segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Crítica: Cowboys & Aliens | Um Filme de Jon Fraveau (2011)



O Novo México serve de cenário para Cowboys enfrentarem ameaça Alienígena 

Mesmo que "Cowboys & Aliens" (Cowboys & Aliens, 2011), tenha tido em sua somatória uma premissa inédita, o diretor responsável pelo sucesso da franquia “Homem de Ferrono comando, o astro Daniel Craig como protagonista - que fez todos que torciam o nariz para franquia 007, verem com outros olhos essa extensa franquia que havia caído em descredito nos últimos anos - mais a influência de Steven Spielberg como produtor, não foi capaz de impedir que essa produção caísse dos céus no qual habitava durante a pré-produção. Toda expectativa depositada numa premissa nunca antes realizada, poderia ter sido mais bem elaborada. 

A história, adaptada dos quadrinhos, acompanha de perto Jake Lonergan (Daniel Craig), um forasteiro com ares de mistério, que desperta perdido e com amnesia completa sobre quem é ele, ou como foi parar lá, no meio do deserto do Arizona. Apenas com as roupas do corpo e um estranho objeto de metal futurístico preso ao seu punho, ao qual nem imagina como foi parar em seu braço, segue em direção de uma cidade nas proximidades chamada Absolution, onde seu personagem se depara com o filho do mandachuva da cidade – um tremendo filhinho de papai e causador de problemas. Após uma encrenca danada, o jovem é preso, onde entra em cena Woodrow Dolarhyde (Harrison Ford), para libertá-lo através de sua influencia local. Porém antes de conseguir a “absolvição” do filho, a cidade é atacada violentamente por naves alienígenas na escuridão ao mesmo tempo em que sequestra os moradores.  A partir daí, passa ser traçado um plano de resgate e destruição dos alienígenas.


Numa trama de faroeste, onde a responsabilidade de sustentá-la fica a cargo dos protagonistas, fracassa pela imensidão de diálogos descartáveis e atuações pouco expressivas. Carregado de situações funcionais, evidencia uma abordagem burocrática para adiar a realização do verdadeiro propósito dessa produção. O confronto épico entre alienígenas e seres humanos completamente desprovidos de tecnologia. Porém o roteiro tenta primeiro criar uma situação de rivalidade que não funciona bem, e depois constrói uma aliança necessária – novamente funcional – para salvar os sequestrados e se possível, destruir os alienígenas. O desprendimento de Craig com a ideia, que margeia a missão, ao mesmo tempo em que há o desdém de Ford com o grupo, mostra uma tentativa de criar situações paralelas para prolongar uma caçada já extensa demais. 

Enquanto Ford não convence como vilão – impossível ver Indiana Jones como vilão – Craig deixa o seu maior trunfo, o mistério em volta de sua origem ficar associado excessivamente à figura de Olivia Wilde, fazendo seu personagem cair na mesmice e desinteressante. Seus mistérios acabam sendo fáceis de decifrar, após vários flashbacks. Como a atuação dela acaba servindo apenas como ferramenta no cumprimento do roteiro – com direito a uma nudez gratuita – enquanto não se cumpre o desfecho óbvio, sem direito a mártires.

Todo o elenco de apoio, mal aproveitado, tenta dar profundidade a seus dramas pessoais, que se cruzam e se afrontam constantemente. Esses dramas são por fim ofuscados diante de uma historia que se arrasta com pouco sustento. É uma infinidade de obstáculos desinteressantes a serem superados antes de um combate emocionante que não embala. O sofrimento para resgatar os sequestrados também não emociona. As explosões e as cenas de ação, que não atendem a expectativa da capacidade de nenhum dos envolvidos, causam um pouco de frustração. Tanto Spieberg, quanto Fraveau, já criaram verdadeiros espetáculos nesse quesito, que aqui não se cumpriu. Com efeitos especiais vistos antes em outros filmes, não se teve a preocupação de inovar em um departamento onde a produção normalmente dita às regras.

Por fim, "Cowboys & Aliens" deixou uma boa premissa se perder. O argumento da produção justificando a realização desse longa, onde nada assim parecido havia sido feito até então, deveria servir de motivação aos envolvidos para a criação de algo único também dentro da proposta oferecida. Mas parece que careceu de atenção. Como todo bom faroeste, precisava de personagens interessantes que fizessem o espectador querer acompanhá-los, como também, todo filme de SCI-FI precisa de um desenvolvimento visual que andasse de mãos dadas com o conjunto da obra. Parece que tanto um quanto o outro, tiveram sua existência bem sucedida somente até o término da premissa. 

Nota: 6,5/10
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