terça-feira, 4 de setembro de 2012

Crítica: Bravura Indômita | Um Filme de Joel e Ethan Coen (2010)



Baseado em um western de 1969 estrelado por John Wayne, o filme Bravura Indômita (True Grit, 2010), dirigido pelos consagrados irmãos Coen fazem de um filme originalmente interessante, algo impecável e surpreendente, e que ao contrário do original, consegue saciar o apetite voraz do espectador por atuações memoráveis, ao mesmo tempo em que desperta emoções inéditas. No filme “Onde os Fracos Não Tem Vez” os irmãos Coen apresentam um breve ensaio do gênero, que inclusive superou o espetáculo anunciado. Apesar da roupagem moderna adotada em “Onde os Fracos Não Tem Vez, ele bebia da fonte inspiradora dos westerns, contendo vários elementos de um bom faroeste a moda antiga deixando claro o profundo conhecimento dos autores sobre o território pelo qual caminhavam. Bravura Indômita é a afirmação disso, mesmo trabalhando sobre a plataforma de um remake, criaram algo novo, e mesmo que não tenha conseguido angariar tantos fãs quanto o original, tem seus méritos também. Nesse filme o espectador acompanha a jornada de Mattie Ross (Hailee Steinfeld), uma garotinha de 14 anos, que vai a cidade resolver algumas pendengas da família, e sem o conhecimento da mãe ou de sua família, busca vingança pelo assassinato do pai cometido por Tom Chaney (Josh Brolin). Porém devido as dificuldades obvias da missão de justiça, ela contrata Rooster Cogburn (Jeff Bridges) e acaba tendo auxilio do policial Texas Ranger La Bouef (Matt Damon), que também persegue Chaney a anos.


Um dos pontos altos desse faroeste, além do humor negro característico dos filmes criados pelos cineastas, é a afinada relação entre os protagonistas: Steinfeld se apresenta apesar da idade, uma grande negociadora dotada de uma postura madura diante da gravidade da situação; Bridges mesmo bêbado e com ares de vagabundo, mostra um ator convincente no papel, e que mesmo cheio de defeitos morais, funciona como uma figura paterna substituta para Mattie responsável apesar de controversa; Damon faz um papel medido para transpor as falácias de seu personagem; e quanto a Brolin, desprezível em sua totalidade, se mostra expressivo e vítima inconsequente de sua condição criminosa, que apenas busca sua auto preservação erroneamente. Tanto no conjunto como na forma unitária, todo o elenco está ótimo e à vontade em seus papéis. Por fim, Bravura Indômita é um belo exemplar contemporâneo de um gênero no qual se deposita muita expectativa a cada lançamento. Cria vários protestos de fãs que sempre os comparam com obras consagradas do passado. Esse longa é visualmente perfeito, com uma narrativa contemporânea bem transposta, que foi habilmente escolhida pelos responsáveis e funciona bem como em todos os filmes dos irmãos Coen – profundos conhecedores do que fazem. Mas também funciona ainda como convite para conferir outros clássicos do gênero, hoje perfeitamente disponibilizados no formato de DVD

Nota: 8/10

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2 comentários:

  1. Os próprios Coen defendem que este filme não é um remake, mas tão somente uma segunda adaptação de um mesmo livro. Ainda não vi o filme de 1969, mas ainda espero poder conferi-lo para ver até que ponto eles são de fatos semelhantes. O mais me impressiona no filme de 2010 é a maneira que os irmãos conduzem tanto o ritmo da drama quanto a parte técnica do filme. Sem dúvidas uma grande obra. Parabéns pela resenha!

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/09/habemus-papam.html

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  2. Eu vi o de 1969, mas não me impressionou em nada. E as semelhanças com esse filme são de poucas a nenhuma. Se foi uma adaptação, não foi do filme, e como você mesmo disse, deve ter sido do livro que inspirou a obra. Obrigado pela visita.

    abraço

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