/10
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