quarta-feira, 27 de junho de 2012

Crítica: Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança | Um Filme de Brian Taylor e Mark Neveldine (2012)


Confesso que nunca virei uma página sequer da revista do personagem em questão, portanto não tenho a mais vaga noção da essência do conteúdo da cruzada de Johnny Blaze e seu equivocado acordo com o Diabo. Porém, acabei ficando bem familiarizado com as consequências de sua transposição para a telona. Mas não é preciso ser nenhum expert para perceber que, embora Nicolas Cage seja bem mais ator do que tem demonstrado nos últimos anos, ainda não será nessa sequência intitulada "Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança" (Ghost Rider – Spirit of Vengeance, 2012), que irá retirá-lo do fundo do poço ao qual se encontra no momento. O astro permanece perdido e menos à vontade com esse personagem alarmante do que apresentou no primeiro filme dessa franquia. Um dos grandes desafios da primeira produção foi o elemento técnico do fogo em CGI presente na caracterização do personagem, que se fosse mal elaborado visualmente, já cairia por terra sem chances de brilhar nas bilheterias, correndo o risco de ser rotulado pela crítica como trash bem estrelado ou coisa pior. Desse mal Johnny Blaze se safou e inclusive nessa sequência esse elemento até foi melhorado. Alias todos os efeitos estão mais apurados. Mas nem por isso se salvou de se queimar nos cinemas devido a uma série de outras deficiências técnicas, criativas e de trama. A história solicita que Johnny Blaze encontre e proteja um garoto, fruto de um acordo semelhante ao dele em certos aspectos. Assim Blaze dispara pela a Europa depois de uma possessão demoníaca atrás do menino, que é raptado por uma seita comandada pelo Diabo na forma humana. Igual ao personagem do Motoqueiro Fantasma, esse garoto faz parte de um plano maior de grande interesse para todos os envolvidos. Blaze passa a contar com a ajuda da mãe do garoto e de um padre alcoólatra para protegê-lo, amando de uma congregação de monges liderado por um Christopher Lambert – de aparência sinistra e segundas intenções. 

Qualquer chance de Cage mostrar talento de atuação com seus conflitos interiores não acontece, e muito pelas soluções visuais da narrativa escolhida pela direção de Brian Taylor e Mark Neveldine, que aparentam ter anseio por virarem um Guy Ritchie da vida. O problema é que não chega nem perto da capacidade de criar efeitos que simulem sensações pessoais que o ator sofre em cena, como exemplo, o momento da transformação de Cage no motoqueiro fantasma. Muito espetáculo visual para um resultado previsível que não empolga. A expressão de cansaço do astro é constante em cena, fazendo crer que sua maldição é um fardo inquestionável. Agora a pergunta que me faço a certa altura do filme é: será que esse detalhe Cage já não trouxe dos bastidores? Vai saber. São tantas decepções. A história do filme continua simples, sem reviravoltas que prendam a atenção. O elenco de apoio desfavorece melhoras e os vilões estão se descobrindo tanto quanto o protagonista. Desinteressantes como os do primeiro filme, não ajudam no conjunto. Apesar de que Peter Fonda interpretando o capeta fez falta à beça no elenco. Os planos de Lambert após se apoderar do garoto eram mais do que óbvios e seu fim dentro da trama não foi nenhuma surpresa maior do que sua participação nesse longa. Saudades dos tempos de “Highlander – O Guerreiro Imortal”, onde me fascinava o toque sinistro que ele dava ao personagem com sua voz sussurrada e olhar compenetrado. Apesar do pôster bacana e de um trailer que era uma boa promessa de retomada de um projeto promissor, enfim não teve o que o subtítulo prometia, com a menção de uma vingança espirituosa, pois não fez mais do que dar segmento ao que já havia sido apresentado antes. Como entretenimento cumpre seu papel, mais só em DVD mesmo, porque para assistir o mesmo do mesmo prefiro pegar o filme da prateleira. Minha esperança quanto à carreira de Nicolas Cage é que não tome o rumo igual à de Christopher Lambert, hoje menosprezado e reduzido a um mero elenco de apoio, até porque, seu tombo seria bem maior devido à altura de seu sucesso no passado. 


Nota: 4/10
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