sábado, 17 de março de 2012

Crítica: O Preço do Amanhã | Um Filme de Andrew Niccol (2011)


Tempo é dinheiro. Não há quem ainda não tenha ouvido esse velho ditado na vida. Porém, não houve recentemente uma fita que levasse ao público essa ideia com tanta seriedade quanto esse filme chamado "O Preço do Amanhã" (In Time, 2011). Nessa produção de ficção científica dirigida pelo experiente diretor/roteirista Andrew Niccol, cuja especialidade é  acima de tudo é fazer filmes carismáticos, prova mais uma vez sua vocação de criar filmes, que agradam sem fazer esforço. Baseado no clássico "Fuga no Século 23" (1976) e transformado posteriormente em um seriado de televisão chamado Logan's Run (1977-1978), aos quais não tive oportunidade de ver, é dada a essa versão uma nova roupagem, mais moderna, com um elenco jovem e dotada de uma criatividade visual contemporânea característica da filmografia de Andrew Niccol. Autor de outra obra elegante de ficção cientifica chamado 'Gattaca – Experiência Genética' (Gattaca,1997), e do controverso e dinâmico "Senhor das Armas" (Lord of War, 2005), entre outros filmes, sua pretensões de fazer entretenimento garantido são claras. Suas qualidades como diretor sem equivalem ao seu talento como roteirista, ao qual já foi nomeado com Oscar de melhor roteiro original por "O Show de Truman" (The Truman Show, 1998) e premiado com um Bafta de melhor roteiro pelo mesmo filme. Com uma trama que se passa em uma sociedade que conseguiu impedir o envelhecimento contínuo do corpo através de uma modificação genética, as pessoas param de envelhecer aos 25 anos e passam a ter somente mais um ano de vida. A partir daí, a expectativa de vida pode ser infinita, desde que seja devidamente efetuado o pagamento por sua sobrevivência, cuja renda é obtida através de trabalho cuja moeda em vigor é o tempo.  O tempo é a moeda de troca vigente nessa sociedade, deixando os ricos viverem séculos, enquanto os pobres numa contagem regressiva diária pela sobrevivência que lhe é sempre visível aos olhos pelo curioso cronômetro luminoso em funcionamento no braço. Existe uma grande preocupação em evitar uma superpopulação e esgotar os recursos da sociedade. E como em outro ditado que conheço dito por minha avó: "trabalho não mata ninguém; e que no caso aqui, até prolonga". 


Assim o protagonista Will Sallas (Justin Timberlake) um cidadão comum da periferia, que está habituado a viver um dia de cada vez, é presenteado com mais de um século de tempo por um milionário suicida e passa a ser acusado injustamente de assassinato por roubar o seu tempo. Ele foge para a área elitizada da sociedade onde conhece Amanda Seyfried, filha de um magnata a qual a envolve em sua fuga das autoridades chefiada por Cillian Murphy (Batman Begins). Vitima de uma injusta caçada, o protagonista passa a decretar uma guerra contra o sistema, junto a sua parceira motivada pela falta de perspectiva por uma vida longínqua e desinteressante. Sallas é um completo desconhecido para as autoridades, exceto para Cillian Murphy que tem lembranças do pai de Will que também possui um histórico de ativismo social ao qual não se aprofunda, e apenas serve de ferramenta de conveniência de roteiro para conectar indiretamente herói e vilão. Cillian Murphy interpreta uma espécie de policial justiceiro, compenetrado em seus deveres e insensível quanto às consequências de suas ações, até o momento onde ele se torna vitima do mesmo sistema ao qual zela com tanta determinação. Com um roteiro repleto de boas sacadas, típicas de Andrew Niccol, a sua roteirização faz várias referências a personagens bem conhecidos. Justin Timberlake, que tem demonstrado uma ascensão à melhoria desde seu primeiro filme, parece um agente especial 007 quando se apresenta; ou quando disputa uma mão milionária em uma partida de Poker. Sua parceria com Amanda Seyfried homenageia outros ícones do imaginário americano como Bonnie & Clyde, que agora assaltam bancos de tempo. E ao contrário de seus protagonistas que travam uma colossal batalha contra o discriminativo sistema social, Andrew Niccol pelo visto, tem pretensões bem menos ambiciosas para o destino de sua carreira. Mesmo assim, ainda bem interessante pelos resultados exibidos em seus últimos trabalhos. Sua falta de originalidade e anseio por criar personagens diferentes e originais, apesar das infinitas possibilidades que a história proporcionava para isso, é deixado de lado por soluções mais garantidas. Isso sem deixar de impulsionar uma mensagem, também não original, mas importante, que passa muitas vezes despercebida aos nossos olhos, que devemos viver todos os dias como se fosse o último, contanto que trabalhemos como se fossemos viver eternamente. 

Nota: 7/10 

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