quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crítica: A Vida Íntima de Pippa Lee | Um Filme de Rebbeca Muller (2009)




Enquanto a insônia não para de me atormentar nas madrugadas, a “Sessão de Gala” continua a me surpreender com preciosidades como esse longa, chamado "A Vida Íntima de Pippa Lee" (The Private Lives of Pippa Lee, 2009) da diretora Rebbeca Muller, onde ela dispõe e faz bom uso de um elenco estelar com nomes como: Robin Wright Penn, Alan Arkin, Keanu Reeves, Monica Bellucci, Juliane Moore e Winona Ryder - sem deixar ninguém menos importante na tela. Esse drama é focado em Pippa Lee (Robin Wright Penn) uma mulher madura de cerca de 50 anos, bonita, dedicada ao marido Herb (Alan Arkin) um editor de livros bem sucedido. Sempre zelosa quanto à saúde de seu marido, depois de diagnosticado problemas cardíacos, faz medições de pressão periódicas e ministra sua medicação severamente. Durante um jantar com seus amigos, que são sempre os mesmos, ela começa a se questionar quanto ao rumo de sua vida – aparentemente perfeita. Em um emaranhado de flashbacks de sua infância, adolescência a fase adulta, procura uma resposta para sua inexplicável infelicidade que lhe tem atormentado, inclusive causando sonambulismos e uma sensação de que algo está errado, apesar de não parecer aos olhos de sua família e amigos. 

E apesar de Pippa não ter tido uma juventude nada exemplar, cheia de controvérsias familiares - fugiu da casa de seus pais, por não aguentar mais a mãe viciada em antidepressivos e foi morar com a tia que se revelou lésbica - e companhias nada recomendáveis – passou a morar com hippies no auge do consumo das drogas – ainda assim foi destinada a uma vida de causar inveja a qualquer mulher, quando conheceu o seu marido Herb em uma festa cheia de artistas e intelectuais. Tornou-se mãe, e passou a viver em função de seu marido. Quando o filme pausa o passado, e foca em seu presente, pode-se ter a noção da proporção da profundidade de sua trajetória, que justifica a empatia do publico pelos personagens a sua volta. Como o de Keanu Reeves, recém-separado da mulher, que passa a morar com os pais, na casa ao lado de Pippa.  Seu peito tem uma enorme tatuagem de Jesus Cristo, de braços abertos, do período de quando tentou ser padre. De uma forma misteriosa, seus personagens acabam se completando, principalmente após a descoberta de Pippa quanta a certas questões familiares que envolvem traição, tragédia e morte. Pippa vive assombrada por seu passado, ao mesmo tempo em que tenta trilhar um novo futuro.

Apesar de um elenco fabuloso, que poderiam ter rendido duelos de atenção, o roteiro deixa espaço para todos fazerem seu melhor sem nenhum estrelismo, deixando ainda assim a história fluir naturalmente, transparecendo seu potencial, que mesmo composto em seu amago de simplicidade, a narrativa adotada para exibi-lo teve toda profundidade necessária para compor uma obra positiva. A história é adaptada de um romance da própria diretora, transformando-o em uma narração bem feita, sobre uma jornada de superação, autoconhecimento e cheia de viradas típicas da vida como ela é mesmo, fazendo dessa obra inédita até então aos meus olhos, uma preciosidade imperdível.

Nota: 7/10

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