quinta-feira, 7 de junho de 2012

Crítica: Queime Depois de Ler | Um Filme de Ethan e Joel Coen (2008)



Esse filme é muito estranho.  Apesar de que em si tratando dos irmãos Coen, estranho é bom. Seus filmes são sempre recheados de surpresas, que muitas vezes não despertam seguidores por sua excentricidade mal compreendida. Nesse filme é provável, que em uma enorme plateia, poucos gostem do resultado obtido, e um numero menor iria indica-lo por receio de ouvir criticas negativas e protestos. Seus filmes são estranhos. Qualquer outro diretor adjetivado dessa forma poderia causar repulsa, porém a habilidade de criação deles que envolve histórias incomuns, personagens estranhos e envolventes, situações carregadas de bizarrices os torna autores únicos. A comédia "Queime depois de Ler" (Burn After Reading, 2008) lançamento posterior ao premiado e chocante “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007), os irmãos voltam as suas raízes cômicas que os consagraram como diretores do primeiro escalão de Hollywood. 


Com uma trama onde John Malkovich é um agente da CIA demitido por problemas com alcoolismo, que traça um plano de vingança contra agencia ao escrever um livro de memórias. Sua esposa Tilda Swinton o julga um fracassado, e assim mantem um caso extraconjugal com George Clooney, um tremendo pilantra e cafajeste, que além de ser casado tem várias puladas de cerca com mulheres que encontra navegando na internet. Onde assim acaba conhecendo Frances Mcdormand, uma funcionária de academia de ginástica infeliz com sua aparência física, que a torna obcecada por cirurgias plásticas que não pode pagar. Quando Brad Pitt no papel de personal trainer encontra um disquete no vestuário com informações de natureza aparentemente relevante, criam um plano de chantagem e extorsão do proprietário do disquete. O que eles não sabem é que estão tentando extorquir dinheiro de um disquete que apenas contém o livro de Malkovich. A simplicidade da trama anda de mãos dadas com a complexidade desse emaranhado de situações e pessoas envolvidas, que se cruzam de forma caótica, enquanto são seguidos a distância por dois agentes da CIA, tão confusos quanto os próprios envolvidos. Todo filme é erguido sob o caos e mantido nele até o desfecho.

E mesmo que tudo pareça bagunça, basta ver com mais profundidade as intenções de seus autores, que não deixam nada passar em branco, ao fazer um retrato triste e metódico da meia idade com humor ácido. A busca pela felicidade através do culto excessivo ao corpo é um exemplo. Os irmãos Coen traçam um perfil meramente atualizado da sociedade americana através de seus personagens, que vivem solitários e frustrados com a falta de realizações que suas vidas se tornaram. Além de criticar humoradamente a ineficiência de órgãos de segurança ao qual a sociedade deposita tanta confiança durante seu repouso. Nada escapa aos olhos dos criadores, que sabem como ninguém aliar boas sacadas de humor com um roteiro inteligente sem ser chato. 


Nota: 7,5/10

2 comentários:

  1. Uma das melhores comédias dos irmãos Cohen. O elenco perfeito ao criar personagens estranhos e os diálogos divertidos, alguns muito engraçados de tão absurdos.

    Quase tão bom quanto "Fargo".

    Abraço

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    1. Personagens estranhos e relativamente reais ao mesmo tempo, devo dizer!

      abraço

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