segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crítica: Jackie Brown | Um Filme de Quentin Tarantino (1997)



O cineasta autor e realizador de sucessos como “Pulp Fiction”, “Kill Bill”, e “Bastardos Inglórios”, o cultuado cineasta Quentin Tarantino, sempre costuma filmar seus próprios roteiros cujas histórias são frutos de sua imaginação. Porém certa vez afirmou que se tivesse que filmar uma história da autoria de outra pessoa, seria uma adaptação de algum romance escrito pelo romancista policial Elmore Leonard. E assim o fez na primeira oportunidade através da adaptação do romance Rum Punch. Suas histórias já foram transpostas para a telona por outros cineastas, que inclusive desencadearam alguns sucessos como O Nome do Jogo dirigido por Barry Sonnenfeld, que posteriormente gerou uma sequência menos carismática, e “Irresistível Paixão”, dirigido por Steven Soderberg, um pouco esquecida atualmente como um bom filme policial com senso de humor apurado. Agora, ainda que Jackie Brown (Jackie Brow, 1997), dirigido por Tarantino não tenha caído no gosto dos fãs como seus filmes anteriores, o resultado é marcado com seu charme e nuances, não deixando esse longa-metragem menos relevante dentro de sua filmografia.


Em Jackie Brown, a história acompanha de perto a personagem título interpretada por Pan Grier, uma comissária de bordo de uma pequena companhia aérea, que entra em uma enorme enrascada ao se envolver com um perigoso traficante chamado Ordell Robbie (Samuel L. Jackson). Para não ser presa, obriga-se a fazer um acordo com um policial (Michael Keaton) para entregar Ordell em um flagrante. Ainda na trama tem um pagador de fiança interpretado pelo desaparecido até então Robert Forster, um ex-detento interpretado por Robert De Niro, e uma garota deslocada e perdida no crime interpretada por outra sumida, Bridget Fonda.


Tarantino tem o hábito de ressuscitar astros que beiram a decadência, os aproveitando ao máximo através de seu talento. Quando John Travolta sofria desse mal, quase esquecido, estrelou “Pulp Fiction” o mandando de volta ao topo. Nesse filme, Tarantino recrutou uma veterana de filmes policiais da década de 70, Pan Grier, lhe concedendo o papel principal. Apesar de que todo o elenco está afinadíssimo na trama, naturais em suas interpretações e magistrais no conjunto, a produção usa bem as locações – todas reais – para fazer uma ambientação convincente no decorrer da ação. 


Com uma trama firme em um jogo de interesses, bem ao estilo policial ao qual o diretor teve como escola - onde ninguém pode confiar em ninguém - a direção Tarantinesca usa e abusa das possibilidades, deixando os personagens cambaleantes em meio a tanta mentira e contravenção, homenageando o gênero BlaxploitationPor fim Jackie Brown não chega a ser um “Pulp Fiction” da vida, mas também não deixa a desejar de forma alguma. Somente não tem o carisma que deveria, mas esbanja competência pelo resultado singular. Não tem a estética violenta de seus filmes anteriores que lhe concederam o status de cult, mas ainda tem o estilo tarantinesco magistral de todos seus filmes inserido na película, isso é inegável. 

Nota: 7/10
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4 comentários:

  1. Mesmo sendo um filme menor de Tarantino é interessante. Tem uma boa trama e ótimo elenco.

    Depois deste trabalho, Pam Grier e Robert Forster voltaram ao mercado e conseguiram até que alguns bons papéis, levando em conta que suas carreiras estavam praticamente acabadas.

    Abraço

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  2. Fico na espectativa pelo próximo trabalho de Tarantino, que agora somente terá estrelas consagradas.

    abraço

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  3. Gostei mais de Jackie Brown doque de Pulp fiction e gostei mais de Reservoir Dogs doque Jackie Brown. :)

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    Respostas
    1. Particularmente acho que "Bastardos Inglórios" é um dos seus melhores filmes até hoje, embora a maioria dos seus fãs apreciem mais "Pulp Fiction", ao qual também aprecio muito. "Jackie Brown" gosto muito pela natureza de sua fonte: o romancista policial Elmore Leonard. Gigante da literatura policial que tanto Tarantino usa como referencia....

      abraço

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