quarta-feira, 6 de junho de 2012

Resenha: Coraline | Uma Animação de Henry Selick (2009)



Através dessa animação chamada "Coraline" (Coraline, 2009) o escritor Neil Gaiman ganha tardiamente uma adaptação que faz merecer a sua fama de um dos maiores escritores de quadrinhos e livros de fantasia contemporâneos. Sua incursão no cinema nunca foi muito promissora, visto pelas as adaptações feitas de outras de suas obras. O filme “A Máscara da Ilusão” (2005), um projeto experimental feito em parceria com seu amigo Dave Mckean, designer que dirige o longa, nem chegou perto de ser bom. Quanto a “Stardust – O Mistério da Estrela Cadente” passou completamente despercebido pelo público. No entanto, “A Lenda de Beowulf” que foi roteirizado por Neil Gaiman, entre trancos e barrancos, por maior glória que possa ter alcançado, seu texto foi consumido pela narrativa de Robert Zemeckis para poder funcionar na prática. Assim "Coraline", animação dirigida por Henry Selick, realizador de “O Estranho Mundo de Jack”, resgata Gaiman das trevas que suas obras sofrem, com uma tradução visual belíssima e elegante a sua obra, e por vezes, melhorada se comparado ao livro, tamanha a compreensão de Selick sobre o enredo dessa fábula energizada por sua direção.


A história da menina sentida pelo abandono dos pais acha uma porta mágica para outra dimensão de seu mundo, onde seus pais são o oposto dos verdadeiros em comportamento. Sem contar dos olhos em formato de botão. Esses pais fazem de tudo para agradá-la e satisfazê-la, desde que Coraline aceite as condições impostas por eles. Sua felicidade é confrontada com um dilema que pode mudar o rumo de sua história, que é comtemplada pelo gato falante e deveras intransigente. A riqueza do texto de Gaiman é preservada, aliada ao apuro visual adotado por Selick, talentoso como poucos animadores, que incorpora um novo personagem ao filme ausente no livro - o garoto com quem Coraline cria uma amizade - e que desenvolve mais agilidade a fábula. O cenário que oscila entre o gótico e o colorido, enriquecido pela criatividade do diretor é outro ponto positivo da animação, que ganha mais cor e presença na tela, antes inimaginável nas páginas de um livro. “Coraline” é indicado aos fãs de animações como “A Casa Monstro” (2005) ou “A Noiva Cadáver” (2004).

Nota: 7/10
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