sexta-feira, 22 de junho de 2012

Crítica: Retratos de uma Obsessão | Um Filme de Mark Romanek (2002)



Totalmente distante dos roteiros de suspense elaboradíssimos de Hollywood, e bem conectado a uma realidade possível, o filme “Retratos de uma Obsessão” (One Hour Photo, 2002), estrelado por Robin Williams, interpreta de forma brilhante o papel de Seymour Parrish, um simples funcionário de um laboratório de revelação fotográfica. Um personagem de perfil comum, simpático e prestativo, como qualquer um funcionário anônimo que nos atende diariamente em estabelecimentos comerciais que frequentamos quase todos os dias, onde que por fim acabam desempenhando um papel dentro de nossa rotina. Apesar de sua admiração obsessiva por uma família, que acompanha atento através das fotos que revela frequentemente, Seymour não tem nenhuma ligação com ela além das obvias. Mas ele alimentava em seu imaginário o retrato de uma família perfeita, que a certa altura, acreditava inclusive ser membro desse exemplo familiar. Porém a casa caiu para Seymour, quando descobriu que o marido de Nina (Connie Nielsen), o principal alvo de sua obsessiva perdição estava sendo traída.

O diretor Mark Romanek foge corajosamente de uma abordagem comum, com derramamentos de sangue e violência descarada, adotando uma perspectiva mais profunda das possibilidades que essa premissa pode proporcionar. Ele trabalha com coerência e foco a reação de Seymour, que da dissolução de sua fantasia, que a princípio causou frustração, aos poucos se reverte em um intenso desejo de vingança. A dor que a infidelidade causou a Nina quando caiu a mascara da perfeição era igualmente dolorosa, porém curiosamente distorcida para Seymour por não dar relevo a sua própria vida que permanece inalterada diante das circunstâncias.

  
Tanto Robin Willians quanto Connie Nielsen apresentaram interpretações inspiradas, convincentes sem a necessidade de adicionar exageros dramáticos, ou criar situações extraordinárias para prender a atenção do espectador. A trama desperta fascínio por sua conectividade com esse temor distante, que causa arrepios só de pensar de ser possível.

Depois de dezenas de trabalhos onde Willians esgotava a escassa paciência do público – critico – fazendo todo tipo de papel de personagens bonzinhos e altruístas imagináveis – que já causava a sensação de déjà vu incomoda aos mais atentos a sua carreira – à crítica não poupou elogios ao seu desempenho bem direcionado a esse papel de vilão real desprovido de floreios e caretas. Por fim, nota-se claramente que, mais do que a critica propriamente dita, ele mesmo se surpreendeu com os resultados de sua atuação, tanto que veio a repetir o papel de antagonista perverso e doentio em outro filme chamado “Insônia”, interpretado por Al Pacino e Hilary Swank. 

Nota: 7/10 

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