domingo, 26 de agosto de 2012

Crítica: Encontro Explosivo | Um Filme de James Mangold (2010)



Simplesmente não há um crítico de se preze que irá dar algum crédito a esse longa intitulado "Encontro Explosivo(Knight and Day, 2010), uma versão despretensiosa da série “Missão Impossível” a qual o ator Tom Cruise também é o astro. Esse filme tem todas as características positivas e negativas do mesmo. Carregado de exageros visuais e um humor canastra, esse filme de ação/espionagem se encarado de forma descompromissada, pode muito bem agradar ao público. Portanto, como o encarei dessa forma, talvez seja por isso que ele me agradou. Concordo plenamente com o fato, de que Tom Cruise (como ocorreu com Eddie Murphy há muitos anos, quando tentou imitar através de “O Negociador” o sucesso de “Um Tira da Pesada” e foi apedrejado pelos mesmos fãs que o reverenciavam) deveria se afastar de projetos que fizessem alusão a personagens que o consagraram.  

A história não é nenhuma experiência transcendental, ou coisa parecida. Tem todos os elementos de um filme de espionagem, mas sem despertar aquela angustia de que se o mocinho não conseguir impedir os vilões, tudo estará perdido. Cameron Diaz faz o papel de June, uma garota que viaja pelo país atrás de peças usadas para reformar carros antigos, e numa viagem de avião, conhece Roy Miller, interpretado por Tom Cruise, um agente secreto que está sendo caçado pela mesma agência pela a qual trabalha. Existe vários indícios de ele ter traído seus compatriotas ao sequestrar um jovem cientista inventor de uma bateria portátil de carga infinita. June ao cruzar o caminho de Miller envolve-se em uma trama Hollywoodiana de explosões, tiroteios, negociações com criminosos, viagens internacionais e, obviamente, num romance com Roy Miller. 


Uma forma de o espectador apreciar esse filme, é justamente não o levando a sério, como ele próprio faz. Os exageros são constantes. As sequencias de ação são extremamente elaboradas, deixando aquela sensação de que tudo é muito fácil de ser feito. Mesmo sob fogo cerrado, Miller age de forma que tudo parece brincadeira de criança. Mesmo quando tudo dá errado, e bastante coisa dá, ele não esboça a menor preocupação com a situação. Sua naturalidade diante do perigo, depois de um tempo demonstra ser nesse longa, um enorme massageado de ego, desnecessário para sua filmografia. Ele já tem uma cota bem alta de personagens excêntricos e exóticos no currículo, como o guru sexual machista de Magnólia ou o produtor de cinema bem boca-suja de Trovão Tropical”. É inegável que Cruise tenha talento, porém depois de anos sem emplacar um sucesso expressivo, não será através de filmes desse gênero que ele revitalizará sua carreira.

Com uma edição curiosa, pois quando os personagens chegam ao extremo da ação, Roy sistematicamente dopava a personagem de Cameron – porque cuja histeria desenfreada fazia dela um estorvo – apagava devagarinho, se distanciando lentamente do caos junto com o espectador, e que em momentos depois despertava na calmaria de outro cenário que não tinha nada em comum com a ação deixada para trás. Entre muitos furos de roteiro, essas lacunas intencionais deixadas na transição, vistas como solução, concedem ao roteiro debilitado certo charme. E charmosa é sua trilha sonora, sensual e bem pontuada na pausa da ação. 

Dentre os maiores problemas dessa produção, a falta de um vilão a altura do protagonista, exibe de forma escancarada essa carência. Enquanto o herói dá um baile em todo mundo, seu antagonista não tira a expressão de surpresa da cara um segundo sequer. Apesar de que parece que todo mundo quer matar Roy e June nesse filme mesmo, tamanha a correria para se salvar depois de um tiro e uma explosão seguida da outra que dão voltas ao mundo. Claro, é filme de espionagem. Paisagens exóticas são mais do que necessárias para um bom filme de espionagem no estilo de 007, contudo nesse, ainda tentam fazer humor funcional o tempo todo, mesmo Roy Miller não sendo Johnny English

Por isso "Encontro Explosivo" têm sim seus defeitos, e muitos por sinal, porém está recheado de doces qualidades. É simpático, bem elaborado, usa e abusa do humor, e às vezes, inclusive é engraçado mesmo. Esse filme eu o encaro como se fosse chocolate: que até é gostoso, mais também é enjoa. Mas na falta de uma refeição mais nutritiva e bem feita, quebra o maior galho.


Nota: 7/10
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