quinta-feira, 3 de maio de 2012

Crítica: O Jogo da Paixão | Um Filme de Ron Shelton (1996)



O longa-metragem “O Jogo da Paixão” (Tin Cup, 1996) é um exemplo de comédia romântica bem intencionada, de uma época onde o gênero se difundia até virar uma febre que nos assombra até hoje sem novidades. Mais comédia do que romance, usa o universo dos golfistas profissionais e amadores sem muita complicação, como pano de fundo numa trama simples que rende boas risadas e situações inesperadas aos seus protagonistas. Com a história focada em um golfista fracassado conhecido pela alcunha de Tin Cup (Kevin Costner), que hoje dá aulas de golfe para ganhar a vida no Texas ao invés de desfrutar dela como todo grande veterano do golfe. A causa de seu fracasso: Certamente é seu temperamento instável que o coloca sempre em maus lençóis e que o condena. Contudo, mesmo assim ele está de bem com a vida, até o momento que ele conhece a psicóloga Molly Griswold (Rene Russo), a qual ele deveria apenas dar umas aulas de golfe, mas se apaixona por ela, mesmo sabendo que ela o julga um perfeito fracassado. Então ele decide impressiona-la de alguma forma, ganhando um importante campeonato de golfe, e mostrando todo seu potencial como ser humano.

Sendo o golfe, como também o beisebol e o futebol americano, esportes cujo repertório de regras é um pouco extenso e misterioso para a maioria das pessoas, no filme ele é bastante simplificado e muitas vezes deixado em segundo plano, quase de lado, por maior que seja sua importância e para não entediar os menos interessados pelo esporte em destaque. O espectador fica mais atento ao fato da bolinha entrar ou não no buraco, do que se prendendo aos inúmeros termos golfistas – birdie, putt, holly in one, drive, sand-wedge, caddie, tee, green, eagle, handicap, etc... – e sua criteriosa pontuação que determina o vencedor. Uma medida convencional como solução, deixando a mercê do espectador a percepção de distinguir através das expressões o vencedor do derrotado. A inserção de comentaristas esportivos durante o campeonato ajuda nessa empreitada convenientemente. O ator Kevin Costner fazendo par romântico com Rene Russo funciona melhor como comediantes, o que não é pecado, já que o filme não deixa de se uma festa popular no meio de uma elite esportiva daquela época, anterior a consagração do grande golfista Tiger Woods, hoje figura carimbada em grandes campeonatos mundiais. 

Com uma trilha sonora empolgante a cargo de William Ross, marcando bem a importância desse elemento e sua aplicação prática, acentua um colorido no clima árido do Texas e no silêncio de uma reflexão do protagonista quanto ao rumo de suas decisões. A direção fica de inteira responsabilidade de Ron Shelton, que também atua como roteirista, e mesmo não sendo campeão de público e crítica, não faz feio no campo do cinema de temática esportiva, em vista de outro filme que usa o beisebol nos mesmos moldes desse, tendo inclusive Costner como protagonista chamado “O Campo dos Sonhos”. Por mais que eu não tenha me transformado ao final do filme em um grande conhecedor do esporte, me diverti. E o que no fim, é o que realmente importa.

Nota: 7,5/10

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