sexta-feira, 20 de julho de 2012

Crítica: O Corvo | Um Filme de James McTeigue (2012)




Apesar de ter simpatizado com o filme “Ninja Assassino”, dirigido por James McTeigue, seu grande acerto ainda consiste em “V de Vingança”. Agora seguindo a tendência de recriar personagens históricos em circunstâncias mirabolantes como ocorre em “Sherlock Holmes”, o diretor tenta conduzir uma trama de suspense utilizando como personagem principal o escritor Edgar Alan Poe. O filme de premissa interessante e um visual arrojado chamado "O Corvo"(The Raven, 2012), não sustenta uma trama a altura da expectativa do espectador voraz por originalidade e mistério, como os que rondam sobre a trajetória e obra do autor. Em sua trama acompanhamos Edgar Alan Poe (John Cusack) auxilia um detetive (Luke Evans) na caçada por um assassino em série que se utiliza dos contos do autor como inspiração para cometer seus assassinatos. Para a surpresa de Poe, sua amada Emily (Alice Eve) toma parte do plano doentio do criminoso. Assim o detetive e o autor correm contra o tempo para capturar o assassino antes que ele faça de Emily mais uma vítima de seu sinistro plano.


O roteiro de Ben Livingston e Hannah Shakespeare se torna fraco e carregado de referências cinematográficas consagradas (Sherlock Holmes, Seven e Jogos Mortais), diálogos excessivamente solenizados, desprovido de originalidade e personagens convincentes. Apesar de interessante a ideia de usar os contos do autor como inspiração para assassinato, parece que foi dado somente valor exagerado às cenas mórbidas descritos nos textos – apesar de vitais – e descartado todo resto sem uma avaliação de seu valor narrativo dentro do roteiro. A direção de McTeigue não se torna relevante por ele fracassar na definição do rumo que o longa deve caminhar, apenas flertando com as referências citadas anteriormente. Sua capacidade de direção sempre foi questionada envolvendo seus filmes, tanto que em certos círculos, afirma-se que seu maior sucesso foi atribuído aos produtores Larry e Andy Wachowski, que na verdade inclusive teriam dirigido maior parte do filme.  

O ator John Cusack faz tempo que não emplaca um sucesso significativo. Apesar das semelhanças físicas com o autor, sua interpretação carregada e caricata não vai tirá-lo do limbo de forma alguma. Mas sua atuação frustrante, não corre solta, porque o restante do elenco também não impressiona ninguém. O ponto alto de "O Corvo" fica a cargo da produção de arte e da ambientação perfeitamente delineada – cenários grandiosos e figurinos de época de belo acabamento fazendo valer o pequeno orçamento da produção que girou em volta de U$$ 26 milhões – baixo para um longa desse nível de produção. O visual bem antenado e definido com uma fotografia esplêndida que enriquece, mas não tira o filme de um prejuízo por completo. 

Nota: 6/10
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